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Beautiful Boy

Baseado no livro, com o mesmo título, do autor e jornalista David Sheff, este filme narra-nos a dolorosa e atribulada odisseia de um pai que é confrontado com o vício do seu filho por anfetaminas. Não só pela perspectiva do pai, como pelo seu filho Nic Sheff, que passou também, para palavras a sua perturbada experiência, com o livro Tweak.

Quando deparados com uma história tão real como esta, muitos realizadores poderiam cair na tentação de embelezar a trama, em prol de um filme mais “comercial”. Felizmente, o realizador Felix van Groeningen escapa-se ao cliché e consegue-nos transmitir, através de um ritmo cinematográfico de saltos temporais, os efeitos desta droga que irá ter consequências tão desconcertantes nos elementos desta família. Porque não é só a Nic, interpretado por Timothée Chalamet, que a droga irá afectar. Nunca o é, na verdade. A família, as pessoas que rodeiam o toxicodependente, as pessoas que o amam, sofrem sempre por consequência: o seu pai David (Steve Carell), os seus dois irmãos mais novos, a sua mãe (Amy Ryan) e até mesmo a sua madrasta (Maura Tierney).

David, acompanhado pelo narrativa fragmentada em cenas temporais dispersas, consegue-nos transmitir o mosaico desconstruído que são as suas emoções, como pai que não sabe como ajudar o filho. O medo, a vergonha, a culpa, misturam-se com as memórias, que tomam o formato de flashbacks, de tempos mais felizes, quando o seu filho ainda era o seu menino de ouro, o seu beautiful boy. Cada vez que Nic se deixa perder e tem uma recaída, David refugia-se nessas memórias: surf numa tarde de Verão, o ouvir em conjunto um álbum dos Nirvana ou uma despedida calorosa num terminal de aeroporto.

Apesar da presença de atrizes de renome, é Steve Carell e Timothée Chalamet que brilham neste drama tão realista. Carell, que nunca há-de deixar de ser aos meus olhos o desajeitado e hilariante Michael Scott (The Office), consegue suportar nos ombros o peso deste drama e provar que os comediantes são bichos dos sete ofícios. Timothée Chalamet, que já nos tinha presenteado com uma memorável performance, nomeada a um Óscar, em “Call me by your name” (2017), deixa-nos, uma vez mais, mesmerizados com o seu talento nato e é a verdadeira estrela.

Não é um filme fácil de ver, mas consegue fazer-se chegar tanto a jovens, como adultos. Faz-nos pensar que a vida não é a preto e branco. Por detrás da nuca, aquele sentimento que não nos larga. A auto-realização de que, como pais, que tão desesperadamente queremos fazer o melhor pelos nosso filhos, às vezes o que é necessário é darmos um passo atrás. Como o filme tão perspicazmente conclui, as recaídas fazem parte da recuperação e que a vontade de uma cura tem sempre de vir do próprio toxicodependente.

David e Nic Sheff na vida real. Nic, oito anos limpo.

 

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