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As redes sociais, as fascinantes pessoas que não conhecemos e a perda daquilo que realmente somos

Nos dias atuais vivemos num mundo que carece de reflexões profundas, sobre uma diversidade de assuntos que fazem parte e são essenciais ao funcionamento da nossa sociedade. Mas, hoje, o tema sobre o qual me debruçarei são as redes sociais, tão adoradas por uns e tão detestadas por outros.

Atualmente, as redes sociais são usadas pela maioria das pessoas. Algumas pessoas, usam-nas de forma inconsciente e sem qualquer tipo de controlo. Outras, estão presentes de forma mais consciente, outras, preferem nem estar presentes.

Certamente, que tal como eu, já ouviram comentários do género: “as redes sociais só servem para satisfazer o ego”, “só servem para mostrar e vender uma vida perfeita e a transbordar felicidade”, entre outras. Todavia, independentemente, daquilo que ouvimos e pensamos, é certo que as redes sociais, são ferramentas sociais que fazem parte inerente da natureza humana. Elas fazem parte da extensão da psique humana, e agem para compreender e responder às necessidades do ser humano.

É, neste sentido, que as redes sociais desempenham um papel tão importante na sociedade. Pois, é através das redes sociais, que contamos quem somos, ou o que gostaríamos de ser. O que queremos, e ainda, tentamos e desejamos encontrar um lugar, no qual nos possamos “encaixar” dentro de uma comunidade. Nem, que isto, seja por vezes uma mera ilusão

Mas, afinal porque usamos as redes sociais? Porque seguimos e somos amigos de determinadas pessoas que nem conhecemos? E, bem, mais curioso, porque as achamos fascinantes e até desejamos ter uma vida igual à delas?

Em primeiro lugar, como dizia o filósofo grego Aristóteles: “o homem é um animal social”.  Esta célebre frase de Aristóteles, significa que o ser humano é um individuo que não só gosta, como precisa de estar em sociedade para viver plenamente. O Homem, não pode ser feliz sozinho.

Quanto mais “amigos”, nem que sejam meramente digitais, maior é a percepcção e/ou ilusão de que é adorado e de que pertence algum lado…

As redes sociais foram estrategicamente criadas, para partilharmos tudo de modo perfeito: os emojis são bonitos e transmitem sentimentos bons. Os filtros, que nos permite camuflar, alterar aquilo que não é tão perfeito…. Afinal, o que mais desejamos é atingirmos a perfeição, sermos aceites, e que gostem de nós.

Outro factor, que me parece essencial é a necessidade do ser humano, em afirmar a sua identidade ou o seu “eu ideal”. Por exemplo, quando vemos uma pessoa que partilha, pratos de comida saudável, a fazer exercício físico, a meditar, a fazer yoga…. Pode ser, que nessa fase a pessoa, esteja realmente a mudar o estilo de vida. Ou, também é bem provável que a pessoa, publique essas fotos, porque alimentação saudável, exercício físico e meditação está na moda, dá likes e gera comentários. Que é algo que dá prazer ao ser humano. Ou então, porque a pessoa deseja (embora não tenha) ter realmente aquele estilo de vida.

Contudo, neste ponto ressalto, outro aspecto importante das redes sociais. Mesmo que uma pessoa, finja ser aquilo que não é (ou pelo menos não o é totalmente) é possível conhecer, com bastante precisão, as nossas verdadeiras caraterísticas. Uma vez, que deixamos impressões através de publicações, likes, comentários e partilhas pela Web. De acordo com um estudo recente, os nossos likes revelam informações pessoais, como a nossa cor de pele (com uma precisão de 95%), a orientação sexual (88%) ou a nossa idade (75%).

Outro aspecto, e que diversos estudos científicos já comprovaram é que as redes sociais são uma fonte de prazer. Através da observação dos utilizadores da rede de Mark Zuckerberg, os cientistas chegaram à conclusão que alguns dos Posts que publicamos e geram reacções positivas, como Likes e comentários estimulam as áreas do cérebro que nos fazem bem. Uma vez, que os participantes do estudo, apresentaram reações fisiológicas que tradicionalmente são associadas ao prazer e ao amor. Como por exemplo, a dilatação das pupilas.

Uma outra pesquisa, levada a cabo pela Dr.ª Moira Burke mostrou que as pessoas que interagem nas redes sociais, quando publicam alguma coisa, e recebem um comentário positivo, é uma fonte de grande prazer. 

