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À noite logo se vê

Não conhecia nada de Mário Zambujal. Conhecia o nome, de entrevistas que tinha visto e ouvido, e conhecia a influência que vários escritores e jornalistas mencionavam. Na Feira do Livro, a curiosidade foi mais forte e decidi passar a conhecê-lo através do livro À noite logo se vê.

ANoiteLogoSeVe_1Comecei na dúvida. É um livro cómico (sobre um mistério sobrenatural) e eu geralmente desconfio dos livros cómicos – é difícil fazer rir sem cair em clichés ou ridículo e é muito mais complicado do que fazer chorar. Contudo, como era também sobre um mistério, chamou-me a atenção. Por isso, ao princípio, custou-me a entrar na escrita, no estado de ânimo e no próprio humor do autor. No entanto, rapidamente reparei no domínio da língua de Mário Zambujal e na “portugalidade” do livro. As palavras que usa – tantas para a mesma coisa, é incrível a versatilidade e a quantidade de vocábulos que nos esquecemos que existem –, os nomes dos personagens – tão portugueses e estranhos que não passam despercebidos –, e principalmente um humor simples, mas irónico nas histórias que conta.

Gostei muito! Não tanto pela história principal, confesso, que embora engraçada e até surpreendente, acaba por ser uma pequena parte do livro. Preferi as pequenas histórias que o personagem principal ia contando. Imprevistas, irónicas, engraçadas. Os diálogos também eram cómicos e, embora estereotipados por vezes, não deixam de soar totalmente reais – porque às vezes as pessoas são mesmo estereótipos, não há nada a fazer.

E o fim! Sem dúvida que o fim foi excelente e imprevisto.

Muito bom livro, lê-se muito bem e fica-se com uma disposição diferente. Não há uma agonia por querer desvendar um mistério, conhecer uma história, ou corrigir o mundo (que eu adoro, já todos sabem!). É um livro bem-disposto que nos faz ir, apreciando cada pequena história e lembrança calmamente, com humor. Para mim foi até uma espécie de catarse, também, que me permitiu entrar nesse humor e sentir a literatura de uma outra forma.

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Rosa Machado

Curiosa e fascinada pelo que não compreende, bicho dos livros e criadora compulsiva de hipóteses mirabolantes. O tempo não existe quando há conversas filosóficas sobre nada, gargalhadas dos amigos, abraços a animais, viagens pelo mundo e todo o tipo de arte.

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