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A velha história do encosto (quando dá jeito)

Está feito. Portugal e o seu Governo mostram ao Mundo que diplomacia à bruta é que está a dar. O simples – e nada discreto – facto de ser Donald Trump e o seu grupo de «cowboys» a liderar esta forma arrogante, belicista, colonialista e interesseira de estar relativamente ao crescente problema político da Venezuela é, tão-somente, um pequeníssimo “pormenor” que não interessa para absolutamente nada. Assim também não interessa absolutamente nada o facto de nesta problemática a União Europeia ter demonstrado – outra vez! – que, em termos de diplomacia internacional, esta não passa de um gigante de cartão que, ao mais pequeno respingo de água, desaparece.

Há um ponto que deve ser colocado em cima da mesa. A Venezuela tem, neste momento, vários problemas. Tem um tremendo problema democrático, dado que um grupo de personagens se apossou de uma ideologia para se eternizar no Poder. Tem um tremendo problema económico-financeiro, porque, quando esta mesma Venezuela começou a ser um incómodo para os “patrões” do óleo negro, estes reagiram da pior forma possível, aumentado em massa a quantidade de crude produzido para, desta forma, arrasarem com a crescente concorrência deste país sul-americana. A Venezuela tem um tremendo problema social, porque os contantes bloqueios económicos que os países do Ocidente (os tais defensores da diplomacia à bruta) lhe impuseram impedem, a todo o custo, que matérias-primas e outros bens de primeira necessidade entrem no país.

A verdade é que, no actual estado de coisas, a Venezuela é um problema. Um problema que caminha, quer se goste ou não, a passos largos para uma solução violenta. São cada vez mais e constantes as notícias que nos chegam que dão conta do extremar de posições… E com toda a certeza que não faltará quem venha a lucrar com tal ou não fosse a indústria do armamento algo de muito lucrativo.

Tudo isto para aqui criticar a posição portuguesa em torno deste perigoso problema. A política do “encosto” no grande líder americano, quando tal dá aquele jeito não é solução para ninguém. Especialmente, quando quem, como Portugal, no passado não ligou patavina a regimes ou a líderes tresloucados na hora de fazer o tal «negócio patriótico». Acredito que isto esteja relacionado com o facto de muitos dos países europeus ficaram de fora da tão propalada e recentemente extinta posição conjunta dos estados-membros da União Europeia relativamente à questão venezuelana.

A Venezuela necessita, urgentemente, de ajuda internacional para que a transição democrática seja uma realidade. Não é com esta “política do encosto, quando este dá “jeito”, que lá vamos. Tal serve, essencialmente, para quem como Nicolás Maduro faça de tudo para continuar no Poder, mesmo que tal implique envolver o seu país num tremendo banho de sangue.

Como português gostaria de não ter nas minhas mãos sangue dos civis da Venezuela. Contudo, ao que parece o actual Governo e Presidente da República dos “afectos” não estão assim tão incomodados com tal. E tudo isto porque dá jeito “encostar-se” ao «big boss».

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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