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Wilder Mind – Nada mais do que uma boa tentativa

Nunca achei que a magia melódica e rítmica dos Mumford & Sons se devia exclusivamente ao uso de banjos. Nunca achei, sequer, que essa fosse a característica mais valiosa da sua música. Era distintiva, claro, e significativa, também… Mas que tipo de banda pode singrar “à custa” da singularidade de um só instrumento? Nenhuma que se preze.

Os Mumford & Sons são uma banda que se deve prezar, donos de uma sonoridade original e contagiante que os catapultou para o sucesso em 2009, com o álbum de estreia Sigh No More. Depois do segundo álbum – Babel -, também ele um sucesso, a banda decidiu entrar em hiato. Foi a seguir a essa breve pausa que criaram Wilder Mind, o álbum que nos chegou no mês passado e que não deixa nenhum/a fã indiferente. Por um lado, congratula-se a primeira investida da banda num registo mais rock, com recurso a guitarras eléctricas e a efeitos de distorção aqui e ali. Por outro, critica-se a ausência dos banjos e das melodias folk, que eram a sua assinatura mais original.

Efectivamente, Wilder Mind peca pela falta de originalidade: nada se descobre neste álbum, além de que os Mumford & Sons vestem melhor a pele de banda folk rock, abraçada nos dois primeiros discos. Por mais esforços que façamos, é impossível não tentar transformar as 12 faixas de Wilder Mind em músicas cujo padrão rítmico e melódico se assemelhe às faixas de Sigh No More e Babel.

Em “Just Smoke”, a quinta música disponível no disco, quase que adivinhamos que teria havido um aproveitamento melhor da faixa se o registo fosse o anterior. O mesmo acontece com “Tompkins Square Park”, “Wilder Mind,” “Monster” e “Broad-Shouldered Beasts”. No caso de “Believe”, enfim, ainda que se possa gostar, soa-nos a Coldplay do início ao fim.

Sumariamente, sem os dois álbuns anteriores, os Mumford & Sons seriam mais uma banda, com qualidade lírica e melódica, de facto, mas sem nada que os distinguisse. Seriam comparados aos Coldplay – como têm sido, com este álbum -, mas teriam um repertório bem mais limitado e sem tantos anos de estrada. Não seriam um sucesso, porque não trariam nada de novo.

Felizmente, os britânicos não começaram agora e sabemos bem o que lhes fica bem. Se estavam a tentar provar que conseguem fazer algo diferente daquilo a que nos acostumaram, conseguiram. Se estavam a tentar provar que o conseguem fazer com qualidade, também conseguiram. Contudo, se nos estavam a tentar mostrar que funcionam melhor assim, falharam redondamente. Os Mumford & Sons são do folk rock, dos banjos, do acústico, dos coros multiplicados entre os membros da banda, tanto em tons como em vozes, e que depois se transformam em milhares de ecos no público. São a voz rasgada, feroz e rústica de Marcus Mumford.

Foi uma boa tentativa e o esforço deve ser reconhecido. A banda é composta por tipos talentosos e, afinal, a inovação deve ser sempre uma palavra de ordem na criação de um disco. Porém, agora que já se viu que a mudança foi para pior, podem, antes, tentar inovar dentro daquilo que fazem de melhor. Afinal de contas, não vale a pena perder tempo com uma “mente mais selvagem” quando já se é um “Little Lion Man” a viver na floresta.

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Liana Rego

Licenciada em Jornalismo. Estudante de Mestrado na Universidade do Porto. Feminista convicta. Vegana. Apaixonada: por música, por cinema, pela Arte de revolucionar.

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