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Arte – o refúgio da vida comum

A arte é o refúgio do quotidiano, das nossas angústias, é onde deixamos expressadas as nossas e tristezas e as transformamos em algo palpável e nos confortamos com isso. Ela é sempre a companhia eleita até em momentos opostos, esses tais como o desespero ou a euforia.  Torna-se também frequentemente a expressão máxima das nossas maiores emoções e alegrias. Raramente existe algum momento de celebração sem música, porque é desta maneira que somos mais atraídos a nos deixar envolver pela emoção. O samba por exemplo, tem o poder de se misturar com o nosso batimento cardíaco e faz parecer que o nosso coração bate de uma forma dançante.

Em quase todas as gerações, na escola, existe aquela criança que tem imensas dificuldades nas matérias globais e que tem uma aptidão fora do comum para as artes. Essa criança tem por norma, uma sensibilidade extrema. Ainda existe muito o estigma de que isso não serve para um dia ser alguém bem-sucedido profissionalmente. Muitas vezes esse estigma sabota a criatividade e rebaixa a forma intensa como aquele pequeno ou grande ser humano sente as coisas dentro de si. A sensibilidade para a arte é, muitas vezes, algo extremamente desconsiderado no meio académico, mas a verdade, é que é a conexão com o nosso lado mais criativo,  que nos salva da rotina, que alimenta os nossos sonhos e ambições. Acredito que ninguém consegue imaginar o seu auge sem uma música de fundo na sua mente.

Quase todos nós conhecemos alguém artístico que cresceu perto de nós e por esse motivo era completamente autêntico. Esse ser humano não era por norma alguém bem-sucedido financeiramente, mas tinha um espírito livre, que vivia impulsionado pela arte. Normalmente tinha uma pequena sala que cheirava a tintas, cheia de telas com cores ou fotografias que nos deixavam perfeitamente conectados com o lado mais profundos de nós mesmos. O mais usual desses espaços são aqueles que comportam lá dentro um instrumento musical, pois há sempre um certo respeito que a arte é um processo interno, que requer silêncio, isolamento e muita introspeção para acontecer. É como se a arte permitisse que a nossa individualidade esteja sempre lá, que em alguns momentos sejamos a nossa melhor companhia, e nos deixemos aventurar pelo nosso eu mais profundo. Há medida que o tempo vai passando, os momentos em que respeitamos esse espaço de individualidade tornam-se preciosos.

Mesmo as pessoas mais pragmáticas têm algo em comum. Todas elas têm “a sua música”. Uma música que consideram tão certeira em relação a si mesmo e aos seus sentimentos. Ela envolve-se de tal maneira, que se apropriam dela como se fosse sua e têm até dificuldade em partilhá-la com alguém. Por vezes partilham sim,  precisamente com alguém que lhes desperta algo tão especial, que sentem que ela passa até a ter mais significado. São verdades escondidas que são difíceis de expressar, que se pode dizer que ao mesmo tempo se perdem e se encontram nelas.

É precisamente na audácia das artes, do experimental, do novo, do arrojado que ganhamos muitas vezes coragem de tentar sonhos que guardamos dentro de nós. Algo que guardamos com uma pequena esperança e ao mesmo tempo desapego de um dia termos coragem de levar adiante. A arte abre a porta para a coragem de sermos diferentes do padrão, da réplica do anterior e isso reflete-se em todos os setores. Pode-se dizer que a arte consegue andar de mãos dadas com todas as nossas maiores vontades e guardar uma esperança de um dia corrermos na direção daquilo que nos torna mais livres.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico
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