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A teia das mil dicas

A sabedoria é passada de geração em geração, com os hábitos, em modas e pelas culturas, de ouvido a ouvido. Da técnica à perfeição. Hoje em dia, todo o tipo de informação é destilada por diferentes fontes. As que normalmente escolhemos, hoje em dia, são de origem digital. Nesta era milenar, dos botões ao vidro/acrílico, a tendência das pesquisas deixou de ser, preferencialmente, com profissionais, mas pelo meio das palavras refletidas em luz. Isto acontece porque trata-se de um meio muito apetecível, de fácil acesso e que parece ter sempre a resposta na ponta do ecrã. 

No meio digital, os conselhos são mais que muitos. Visuais e de estética, de estilo ou aparência, de vida ou relacionamento, são diversas as opiniões e as visões que percorrem toda a internet. E quão gratificante é, podermos dar as nossas opiniões, ser livres de as expressar e de sermos nós próprios e, posteriormente, escolher uma solução ou entendimento para algo que precisamos. A parte negativa desta situação, são as pessoas que vão para este mundo na busca de soluções e respostas para uma gratificação maior. Ou seja, no mundo onde respostas são disparadas de todos os cantos, dadas por garantidas e oferecidas por “encantamentos”, é preciso filtrar a informação e direcioná-la para a realidade de cada um. 

A maior dificuldade está instalada na incapacidade de não prestar atenção a todas as frases e palavras que são sublinhadas a amarelo fluorescente, a todas as fotografias e imagens super tentadoras que nos levam ao click. O sentimento de pertença à sociedade também condiciona a escolha das mil dicas que nos colocam à frente e, seguindo um padrão conhecido, escolhemos aquelas que todos escolhem, que todos mais falam, que todos enveredam. Mesmo não sendo a mais indicada ou a mais apropriada para nós. São casos muito comuns estes, e sinto que este tipo de acontecimentos é, não só, uma das definições de se ser um ser humano. A procura pelo melhor, pelo caminho de eleição, pelo sucesso e, por vezes, pela fama por todo o mundo. A adoração e o sentimento de pertença ou validação social é das características mais comuns que desenvolvemos, acontece com qualquer um de nós, quando nos sentimos mais vazios ou mais sós. É comportamento atual humano! 

No cuidado sobre este assunto, é importante dar a atenção certa àqueles que se sentem desamparados, mais vulneráveis ou sensíveis a este bombardeamento digital do qual todos nós sofremos. É preciso apoiar e categorizar as prioridades das dicas e soluções que realmente precisamos, ver se nos encaixamos, se nos faz sentido, se a cor do azulejo é a que realmente queremos, se o creme que a blogger usa é adaptável à minha pele, se fico bem de boina, se me sinto ou não bem com o meu físico, se gosto ou não de determinados alimentos, se há estilos de vida apropriados ao meu, se a resposta à minha pergunta está inserida na mesma dinâmica… se as escolhas do outro podem ou necessitam realmente de ser as minhas.  

Fazer ou escolher porque me faz sentido, e não fazê-lo porque o mundo o faz! 

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

João Miguel Carrasqueira

Opiniões, visões e modéstia sabedoria, de um sonhador que se apaixonou pelas palavras e em como elas dançam. A paixão e dedicação levou-me a onde me sento agora. Sinto-me em casa.

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