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Abortar? Lá se vão os extras.

O SNS está no seu melhor. As preciosidades que nos chegam são de ficar vesgos.

Já todos percebemos (só quem anda distraído não percebe) que na maioria das unidades de saúde portuguesas, os médicos de família são pagos por incentivos. Modernices — contenção de custos, resultando numa redução de exames complementares de diagnóstico e um extra no ordenado ao final do mês. O Estado não gasta com os pacientes, mas paga aos médicos para reduzirem nas prescrições.

Esta realidade pode ter duas perspectivas: reduzir o «turismo» às USFs — ir quando é necessário —, ou dar (algum) descanso aos médicos, e desculpem-me os mais sensíveis, alguns (muitos) deles passam o tempo a pavonear-se pelos corredores das USFs em vez de consultarem os utentes atempadamente.

Agora, para lhes dar algum trabalho pensam penalizar os que tenham nas suas listas pacientes que abortaram ou com doenças sexualmente transmissíveis (DST).

De repente fez-se luz (ou curto-circuito) e lembraram-se que existem consultas de planeamento familiar. Já existiam, mas se funcionam ou não é outra questão.

Olhemos para o ano de 2021, em que cerca de 600 mulheres portuguesas decidiram abortar em Espanha.

Ficam as dúvidas: porquê tanta interrupção voluntária da gravidez (IVG) e a escolha de Espanha para o fazer?

Começo pela segunda: Espanha oferece outras opções: a IVG pode ser feita até às 16 semanas, não lhes é dado um tempo de reflexão tão curto (em Portugal são três dias) e a via cirúrgica é opção (em Portugal apenas por fármacos).

Quanto à primeira questão: fico na dúvida se a mensagem no planeamento familiar passa ou se isto será resultado da facilidade com que se descartam destes «atropelos».

Com tanta informação disponível era expectável um número menor de IVG, embora nenhum método seja totalmente seguro. É um facto. Será demasiada segurança no que se sabe ou apenas desleixo?

Opinião à parte, se é legal seja feita a vontade de cada uma, embora se fale muito em como evitar uma gravidez e pouco nos riscos de um aborto.

A «prima afastada» da IVG, a pílula do dia seguinte, também é tomada como se fosse chocolate. E os riscos? Mais uma vez não se insiste tanto como deveria.

De quem é a falha? Dos médicos de família? Não são perfeitos (ninguém é), mas penalizarem-nos pelas irresponsabilidades alheias não concordo. Não podem atribuir-lhes uma responsabilidade que não lhes pertence. As pessoas sabem (ou pelo menos deviam saber) que uma gravidez não existe por obra e graça do Espírito Santo. Se assim fosse, teríamos imensas Estrelas Guia e os Reis Magos já não andavam de camelo.

Não coloquem os médicos de família num «policiamento» à vida sexual de cada um. Informar, óptimo. Penalizar, discordo.

Quanto ao controlo das DST ser apenas nas mulheres colocando de fora os homens é uma regressão numa igualdade que tanto se aclama. E mais uma vez, não faz sentido a sanção dos médicos de família.

Por muita consciencialização/informação que exista assim como a dispensa gratuita de métodos contraceptivos, as gravidezes indesejadas/não planeadas vão continuar a existir, não por culpa do médico assistente, mas, porque o método falhou ou outra causa totalmente independente do profissional de saúde.

Não creio que a ideia de penalização seja opção.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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