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Ciências e TecnologiaSaúde

Violência em contexto escolar

No passado dia 20 de Outubro, foi o Dia Mundial de Combate ao Bullying, mas, infelizmente, não foi tema nos meios de comunicação. Muito se tem escrito e noticiado sobre este tipo de violência, que ocorre nas nossas escolas, mas ainda continuam as mesmas questões: O que é o Bullying? Quem está implicado? Como podemos intervir?

O Bullying é um tipo de violência continuada, física, ou mental, praticada por um indivíduo, ou grupo, diretamente contra um outro indivíduo que não é capaz de se defender por si só, na situação actual. Os locais de actuação, ou seja, os espaços onde ocorre o Bullying, os recreios, apresentam-se como os locais de eleição para a ocorrência dos fenómenos de agressão/vitimização. O Bullying pode manifestar-se de três formas distintas: directa e física, directa e verbal e indirecta.

O tipo de Bullying directo e físico, caracteriza-se por condutas de agressão directa, ou manifesta, inclui comportamentos como bater, ou ameaçar fazê-lo, roubar objectos de determinados colegas, extorquir dinheiro, ou ameaçar fazê-lo, forçar comportamentos sexuais, ou ameaçar fazê-lo, obrigar, ou ameaçar os colegas a realizar tarefas servis contra a sua vontade.

O Bullying directo e verbal, também caraterizado por agressões ditas directas, ou manifestas, abrange os comentários do foro racista, discriminatório, alcunhas abusivas e insultos. Já o Bullying indirecto, caracterizado por condutas de agressão indirecta, ou relacional, é ilustrado em comportamentos como a exclusão social, a retaliação de uma suposta ofensa prévia e da manipulação da vida social de outrem.

O fenómeno do Bullying permite-nos identificar vários tipos de intervenientes no processo, vítimas, agressores, sujeitos que são simultaneamente vítimas e agressores e observadores, como afirmam Craig & Pepler, Making a Difference in Bullying.

Os agressores, também denominados de provocadores, são, em primeira instância, crianças e/ou jovens que tendem a possuir comportamentos de agressão para com os seus pares, sem que exista qualquer motivo aparente para o efeito. Segundo Paulo Nunes de Almeida, no seu livro Educação Lúdica: Técnicas e Jogos Pedagógicos, os agressores são indivíduos mais populares do que as vítimas, são frequentemente rejeitados, mas têm geralmente um grupo de dois, ou três colegas que os auxiliam nas práticas agressivas. Por isso, nunca chegam a ser crianças isoladas socialmente. Ao nível dos estilos educativos parentais, as crianças agressoras parecem usufruir de uma disciplina pouco consistente, de uma falta de monitorização por parte dos progenitores. As competências sociais imprescindíveis à resolução de conflitos parecem ser pobres e/ou agressivas, sendo que por vezes o estilo educativo é imposto mediante um certo autoritarismo e rigidez disciplinar. Neste sentido, os pais parecem privilegiar mais a hostilidade em detrimento do afecto, assistindo-se a uma dinâmica familiar caracterizada pelo domínio da permissividade.

As vítimas podem ser vistas entre vítimas provocativas (temperamentais, que criam tensões) e vítimas passivas (ansiosas, inseguras). As primeiras caracterizam-se por apresentarem em simultâneo padrões de vitimização e agressão. Neste sentido, primam por comportamentos agressivos e ansiosos, com o intuito de provocar os que a rodeiam e retaliam sempre, quando são atacadas. Este grupo de alunos é referido por vários autores como o que se encontra numa situação de maior risco psicossocial, uma vez que apresentam de forma acentuada características tanto de vítimas como de agressores.

No que se refere às vítimas passivas, estas tendem a ser submissas, ansiosas, inseguras, sensíveis e sossegadas.

O ser-se vítima pode ser resultante de um défice nas competências sociais, sendo que a criança tende a interpretar de modo incorrecto os sinais sociais, ou apresenta um repertório de respostas muito reduzido. Apresentam poucas competências sociais, são pouco assertivas e, por vezes, respondem de forma provocativa. Ansiosas, apresentam falta de confiança e são menos populares do que os agressores. As crianças e jovens vítimas indiciam usufruir de estilos educativos parentais demasiado restritivos e excessivamente protectores.

Outro dos tipos de envolvimento no Bullying relaciona-se com o papel dos observadores. Estes alunos podem assumir condutas diversificadas perante uma situação de Bullying, como ajuda à vítima, apoio aos agressores, indiferença e/ou ignorância relativamente à situação.

As consequências para o desenvolvimento da vítima, ou agressor são bastante complexas.

Para a vítima, resulta numa degradação progressiva do seu estado emocional. Vidas infelizes, pautadas por uma sensação constante de medo, uma auto-culpabilização, baixa auto-estima e auto-confiança, perda da confiança nos pares e nos adultos e uma incapacidade de concentração. Para o agressor, a consequência é o desenvolvimento de condutas delinquentes, desrespeito pela lei, dificuldade em manter relacionamentos afectivos estáveis, problemas de inserção e dificuldades de autocontrolo.

O psicólogo, quando pode ou é solicitado, intervém junto de vários elementos do sistema escola, professores e alunos (vitimas, agressores e observadores). O trabalho que é desenvolvido junto dos docentes passa pelo desenvolvimento de programas de gestão de crise, resolução e mediação de conflitos. Com os observadores, desenvolve-se programas de treino de competências de escuta, de resolução de problemas e de empatia face aos sentimentos dos colegas. Quanto à intervenção com os agressores, o trabalho centra-se no treino ao nível do controlo dos impulsos, a empatia, cognição, resolução de problemas e técnicas de negociação. Enquanto que com as vítimas, centra-se no treino da assertividade, nas competências comunicacionais, na promoção da auto-imagem e no sistema de suporte aos pares.

Considero ainda importante, para se prevenir este tipo de violência, uma cultura escolar de tolerância zero, para além de ser necessário reeducar os encarregados de educação, quanto aos seus estilos parentais. A prevenção começa em casa e alarga-se para o contexto escolar.

Cuide de Si, Cuide da Sua Saúde Mental

Tags: violência, bullying, vítima, agressor, escola, família, observador, recreio.

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Bruno Braz

Sou psicólogo, terapeuta familiar (crianças, adolescentes e suas famílias) e formador, com uma sede pelo saber. Procuro compreender sobre as relações humanas, sob um olhar sistémico. Entender os problemas da mente, sempre a partir de hipóteses e nunca de uma forma causal ou linear. Gosto de muitas coisas, mas as que gosto mais, são capoeira e kitesurf, que permitem desligar-me deste mundo em constante transformação e dos problemas dos meus clientes.

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