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Viagens

Berlenga, um paraíso desconhecido

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Depois de longos meses de trabalho, de esperas, de lutas, de vitórias e de derrotas, chegaram finalmente os aguardados dias de descanso. O campo, a cidade, a montanha, ou a praia, as opções variam conforme os gostos de cada um. No entanto, se és daquelas pessoas que aprecia praia, que deseja fazer férias cá dentro e quer tudo menos ir para o Algarve, então, o meu conselho é a ilha da Berlenga.

Situada ao largo da cidade de Peniche, a ilha da Berlenga Grande, a principal do arquipélago das Berlengas, é um local duma beleza única. É certo que não precisas de um dia inteiro para percorrer a ilha de uma ponta à outra, mas isso não significa que te vais fartar de lá estar. Pelo contrário, a experiência tem tudo para ser inesquecível. Os penhascos são de cortar a respiração, a água do mar é azul-cristalina e a Natureza é selvagem. A sensação é de estar a milhares de quilómetros de casa numa ilha paradisíaca do Oceano Pacífico.

Para ter acesso ao arquipélago terás que obrigatoriamente apanhar um dos barcos que fazem a ligação desde o porto de Peniche. As opções são várias e os horários também, dada a existência de algumas empresas a efectuarem o transporte. A partir das 8h30 já fazem a ligação, sendo que partem barcos praticamente de meia em meia hora. Caso consideres os bilhetes demasiado caros, sempre podes procurar por um pescador, ou outro profissional, que necessite de ir até à ilha, já que, por norma, fazem preços mais acessíveis e a viagem é mais rápida (a duração é de cerca de 45 minutos).

Chegado ao destino, sentirás imediatamente o impacto visual. As imponentes paredes rochosas da ilha vão fazer-te sentir minúsculo. Se já viste na televisão, ou já tiveste a oportunidade de visitar uma ilha italiana, sentirás algumas semelhanças. As poucas construções existentes dão-lhe um ar pitoresco. Poucas são as pessoas que lá vivem, durante o ano inteiro. Existe um restaurante/hotel e um mini-mercado com produtos essenciais. O melhor a fazer é levar alguma comida contigo e água. A única torneira comunitária de água doce na ilha é cortada às dez da manhã.

A receber-te terás alguém a oferecer-te o mapa da Berlenga, bem como panfletos sobre as várias actividades desportivas que poderás usufruir, durante a tua estadia: mergulho, caiaque, entre outras. No entanto, ir à Berlenga também significa caminhar e muito, por isso mesmo, não te esqueças de levar calçado confortável.

Logo a começar, terás de subir uma íngreme encosta, com início na pequena aldeia. Nem vais sentir o esforço. Há medida que sobes, ganhas uma nova perspectiva da ilha. A tendência será a de parar inúmeras vezes para saborear o momento e tirar algumas fotografias para a posteridade. Diante dos teus olhos terás um mar imenso, salpicado por pequenas embarcações, de água transparente, a desaguar numa pequena praia, a única da ilha.

O teu olhar será também atraído pelas várias tendas dispersas nos socalcos construídos ao teu lado esquerdo. Trata-se do parque de campismo da Berlenga. Um parque diferente de todos os que já viste. A sua altura e localização fazem com que seja considerado um dos mais belos da Europa. Caso queiras pernoitar na ilha, esta é uma das opções, porém, dada a sua área reduzida, terás que contactar com alguma antecedência a Câmara Municipal de Peniche para fazer a reserva. Se gostas de experimentar sensações diferentes, é uma hipótese a considerar, mas, entre as desvantagens, terás o facto de teres de descer até à aldeia para usufruíres da casa de banho. Outro pormenor – os banhos são de água salgada e fria. Não te admires se vires inúmeros garrafões de água espalhados pela ilha, o mais certo é estarem ao Sol para os campistas terem água quente para tomarem banho.

Por esta altura já te apercebeste da constante presença das gaivotas. Existem aos milhares, o seu grasnar faz parte da sonoridade do arquipélago. Aliás, as gaivotas são um problema nas Berlengas, os seus excrementos estão a cada canto. O risco de seres atingido por um excremento de um destes animais é por isso elevado. O melhor é levares um chapéu para te protegeres de uma surpresa desagradável.

Contornado o parque de campismo, aproveita para conhecer outros recantos. Caminha somente nos trilhos indicados. As Berlengas são consideradas desde 2011 Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO. O que não faltam são locais para parar e relaxar, enquanto observas a beleza em teu redor. Em certos pontos da ilha, terás oportunidade de visualizar duas ínsulas do arquipélago e o Farol Duque de Bragança.

A partir de um dos trilhos, terás acesso ao Forte de São João Baptista. O acesso é feito a partir de uma extensa escadaria de pedra. Se pensavas que já tinhas feito todo o esforço físico, enganaste-te. Não desanimes. Nesta altura, estarás maravilhado e isso vai incentivar-te e muito a prosseguir. Mandado construir em 1651 pelo rei D. João IV, o Forte de São João Baptista é um edifício de pedra lindíssimo. Faz lembrar os castelos dos filmes da Disney. Hoje, serve como “casa-abrigo” da Associação dos Amigos das Berlengas e é mais um dos locais onde te poderás alojar (reserva com antecedência), conta com um mini-mercado e um restaurante.

Visitado o Forte, chegou o momento de dares uma volta de barco em torno da ilha. É obrigatório. Existe uma outra beleza envolta da Berlenga que precisas de conhecer. São as grutas, as rochas, que se assemelham a baleias e elefantes, e a sua fauna. São as histórias e as lendas contadas pelas suas gentes. Uma viagem aos recantos mais escondidos da ilha. Recantos de uma beleza única.

Conhecidos os pontos principais, é altura de aproveitar as águas límpidas para uns bons mergulhos, ou para praticar um dos desportos radicais existentes na Berlenga. Vai até à praia e disfruta da beleza natural envolvente.

Longe das grandes confusões dos destinos turísticos habituais, a ilha Grande da Berlenga é o local perfeito para quem não quer gastar muito dinheiro e quer ao mesmo tempo sentir-se a milhares de quilómetros de casa. É mais um ponto paradisíaco do nosso país que merece ser conhecido. Se ainda não sabes onde vais passar as tuas férias este ano, tens aqui uma excelente opção.

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Diana Rodrigues
Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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