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Alguém falou em comida?

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São pessoas inspiradoras que adoram comida e tudo o que gravita à volta deste tema. Os blogs de culinária não são um passatempo fácil. Criar essas delícias informativas e visuais é uma arte e, como toda a arte séria, exige muito trabalho. Qualquer cozinheiro ou amante de cozinha que queira dar um toque especial às suas receitas e partilhá-las, precisa não só de conhecimentos culinários, mas também de talento para a fotografia.

Teresa Rebelo é um exemplo perfeito de dedicação. Está por detrás da marca “Lume Brando”, que surgiu há 15 anos como blog de culinária. A peculiaridade deste projeto está aos olhos de todos. Um hobby que foi ganhando contornos de profissão, ao mesmo tempo que crescia o seu interesse pela fotografia. Teresa é criadora de conteúdos nesta área, disponibiliza serviços de fotografia e food styling, desenvolvimento de receitas, copywriting, marketing de influência e cria/produz vídeos de culinária, em parcerias. Quando era pequena, gostava de fazer os seus próprios cadernos de receitas, inspirados nas receitas da mãe. Se tivesse de abdicar de uma das suas grandes paixões (cozinha, comunicação e fotografia), “a resposta é muito difícil, mas se tivesse mesmo de escolher, deixaria de cozinhar, mas continuaria a fotografar comida e a escrever sobre ela”, confessa, ao Repórter Sombra.

Teresa Rebelo

Para além da arte técnica e a imaginação que envolve todo o seu processo de criação de uma receita até chegar a nós, Teresa adiciona mais uma componente, igualmente importante. “ (…) A qualidade dos ingredientes. Eu não tenho formação técnica profissional. Fui fazendo alguns workshops de cozinha, ao longo do tempo, mas sempre dentro de uma perspetiva amadora. Acho que é importante ter algumas noções de como usar os ingredientes para não “estragá-los” – não cozer demasiado os legumes ou não passar demasiado a carne, por exemplo, ainda que isto dependa um pouco do gosto de cada pessoa. No meu caso, no processo de criação de receitas, a imaginação acaba por falar mais alto, assim como o meu paladar e a inspiração que vou buscar a livros, revistas e às redes sociais.”

Todos nós temos os nossos ingredientes favoritos e outros que não apreciamos tanto. No caso da Teresa, o limão é o indispensável. “Até no arroz seco uso. Adiciono umas gotas, antes de tapar e deixar cozer, para garantir que irá ficar soltinho. Também uso cenoura em quase tudo, desde sopa a salada e estufados.” Mas, se desse lado é amante de lampreia, então a blogger não tem nenhuma sugestão para si. “ (…) Talvez nunca entre na minha cozinha.”

No website “Lume Brando”, há receitas desde doces, salgados a pães. Quisemos saber as preferidas da Teresa. As que faz mais vezes lá por casa ou que aconselha aos seus seguidores. “Como “eu sou mais bolos”, tinha de sugerir duas receitas doces.”

Se também não resiste a uma sobremesa, então siga passo a passo as duas escolhas que se seguem.

A primeira aposta da Teresa é o Paris-Brest com recheio de Mascarpone e Castanha que faz saltar a vista a qualquer um. Este clássico da pastelaria francesa pretende lembrar a roda de uma bicicleta, daí a sua forma, tendo sido criada por um pasteleiro chamado Louis Durand, em 1910, a pedido do fundador e organizador de uma importante prova de ciclismo entre Paris e a cidade francesa de Brest.

A segunda escolha é um snack saudável. As Trufas de figo, amêndoa e chocolate é uma receita fácil de fazer e de adaptar aos ingredientes que cada um tem em casa. “Por exemplo, em vez de tâmaras podemos usar alperces secos ou até uvas-passas, e em vez de amêndoa podemos usar cajus.”

Para já, Teresa Rebelo não tem nenhum espaço físico nem olha para isso como um objetivo futuro. “Muitas vezes me perguntam isso, mas não, não faz parte dos meus planos, até porque já existe um restaurante chamado Lume Brando! (risos) Gerir um restaurante é algo muito trabalhoso, é uma prisão, se quisermos levar o negócio a sério. Houve uma altura, há muitos anos, em que eu fazia comida para fora, nomeadamente bolos e sobremesas, e isso deixava-me muito ansiosa, com receio de que as pessoas não fossem gostar. Se eu tivesse um restaurante seria ainda pior, por isso, decididamente, não parte dos meus planos!”

