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APELO URGENTE: humanidade precisa-se!

Correcção: unidade precisa-se.

A mente é misteriosa! Algo brutal, incrível!

Duma dimensão sem igual e que nos surpreende sempre que não é compreendida. Assim, como o pensamento, que vive da imaginação e dela forma opinião. Certezas há que o mundo ao redor é aquilo que é e nada se pode fazer (?).

Condicionada a capacidade de ver para além do óbvio, recusa-se saber escutar em vez de somente ouvir…o seu próprio eu. Autómatos das rotinas do quotidiano. Dos hábitos que se vão adquirindo, das crenças que se fizeram nossas, das certezas do ego, das inconstâncias do mundo que existe…sempre do lado de fora. Sem ser crítico do ver, ouvir, sentir e assertivamente escolher do que à razão tem lugar.

A mente é perigosa! Alimenta-se de imagens e histórias alheias, ocultas. Verdades camufladas que surgem com o vento, discursadas por entre dentes, línguas de outras gentes e, na sumptuosa arte do “mal dizer”, cria nas mentes realidades subjacentes.

Nos nossos dias, muitos psicólogos considerariam um insulto se lhes dissessem que pensam a um nível filosófico. Eu não partilho desta reacção. Não posso deixar de me interrogar sobre o significado daquilo que observo.”

Carl Rogers, Tornar-se Pessoa, Padrões Culturais Editora, pág. 195

Covid! Corrupção! Covid! TAP e NOVO BANCO! Covid! Fugas ao fisco! Desvio de dinheiros públicos! Corruptos e corrupção. COVID! Ambiente e auto-sustentabilidade do planeta! Petróleo e aumento de bens e serviços. Morte! Violência! Abuso de poder! Vacinação! Guerra e suas vítimas! Migrantes e refugiados! Covid! Perdão aos canalhas! SNS e a saúde do povo! Pedofilia e fé! COVID! COVID! COVID! (…)

É ensurdecedor este silêncio chamado COVID. Em todas as páginas dos jornais, nas televisões, nos rádios, conversas de café, entre famílias ou amigos,…, os gráficos mostram o estado do mundo! E, todos são “doutores” na forma de opinar, só que analfabetos na maneira de decidir! Por isso, se continua neste impasse de caminhar um passo à frente e andar dois atrás. As estatísticas que se oferecem de bandeja são números, vidas, mortes, contagiados… Pessoas?

Sempre me incomodou a forma como a humanidade se estratificou em códigos de barras, numeração, serviços ou entidades, estatutos ou categorias, se permitindo ficar no limbo do desconhecido como gente anónima, sem nome ou vínculo social. Apenas mais um número. E, sim, o universo tem uma linguagem matemática muito mais vasta que a própria palavra e isso distingue-nos também.

Quanto a gráficos e tabelas de números, a covid – actual ômicron (daqui a uns meses, um outro nome original) enche as primeiras páginas, fazendo acreditar que nada mais existe para preocupar. É preciso ser criativo para não se deixar abater, assombrar, e acreditar que “tudo vai ficar bem”. Continuar a pintar de 7 cores os arco-íris que nos fazem sorrir. Até estes já estão esbatidos, esfumados, sem se notar e, que ainda olham a rua nas janelas onde foram colocados, há cerca de quase dois anos a esta parte.

Para além desta dura realidade, o que acontece desde que os governos “congelaram” as vidas das populações (para seu próprio bem, acrescente-se) é bem mais brutal e as consequências disso, insanidade circunstancial. Uma crise que se irá manter por largos anos ainda, rompendo as ténues linhas da esperança para muitos de nós.

Intencional é a leveza com que assuntos outros ficam esquecidos, não falados. Com a devida dimensão com que deveriam ser abordados porque existem, e também a estes, se dedique a atenção e os cuidados para os resolver.

A propósito da conjuntura actual, do estado das coisas, e da arte do nada dizer ou fazer, que impacto é que o covid teve e continua a ter na vida de cada um de nós? Uma pergunta que se pode adaptar a qualquer outra temática (covid = política, saúde, economia, ambiente, responsabilidade social…)e certamente terá a mesma resposta. Em que moldes isso afectou a nossa sociedade, a responsabilidade, os comportamentos ou, a liberdade de cada cidadão?

