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‘Vulnicura’: uma abordagem

Com nove álbuns de estúdio, entre outras produções musicais e prémios à mistura, Björk lançou ‘Vulnicura’, em Janeiro deste ano, após a colocação das músicas deste álbum na Internet, de forma ilegal. Legalmente colocadas no dia a seguir, as vendas lideraram tabelas em 36 países. Conhecida pelo seu traço experimental na música, a arte desta artista será exposta aqui, em jeito de análise.

Primeiramente olhar para a combinação de sons. Há quem fale rock, jazz, blues, ópera, canto lírico, ao falar de Björk. Neste álbum em concreto, creio tratar-se mais de ópera com canto lírico e downtempo (algo parecido com Moby). Estes estilos conferem a este conjunto de músicas uma sonoridade calma, mas, ao mesmo tempo, perturbadora dos sentidos, na medida em que parece entranhar-se nos ouvintes.

De seguida, perceber a expressão humana que daí provém. Numa abordagem íntima, ‘History of Touches’, por exemplo, mostra a densidade interior desenvolvida numa intimidade expressa de forma profunda e meticulante. ‘Family’ aborda os sentimentos envoltos nos valores de uma família de um pai, de uma mãe e uma criança. Em ‘Atom Dance’, propõe-se uma dança (dos átomos) que permita combater os momentos de solidão. Na verdade, trata-se de uma auto-exploração, mas, simultaneamente, de uma chamada de atenção aos dias que correm, de fazer acordar o mundo e denotar na sua “complexidade”, para usar o termo do tema ‘Lionsong’.

Por fim, verificar a potencialização de imagens que consegue criar. Conjugando a sonoridade com a expressão que incute, as músicas bjorkianas permitem a criação de representações pictóricas consistentes, incitando a uma reflexão mais aprofundada sobre nós mesmo. Retomando a faixa ‘Family’, exemplificando, consegue ser gerada uma ideia de uma família; no caso da ‘History of Touches’, consegue ser gerada uma ideia mais abstracta da intimidade. Deve ainda ser apontado que, essencialmente, graças à morosidade rítmica, este fenómeno é possível.

Retomando a ideia anterior, aborde-se a demora no avanço do ritmo de cada música. Em geral, as faixas musicais deste álbum revelam-se algo longas e exaustivamente examinada, o que, em última análise, pode constituir um obstáculo a uma audição. Num outro ângulo de análise, a meu ver, contribui, em certa medida, para uma perda de harmonia e de musicalidade, pelo que acaba por se estabelecer um cenário musical disperso, onde as ideias, por sua vez, se perdem.

Para finalizar, será este álbum uma forma de mostrar uma inquietação interior? A verdade é que vários críticos afirmam esta produção musical como a mais pessoal de Björk. Talvez seja, talvez não. Provavelmente, só a cantora o poderá dizer.

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal ‘ComUM’, no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal ‘Académico’, juntamente com a sua participação semanal no ‘Repórter Sombra’, onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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