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A vida não é um mar de rosas!

A vida só ensina a voar quem não tem medo das quedas. Nem sempre aprendemos no primeiro voo, mas é preciso aprendermos a levantar-nos sem ter medo de voltar a cair.

Foram esses deslizes pelos céus da vida que mostraram a Constança que viver e a não ter medo de arriscar. Cada tempestade vencida era uma batalha conquistada que a fazia ser cada vez mais atrevida. Não ficava colada ao chão com medo do vento maroto que a empurrava. Era essa adrenalina de sonhar com o que todos diziam ser impossível que a fazia criar asas para poder continuar a voar, cada vez mais alto.

Não se rendia perante um obstáculo e sabia sempre como os contornar. Sabia que no caminho da vida são os espinhos que nos oferecem as mais belas rosas. Era nas linhas vazias que Constança escrevia a sua história sem que tivesse medo das curvas que a vida ia desenhando.

Ela tinha horizontes largos e não desanimava quando algo corria menos bem. Não queria que as rectas acabassem no limite das folhas, sem que ela tivesse escrito tudo o que lhe ia na alma. Não escolhia por quem se apaixonava e esquecer, quando era preciso seguir em frente, era uma determinação que todos lhe invejavam. Se havia coisa que a vida lhe tinha ensinado era que os amores não escolhem dia para chegar e partem quando lhes apetece. Por isso quando alguém lhe dizia adeus ela arrumava a história no sótão da memória e continuava a sorrir para a plateia que vivia de olhos postos nela.

A vida que lhe dava amores era a mesma que lhe apagava as dores. Não tinha tempo para sofrer, não se podia cansar com as artimanhas do sofrimento que queria amarra-la ao passado. Para ela, a vida era sempre presente e decorada com sorrisos que chamavam pelo futuro. Nada do que lhe diziam faria sentido se as palavras não saíssem do coração. Nenhum grito a abraçaria se os braços não tivessem o cheiro do amor que existe dentro de quem a queria abraçar.

As palavras não se colhem num jardim onde alguém rouba uma rosa para impressionar quem quer conquistar. Tudo se diz com um olhar que será conferido pelo coração. É ele que faz a tradução do sentir de quem nos olha e quer falar com a nossa alma. É com os olhos que quem nos quer conquistar escrever tentações no corpo que desperta depois desse olhar o ter despido.

Talvez António não soubesse mas o amor é tão simples que não precisa da grandeza das palavras que alguns tentam inventar para se mostrarem mais do que são. Cada discurso dele era um desfolhar de livros que não leu e de onde roubava palavras que não conhecia para ir ao encontro do coração de Constança.

Ele tinha sede de paixão, mas ainda não tinha aprendido a beber o néctar do amor para alimentar o seu coração. Saciava-se no desejo e provocava a tentação prometendo-lhe um céu que ele não sabia para que lado ficava. Oferecia-lhe estrelas, dizendo que elas os iluminariam nos dias mais sombrios, por não saber que as estrelas nos fazem sorrir quando nos provocam arrepios nas noites em que o amor é rei.

António estava convencido de que com as suas palavras Constança se sentiria uma princesa. Um dia teve de acordar para a vida. Constança ensinou-lhe que só ama quem sente o grito do amor dentro de si e que no silêncio de um olhar se conquista quem nos sabe escutar sem nada dizer. É nesse magico silêncio que se percebe quem nos ama. António ficou a olhar para ela e não foi capaz de traduzir o sentimento daquela mulher que ele quis conquistar e a quem não soube amar.

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