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CinemaCultura

Vingadores: A Guerra do Infinito

O início do fim de 10 anos de história

Cumprindo a promessa feita por Nick Fury há 10 anos e de uma forma que era inimaginável na altura, Vingadores: A Guerra do Infinito não se limita a reunir os heróis mais poderosos do planeta Terra, é um filme que junta num único sítio os Guardiões da Galáxia, o Doutor Estranho, o Homem-Aranha, o Pantera Negra… e o Thanos (que necessita urgentemente de ser adicionado à Lista dos Melhores Vilões do MCU, ao lado de Loki e Killmonger). O facto do filme conseguir fazer isto, enquanto é divertido, emocionante e emotivo é algo que aposto que nem o próprio Fury poderia ter antecipado.

Ao longo das suas quase 3 horas de duração, A Guerra do Infinito consegue cumprir com a promessa implícita que a Marvel fez aos seus fãs ainda antes de sabermos que viria a existir um A Guerra do Infinito. A essência de cada uma das personagens que temos seguido na última década estão perfeitamente desenhadas neste filme, desde Tony Stark a Steve Rogers, passando pelo Thor e companhia. As características que definem cada um dos heróis continuam bem desenvolvidas, mesmo quando estamos a ver um filme de proporções épicas, que se passa em vários planetas e com uma quantidade gigante de personagens, continua a ser o que nos conquista desde o primeiro momento do filme. Ninguém é relegado para segundo plano, independentemente da importância do seu papel. Sim, fãs de War Machine, até ele consegue ter um momento para brilhar.

A continuidade das histórias de cada personagem tem um papel central e de forma bastante eficiente. Thor é um dos melhores exemplos disso, cujo medo e o luto resultantes de Thor: Ragnarok são muito bem transmitidos (e logo ao Rocket!). Tony Stark (Robert Downey Jr.) continua a ter dificuldade em balançar uma vida normal ao lado de Pepper Potts com a sua vida de super-herói. E Steve Rogers (Chris Evans) já não é o Capitão América, mas continua a tentar fazer o que é mais correcto. É engraçado como estes dois conseguem ser tão parecidos e estar sempre às torras um com o outro.

Com isto dito, é refrescante ver que os pares mais tradicionais deste universo (pelo menos, para os fãs dos comics) não são vistos. Por cada eficaz cena Peter Parker/Tony Stark, exclamamos um: “estas personagens nunca se tinham conhecido até agora”. Apesar disso, os primeiros 5 minutos (com uma morte que ninguém irá esquecer) deixam bem claro que ninguém está a salvo neste filme.

Tal como prometido, Vingadores: A Guerra do Infinito é um filme sobre Thanos. O vilão púrpura (interpretado por Josh Brolin) é, possivelmente, quem tem o arco narrativo mais forte de todo o filme. Podemos não compreender as suas motivações para exterminar metade dos habitantes do universo – o maior perigo que os Vingadores alguma vez enfrentaram –, mas de certeza que conseguimos entender a sua perspectiva e sentimos a sua dor, quando ele tem de fazer sacrifícios genuínos para conseguir alcançar o seu grande objectivo.

Por outro lado, Gamora (Zoe Saldana) e Nebula (Karen Gillan) têm um papel mais relevante na história do que era de se esperar. Que a origem de Gamora (e de Thanos em certa medida) tenha tanta importância num filme chamado “Vingadores” é uma surpresa refrescante e podermos ver pelo que Gamora passou na sua infância é um momento digno de nota, porque permite-nos perceber o poder pérfido que Thanos, quando está no seu melhor. É uma história de abusos horríveis que surge à nossa frente.

São em momentos como estes que percebemos que A Guerra do Infinito é uma mistura entre o que nos foi prometido ao longo de 10 anos e o que pode fazer para nos surpreender. E sim, as nossas expectativas são cumpridas, mas ao mesmo tempo existem twists que nos deixam completamente no escuro sobre o caminho que iremos percorrer. Isto acaba por tornar o filme mais potente, já que está constantemente a subverter as expectativas que criou em nós.

Também é incrível ver como as várias peças do puzzle se encaixam com tanta facilidade. Quer sejam os Guardiões da Galáxia a conhecerem os Vingadores, o Homem de Ferro a discutir com o Doutor Estranho – uma verdadeira guerra de egos – ou Bruce Banner a tentar colocar-se em dia sobre tudo o que perdeu, enquanto esteve fora da Terra a ser um Gladiador. O espírito criativo que existe nos estúdios da Marvel sente-se perfeitamente nestas fusões de mundos.

Inevitavelmente, o filme sofre em determinados momentos com excesso de histórias a contar. Não é possível contornar a quantidade de personagens e de narrativas a alimentar a história central de Thanos. Por exemplo, Thor (Chris Hemsworth) passa demasiado tempo na sua busca com Rocket e Groot (agora um jovem irritante como qualquer bom adolescente), apesar de culminar numa explosão emocionalmente catártica, que é literalmente acompanhada por um trovão do Deus do Trovão. Com 2 horas e 40 minutos, este é um filme longo e o equilíbrio que os realizadores estão a tentar alcançar, por vezes, falha.

Guerra do Infinito junta bastantes personagens, mas também tem a audácia suficiente de nos apresentar novas caras, algo que acaba por provar ser um erro pela falta de tempo que existe para desenvolvê-las de forma minimamente interessante. As Crianças de Thanos – os seus quatro generais, também conhecidos nos comics como Black Order – são basicamente bichos-papão feitos em CGI que são muito eficazes para as cenas de luta, mas que acabam por ter muito pouca substância para serem grandes vilões. Peter Dinklage, de Game of Thrones, por outro lado, tem uma presença muito mais marcante e com mais substância no pouco tempo em que aparece.

Vingadores: A Guerra do Infinito é um filme em que muito acontece e é possível que muitos saiam do cinema frustrados com o cliffhanger final. Contudo, no que toca a este ponto, este filme está mais próximo de The Empire Strikes Back do que de Matrix Reloaded, com toda a acção a culminar de uma forma maravilhosamente brilhante, apesar de traumática. Os últimos 10 anos da MCU poderiam ter terminado aqui, com aquela cena final, que teria sido algo muito satisfatório, mesmo que não fosse forçosamente um final feliz.

Ao usar como força narrativa o seu poderoso e interessante vilão para elevar o nível de perigo como antes nunca havia sido feito neste universo, Vingadores: A Guerra do Infinito consegue juntar com sucesso os últimos 10 anos de filmes da Marvel para criar uma história cativante e eficaz sobre super-heróis. Pode terminar num cliffhanger, mas a verdade é que são exactamente esses momentos finais que elevam toda a série de filmes a um patamar mais poético e maravilhosamente horrível.

Pontuação Final

Representação - 85%
Argumento - 90%
Produção - 95%
Efeitos Especiais - 95%

91%

Um dos melhores da Marvel

Ao usar como força narrativa o seu poderoso e interessante vilão, Vingadores: A Guerra do Infinito consegue criar com sucesso uma história cativante e eficaz.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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