E porque os “Ouvidos Também Comem”, Teresa apostou num podcast semanal para food bloggers e todos os que gostam de comida e boas conversas. Na lista dos seus projetos realizados até hoje, inclui-se ainda o livro “Estava tudo ótimo!” da editora Matéria Prima, que alia mais de 70 receitas a 11 ocasiões para receber e conviver.

Cozinhar possibilita fazermos escolhas alimentares mais conscientes, já que há liberdade em escolher os ingredientes e as combinações. A tomada de consciência e o cuidado com aquilo que escolhemos comer permite a construção de uma relação positiva com a comida e transforma todo o processo de cozinhar num ato prazeroso e divertido.

O blog “Santa Melancia” é um sucesso e tal êxito tem um nome: Lillian Barros. A nutricionista começa por explicar ao Repórter Sombra a razão do nome escolhido para o projeto, que teve início em 2016. “Na altura estava a trabalhar para uma série de animação, os Nutri Ventures. Era responsável pela validação técnica dos guiões e das conotações alimentares dos episódios. Nessa série havia um personagem muito dada a trocadilhos alimentares e que fazia interjeições muito engraçadas e como passava grande parte do meu tempo a ver desenhos animados e a ler guiões e falas dos vários personagens, acabei por ser fui influenciada. Estava na dúvida entre “Minha nossa cenoura” ou “Santa Melancia”. “Santa Melancia” ganhou nas votações e ficou!

É um nome criativo e divertido que faz jus a uma abordagem descomplicada que aplica diariamente sobre o mundo da alimentação. “ (…) Afinal comer é muito mais do que contar calorias, é social, familiar, prazer… Enfim, é tanto mais do que macros.”

O “Santa Melancia” serviu para juntar duas grandes paixões: cozinha e nutrição. Compilar receitas, opiniões e pareceres nutricionais, onde os seus pacientes pudessem procurar inspiração entre consultas, parecia um desafio na altura. “Não havia Instagram, nem as redes sociais faziam parte do nosso dia-a-dia, da mesma forma como agora vivemos o virtual. Era um projeto digital completamente amador, mas acima de tudo, era uma ferramenta de trabalho para uma nutricionista clínica que tentava acompanhar os pacientes fora do consultório. Cresceu de forma verdadeiramente surpreendente e pelos vistos inspirou muito para além das minhas expectativas.”

Lillian Barros nasceu no Canadá e residiu lá até aos três anos de idade. Posteriormente, rumou ao Algarve com a sua família por isso o seu padrão alimentar sempre foi português “(…) mas houve uns quantos produtos que sempre fizeram parte da minha vida e que na minha infância não era tão habituais por cá, como a manteiga de amendoim ou o maple syrup (Xarope de ácer ou xarope de bordo)”. Atualmente, vive em Lisboa e continua a trabalhar no Algarve através da plataforma online, Nutricionistas Online , que desenvolveu em conjunto com uma amiga e colega de trabalho. Todos os dias, ajuda pessoas a sentirem-se mais saudáveis através das suas receitas, derrubando, muitas vezes, aquela ideia de que o que é saudável não é saboroso. A profissão que escolheu dá-lhe liberdade, flexibilidade e capacidade de ajudar os outros. “ (…) Quando no final dos anos 90 escolhi o curso que iria seguir e mudar a minha vida, mal imaginava o dia-a-dia desta profissão e muito menos o número de vidas que iria ter a possibilidade de ajudar a mudar. Sempre vivi tudo com muita paixão, desde os primeiros passos do curso em Portugal, a temporada em que estive a estudar fora e todos os desafios que me tiravam constantemente da minha zona de conforto, mas que fui aceitando e que me fizeram crescer tanto em termos pessoais, mas também me foram abrindo portas para muitas oportunidades de trabalho.”

Lilian Barros

Lillian Barros

A abordagem aos seus pacientes é muito própria. “Gosto do facto se conseguir chegar aos meus pacientes de forma individualizada. Mas, acima de tudo, são as partilhas e resultados dos que acompanho que fazem verdadeiramente os meus dias. Hoje, ao fim de quase duas décadas, continuo a ter a mesma paixão pela nutrição, o que me faz ir trabalhar com todo o entusiasmo e a imaginar novas formas de viver a profissão e falar em alimentação saudável para descomplicar vidas e dar cor às dietas.”

“Por vezes temos de deixar de lado o perfeccionismo, a tentativa de seguir um plano extremista, sem exceções. Em vez disso devemos encarar a vida e a dieta de forma real para conseguirmos adotar melhorias de comportamento alimentar que fiquem para sempre.”

