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A Lua De Joana

Acho que só pelo título do artigo já se sabe qual a review que trago hoje.

A Lua de Joana foi escrito pela autora Maria Teresa Maia Gonzales. A primeira edição foi lançada em outubro de 1994.

Li este livro quando tinha a idade da Joana, 14 anos. O impacto não foi grande, mas já na altura me identifiquei em algumas partes com ela.

Aviso já que *PODE CONTER MUITOS SPOILERS*

Temos um livro que é uma compilação de cartas que a Joana escreve à sua melhor amiga, que faleceu no dia 28 de julho de 1992, com uma overdose.

Ao contrário de Os Filhos da Droga, de Christiane F. que é um abre olhos para crianças e adolescentes, na minha opinião, A Lua de Joana é um abre olhos para os pais. As cartas que Joana escreve à amiga que faleceu e que nunca as vai ler, é um pedido de socorro, que nem a Joana se apercebe que está a pedir.

Como já referi, em alturas da minha adolescência e já em adulta, muitas vezes me sinto a Joana.

Nestas cartas, podemos saber que Joana é uma miúda saudável, sociável, tem amigos, tem boas notas, é empenhada nas atividades escolares, joga basquete, tem talento para a pintura e tem um baloiço em forma de lua (quarto crescente ou quarto minguante, depende do seu humor) pendurado no teto do quarto.

Tem uma família que tem posses financeiras, com eles vive a avó Ju e tem um irmão mais velho, que ela adora tratar de homem das cavernas, homem do Cro-Magnon, entre outros nomes.

Até aqui tudo bem e normal. O pior é o que a Joana nos vai revelando ao longo das cartas que escreve durante o curto tempo de 1 ano e 11 meses.

As cartas parecem apenas ciúmes de irmã mais nova e de uma miúda que sente a falta da sua melhor amiga, a quem conta o seu dia a dia.

Mas é muito mais que isso.

A mãe de Joana, enfermeira que não exerce a função, resolveu abrir uma loja de grife, onde passa a maioria do tempo e o pai é médico e só vai a casa dormir. A única pessoa que vai dando atenção para ela é a avó Ju.

Ao longo das cartas ela conta-nos que o irmão está em crise psicológica e a atenção é toda virada para ele.

Tudo piora quando a avó Ju morre. Aí Joana perde o seu porto de abrigo.

Das poucas palavras que o pai lhe dirige, algumas são para perguntar qual o presente, de Natal ou de aniversário que quer, como cada vez que o pai lhe dá um presente é sempre um relógio, Joana já diz sarcasticamente que quer um relógio. Mas a atenção dele é tão pouca que acaba sempre por lhe oferecer mais um.

A certo ponto desse ano e onze meses a Joana tatua um relógio no pulso e tem vontade de dizer ao pai

Agora sei sempre a que horas vais chegar, pai! Este relógio é o único que tem as tuas horas! Estás contente?!

Mas até lá temos as poucas conversas, desilusões, beijos e algo mais com Diogo, o irmão de Marta. Que durante algum tempo odeia a irmã por falecer e chega a ir para a droga (o que matou a irmã), mas ao ir para um centro de reabilitação cura-se.

Joana, ao ver o vizinho a andar nesse meio, num ato de, nem sei se diga que foi de coragem ou estupidez, diz que quer experimentar.

E é aí que há uma reviravolta na história.

Até ao dia em que o pai de Joana encontra as cartas que ela escrevia para a amiga falecida e umas notas de quais os cuidados a ter com o cão.

Desapertou a correia do relógio e pousou-a devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. Para quê?

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

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