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As almas que vivem em Auschwitz

Quem acredita na vida depois da morte, como eu, sente a pele eriçada mal se entra naquele espaço. Viajemos, então, até 1940, o ano de construção do complexo dos campos de concentração de Auschwitz. Situado em Cracóvia na Polónia, foi o maior de todos os que foram criados pelo regime nazi.

Mais de um milhão de pessoas morreram em Auschwitz e nove em cada dez vítimas era judia. As quatro maiores câmaras de gás daquele local comportavam, cada uma, 2 000 pessoas para serem mortas por asfixia, podendo, assim, assassinar 8 000 pessoas em pouquíssimo tempo.

Entramos em Auschwitz e vemos um cemitério a céu aberto, um cemitério de almas. Em cada bloco, um choque diferente, entramos por uma porta e saímos por outra, escutando as vozinhas de sofrimento. Digo escutamos, mas só quem escuta mesmo consegue, caso contrário não ouves nada! Passamos por corredores com milhares de fotografias de homens, mulheres e crianças, vestidas com o seu uniforme às riscas, cabeças rapadas sem que seja possível distinguir o seu género, a não ser que se leia ou olhe atentamente. São olhares colados a nós, que pedem socorro, e, mesmo que já não estejam na vida térrea, continuam presos ao terror vivido.

“A fala é prata, o silêncio é ouro.”

Nas várias salas, podemos ver cabelos, um amontoado de quilos de cabelos de pessoas que morreram sem propósito e que viveram o terror de entrar num crematório, que, quando o vemos, fingimos não perceber o que é, porque só de imaginar pesa na nossa alma. Cheira a morte em cada ar que se respira em Auschwitz.

Passamos também pelas salas onde vemos milhares de sapatos, óculos e malas, dos que não escaparam. Locais que nos fazem arrepiar a mente, onde entramos em silêncio e em silêncio saímos.

É impossível ir a Auschwitz e sair o mesmo. Em cada m2 daquele espaço sentimos que somos acompanhados por almas que gritam para manter-se vivas. Ficaram ali presas, sem dar perdão a quem lhes tirou a dignidade e a vida.

Ao olhar para a coroa de flores com velas e a bandeira alemã que há num dos locais, penso que só o perdão liberta, mas tenho dúvidas que tudo nesta vida seja perdoável. Não posso desejar que estas almas que ali gravitam possam perdoar, porque não sei se será possível, mas gostaria que elas encontrassem essa paz. 

“Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo.”

George santayana
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