A inspiração para criar receitas originais, saudáveis e ricas em variedade de alimentos surge de variadas maneiras mas o conceito chave é o de “pensar fora da caixa. Muito inspirada na minha história, na minha infância, nas viagens que fiz, nas receitas tradicionais sempre, mas com twist saudável. Adoro olhar para receitas e imaginar trocas improváveis. juntar verduras nos sumos de fruta, ervas frescas, especiarias, ou frutas nas sopas de legumes. Combinar ingredientes como se de uma poção se tratasse. São experiências que acabam por surpreender amigos, familiares e pacientes.”

O blog tem receitas desde pequenos-almoços, a sobremesas até sumos e batidos. A nutricionista partilhou as suas favoritas.

“Adoro os meus “bolos” de legumes e frutas, os sumos funcionais verdes e a “minha” sopa de couve flor e canela. Ah e a sopa roxa que muda de cor quando lhe adicionamos limão. Chamo-lhe mágica e os miúdos deliram.” 

Mas haverá no quotidiano da nutricionista, um dia para fugir à regra? “(…) Existem alguns produtos, ingredientes, receitas ou pratos que pela sua composição nutricional não devem fazer parte do nosso quotidiano de forma regular. Incluem-se nesta categoria grande parte dos alimentos ultraprocessados, mas diria que adoro uma boa pizza, um prato de massa ou um hambúrguer no pão… Quem nunca, não é? Mas também não sinto culpa quando o faço, porque sei que todo o meu dia alimentar e rotina é adequada e nutritiva(…)”, explica.

Para além do seu website, é autora de três livros (“A comida que vai mudar a sua vida”; “Sopas, Saladas e Chás Detox”; Sumos e Águas Detox”), consultora especialista da cadeia de supermercados Intermarché e, em 2021, é a autora do podcast “Lógica da Batata”, em parceria com a marca Centrum. O objetivo é descomplicar, informar e ajudar à mudança de hábitos para que possamos viver com energia, vitalidade e saúde.

Para quem não resiste à doçaria, preparem-se para se deliciarem com as propostas da Rita Nascimento, autora do blog, “La Dolce Rita.”

Até agora, já publicou cinco livros ( “A Vida Secreta dos Gelados Caseiros”; “Sobremesas 555”; “Uma Pastelaria em Casa”; “Um Bolo por Semana” e “À Dentada”), dá workshops e cursos de culinária e tem uma rúbrica no Youtube. Aliás, foi aí que se deu a conhecer mais publicamente, em 2014. “A parte melhor de ter um canal de Youtube ou a presença em outras redes sociais como o Instagram é mesmo o contacto mais direto com as pessoas que seguem o meu trabalho. É bom receber fotos e curiosidades sobre as receitas que vão fazendo.” 

Perguntámos-lhe qual o doce típico português que mais aprecia e lá por fora.  “É muito dificil escolher porque eu adoro tudo o que leve doce de ovos e amêndoa e por cá temos vários doces com esses sabores, por isso tenho muitos preferidos! Adoro cheesecakes americanos, gelados italianos e tudo o que tenha speculoos que são típicos da Bélgica.”

Rita Nascimento

A Rita gosta de receitas descomplicadas, onde não podem mesmo faltar os ingredientes básicos de pastelaria: açúcar, ovos, farinha. Mas tem uma predileta. “A minha adorada manteiga.” Também há ingredientes que não aprecia muito e que nunca usa, como por exemplo, “alfarroba, melão ou kiwi.”

No processo de criação das suas receitas, a técnica e a imaginação estão lado a lado. “A técnica é fundamental para termos bons resultados, mas a imaginação permite-nos inovar e criar coisas ao nosso gosto. Para ser um processo satisfatório é interessante usarmos ambas, 50% de cada.”

É gulosa assumida e partilhou as suas duas receitas preferidas dos seus dois livros mais recentes:

Apesar de ser extremamente gulosa durante o seu dia-a-dia, Rita tenta ter uma alimentação equilibrada. “Claro que há sempre alguma receita para testar e isso faz com que tenha de ir provando doces com frequência, faz parte do meu trabalho, mas nesse caso tenho atenção às porções.”

“Os doces devem ser sempre algo para se comer como exceção e nunca como regra.

Depois destas propostas para todas as ocasiões, e que tal começar a incluir o ato de cozinhar mais frequente no dia-a-dia de casa?

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Cátia Marques
Sou a Cátia. Licenciada em Ciências da Comunicação - variante Jornalismo, mas rapariga de poucas palavras. Prefiro a observação. E a escrita. Sempre detestei números. Amo as letras. E aprender novas línguas. Encontro na música o meu sítio preferido. O meu Guilty Pleasure? Taylor Swift.

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