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2 x 6=18

Nas sociedades contemporâneas, caracterizadas pelas constantes metamorfoses, o acesso à educação é  cada mais importante para que possamos dotar os cidadãos dos conhecimentos necessários à sua participação e integração social.

Todavia, Portugal ainda se depara com uma das mais elevadas taxas de insucesso e de abandono escolar da União Europeia.

E a situação não é mais dramática por força dos jogos de magia dos sucessivos governos que, de há uns anos a esta parte, implementaram projectos que permitiram, inclusivamente, iludir os cidadãos e a União Europeia com o recurso a estatísticas no que concerne à real formação escolar da população.

De braço dado com o insucesso escolar, ouvimos, reiteradamente, nos meios de comunicação social, notícias alusivas ao insucesso dos alunos portugueses no que concerne à disciplina de Matemática, o que não deixa de ser um paradoxo num país onde políticos e cidadãos são mestres em engenharia financeira, falseando, números, contas e orçamentos, batendo no peito com regozijo por conseguirem enganar, por exemplo, a tão rígida e inteligente máquina fiscal.

Embora os estudos internacionais demonstrem que nos deparamos com um enorme problema no que respeita ao ensino e à aprendizagem da matemática, o certo é que existe, na sociedade portuguesa, uma aceitação generalizada em relação ao enorme insucesso dos nossos alunos, nomeadamente, por ser visto como desculpável e natural, já que a disciplina é, per si, difícil e a assimilação dos seus conteúdos é vista como sendo apenas acessível aos alunos cuja inteligência se encontra acima da média dos demais.

Hodiernamente, para que os cidadãos se possam integrar nas sociedades modernas, cada vez mais complexas e exigentes, é necessário que o ensino da matemática seja alvo de uma reestruturação profunda.

É importante que não nos esqueçamos, inclusivamente, que o mundo é hoje mais matematizado e o recurso às ciências matemáticas é cada vez mais utilizado em áreas como a engenharia, a medicina, a arte, a economia, a política, as ciências sociais, entre outras.

No entanto, a Matemática acaba por ser, não raras vezes, a responsável pelo percurso escolar dos nossos alunos.
Note-se que, em grande medida, o percurso escolar futuro, é escolhido não pelas saídas profissionais que pode garantir, mas sim tendo em conta a possibilidade de fugir à disciplina maldita.

Urge, então, compreender o porquê desta fuga e, consequentemente, deste insucesso.

Os docentes defendem, por seu lado, ainda que de forma empírica, que os alunos estão pouco motivados para a aprendizagem desta disciplina, que revelam pouco empenho, graves lacunas na formação base da disciplina e que não têm enraizados hábitos de estudo nem métodos de trabalho.

Já os alunos revelam que a disciplina é demasiadamente exigente, a linguagem utilizada pelos docentes apresenta-se complexa, as aulas são pouco dinâmicas e motivadoras e que os conteúdos leccionados têm pouca aplicabilidade prática.

Face ao exposto, é necessário que quer o Ministério da Educação, quer os professores, façam uma reflexão profunda e constante sobre como combater todas as causas apresentadas.

Embora os alunos não tenham esta percepção, o certo é que a Matemática tem um papel preponderante na nossa formação, está presente em quase tudo o que nos rodeia e é determinante na forma como pensamos, na forma como resolvemos problemas do dia-a-dia e na compreensão de determinados conceitos, sejam eles elementares ou complexos.

Não menos importante é que todos os intervenientes, políticos, professores, alunos e pais, percebam que, numa sociedade em que o futuro passará pelo desenvolvimento científico e tecnológico, quem não estiver dotado dos conhecimentos necessários, perderá o comboio. Isto é transversal e não atingirá apenas os cidadãos, mas também as nações.

Que se ouçam, então, os alunos. Só desta forma podemos abandonar o ensino clássico e repetitivo da disciplina.
É necessário que exista coragem, inovação e uma mente aberta, para que o ensino da matemática possa adaptar-se ao presente.

É impensável que queiramos ensinar a Matemática da forma como a aprendemos.

O mundo mudou, as pessoas mudaram. É, por isso, forçoso que o ensino mude e se modernize também.

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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