“(…) o cansaço de viver, o desprezo pela época presente, a nostalgia de outro tempo (…), o gosto pelo paradoxo, a necessidade de se singularizar, (…), a sedução doentia do devaneio, a excitabilidade dos nervos, sobretudo o exasperado apelo da sensualidade.

René Doumic, 1896

Um sentimento generalizado, se não fosse pertencer a dois séculos atrás, num contexto social nada idêntico ao de hoje, e respeitante a algo em concreto também. Que se adequa e permanece vivo em pleno século XXI.

Existe um cansaço de viver. Porque agredidos na “liberdade”, privam-se-nos da dependência do capitalismo, do consumismo, do individualismo e atenta-se à integridade (de estar e não de Ser) de cada um, em obrigatoriedade para com a saúde pública.

Esquece-se de tudo o resto. E, vive-se ancorado a estas raízes podres que crescem como notícia e assiste-se, sem acção, ao colapso do mundo.

Quando olho para os jornais e vejo as notícias, noto que o nosso mundo está em colapso. O planeta, a democracia, as economias, as sociedades, as nossas vidas… ao vermos tanto colapso e ao termos de pensar no futuro, que tipo de ser humano temos de ser para o resto do século XXI?

De todos os parágrafos que aqui se registam, parece não existir qualquer réstia de esperança no futuro próximo ou vindouro. Parece que nada foi dito sobre o que se passa no país e no mundo. Nas sociedades e nos povos. Parece que não há resposta a esta questão. Parece que não existe nada a fazer para mudar as mentalidades que se perpetuam de geração em geração.

Curiosamente, se se pensar bem no tipo de ser humano que se aspira a Ser, já há quem o faça há muito tempo. E não é preciso ser criativo para lá chegar. Basta procurar. Estar atento a aceitar que não se vive isolado. Acreditar que se tem a capacidade de Ser diferente, Ser melhor, SER PESSOA!

Nada sou ou, sequer exemplo de pessoa a nutrir, para vos dizer como ser o melhor Ser Humano para o resto do século XXI. A mim resta-me estar atenta às minhas limitações, aceitá-las e fazer diferente para ser melhor…e, sim, o amor como base primeira para a tolerância e acção.

Necessitamos uma crítica dos valores morais, e antes de tudo deve discutir-se o valor desses valores, e por isso é de toda a necessidade conhecer as condições e os meios ambientes em que nasceram, em que se desenvolveram e deformaram…

Nietzsche, A Genealogia da Moral, pág. 13

A todos, resta-nos estar cada vez mais atentos, conscientes, reflexivos, responsáveis, participativos, observadores, …, filósofos, do que se passa ao redor. E, proactivos, não só da sua vida enquanto indivíduo mas, como indivíduo numa sociedade (pessoas, animais, natureza), a qual coabita.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

Carmen Ezequiel

Carmen de Jesus Martins Ezequiel nasce a 8 de Abril de 1975 em Queijas, freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras. É sonhadora, brincalhona, impulsiva, emotiva, com uma força interior capaz de mudar o mundo… pelo menos o seu. Em Vila Boim, bela terra do Alto Alentejo, cresce e nas suas planícies se norteia para fazer da poesia o seu modo de viver a vida. Trabalha numa área à qual nunca imaginou actuar e do contato com o sofrimento e angústias diárias, valoriza o ser acima do estatuto e escreve a sua história com palavras geradas das emoções. É feliz por saber que o que faz tem impacto nos outros. Em paralelo, expõe esses sentimentos e experiências vividas no papel e dá-os a conhecer aos outros participando activamente em colectâneas, antologias, jornadas, artigos de opinião, e outros de âmbito literário e cultural. A autora não utiliza o Novo Acordo Ortográfico.

3 Comentários

    1. Olá, Hugo!
      Agradeço o seu comentário, o qual me deixa feliz por chegar a si e, espero que a muitos outros.
      Acompanhe-me, aqui, no Repórter Sombra e faça uso da sua voz também.
      Saúde!

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