Outra razão pela qual as pessoas tanto gostam de estar conectadas às redes, é porque obtêm rapidamente feedback social o que, induz a pessoa, a que pertence alguma comunidade. Um estudo, realizado pela Dr.ª Stephanie Tobin, da Universidade de Queensland, concluiu que a participação ativa nas redes sociais proporciona senso de conectividade aos utilizadores. Para chegar a esta conclusão, a DR.ª Stephanie Tobin, dividiu os participantes em dois grupos. Um dos grupos, tinham de fazer publicações com regularidade. Ao segundo grupo, apenas era permitido observar os posts de amigos. Os resultados, mostraram que os membros do grupo que não publicaram nada por dois dias sentiram um impacto negativo no seu bem-estar.  Isto conclui que os utilizadores gostam de receber feedbacks.

A título de conclusão, cabe-me dizer que no meio digital, as pessoas normalmente partilham apenas os aspectos positivos da sua vida. O que leva a que muitas pessoas que assistem na plateia, acreditem que as pessoas que observam têm vidas perfeitas e reflectas de felicidade e coisas maravilhosas.

Muitas vezes, também temos tendência a idealizar pessoas que não conhecemos com qualidades e cateteristas positivas. Talvez, este fenómeno, seja o reflexo incessante do desejo do ser humano em encontrar aquilo que é bom e belo. Mesmo que seja no desconhecido. Pois, por vezes, as pessoas que conhecemos e nos relacionamos na vida real, muitas vezes nos desiludem e nós a elas.

A sensação que tenho, é que o ser humano, está totalmente perdido na sua caminhada. Vive numa espécie de ambivalência: não sabe, quem realmente é, aquilo que quer e que rumo seguir… E, nesse sentido, vive tentando imitar a todo o custo, alguém, que aparentemente tem a vida que tanto deseja. E, reage no efeito da manada, anulando muitas vezes as suas caraterísticas pessoais, porque acredita que as do outro são melhores.

Contudo, já pararam para pensar, que se conhecessem e convivessem durante algum tempo na “vida real” com essas pessoas, talvez chegassem à conclusão de que não são assim tão perfeitas quanto aparentam ser. E, que a vida delas, que na tela aparenta ser tão perfeita afinal é bem pior que a vossa.

E como afirmavam os filósofos, epicuristas e estoicos que estudaram conceitos como a felicidade, o desejo e o prazer. Qualquer pessoa que fizesse uso da razão, e observasse a vida dos que nos rodeiam e até mesmo dos nossos ancestrais. E, tudo que é inerente a ela, chegariam à conclusão de que a vida é uma espécie de gráfico aos altos e baixos. Momentos bons, momentos maus, chatices laborais, problemas familiares, de saúde… não é meramente um gráfico em linha recta, em que a vida segue meramente perfeita todos os dias.

NOTA: este artigo foi escrito seguindo as regras do antigo Acordo Ortográfico

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Comments 1
  1. As redes sociais foram criadas com muita engenharia social com intenções pouco nobres e nada benéficas para o ser humano e sociedade em que se insere.
    Está provado que há mais pessoas com sentimento de solidão nesta era das redes sociais, do que quando não existiam.
    São um comedouro onde se alimentam egos, mostrando vidas que não têm.
    Sim, estudos comprovam que as redes sociais são uma fonte de prazer; mas nem eram necessários os estudos, é só olhar para as pessoas à nossa volta quando vamos num transporte público, quando estamos em sítios que supostamente seriam ideais para socializar, e notar quantas pessoas estão a olhar para o seu próprio ecrã. É esta a socialização que as redes nos trouxeram? Ou será que na verdade nos roubara a nossa verdadeira necessidade de socializar olhos nos olhos, conversar, ouvir , discutir, rir … sem fazer qualquer referência a um post que vimos aqui ou ali?
    O que acontece é que as redes são uma fonte de prazer, assim como a heroína ou a cocaína são fontes de prazer mas no caso prejudiciais; com a diferença de que esta droga é grátis. Ou pelo menos todos acham que são grátis. Na verdade todos estamos a pagar um preço quando mostramos e damos de caras todas as nossas preferências ao algoritmo, que assim vai sabendo aquilo que precisa fazer para roubar a nossa atenção e um tempo. Não é curioso que nos queixemos cada vez mais da falta de tempo? Quanto do nosso tempo negligenciamos em prol das redes sociais, e que verdadeiramente ganhamos com isso? As redes não são nem nunca serão um benefício para a plasticidade cerebral, pelo contrário; o poder cognitivo e rapidez de raciocínio têm vindo a diminuir nas novas gerações. E porquê? Porque tudo é fácil , este imediatismo e hábito criado de ter tudo à distância de um clique, vai acabar por destruir a capacidade natural que o ser humano tem de evoluir cognitivamente.

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