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Victoria’s Secret marca 2012

O desfile de moda mais esperado e colorido de sempre foi finalmente divulgado na passada terça-feira, dia 4 de Dezembro. Este ano a criatividade e a imaginação na edição dos conjuntos esteve, como sempre, ao rubro, durante a apresentação da nova linha de lingeries da Victoria’s Secret, na passerelle de Lexington Avenu Armory, em Nova Iorque. Uma passerelle encantada, onde desfilaram duendes, acrobatas, índias e palhaças ao som de três concertos impossíveis de esquecer, realizados por Rihanna, Justin Bieber e Bruno Mars. Às 27 modelos mais famosas do mundo juntaram-se seis estreantes, entre as quais a portuguesa e angolana Sharam Diniz.

Filha de um engenheiro civil e de uma assistente de bordo que outrora também participou em desfiles, Sharam Diniz estreou-se cosharam dinizmo modelo em Luanda e há um ano que constrói uma carreira na moda a nível internacional. Com 21 anos, a modelo mostrou-se radiante com sua a participação no desfile da Victoria’s Secret. “Sei que o show tem visibilidade no mundo inteiro e é muito exclusivo, por isso, participar nele é, mais do que um privilégio, uma bênção”, confessou Sharam Diniz à revista Caras (de Novembro de 2012). A modelo apresentava no desfile um conjunto de cowgirl, onde desfilava no âmbito da linha mais jovem da marca, denominada de Victoria’s Secret Pink!.

No entanto, este ano o evento chamou a atenção de uma plateia inesperada. Os indígenas americanos consideraram que um conjunto desfilado pela top model Karlie Kloss foi ofensivo. Karlie Kloss deslumbrava com um bikini creme, a fazer lembrar pele de leopardo, levava camadas de jóias de cor turquesa, umas plataformas cremes cobertas com franjas e umas plumas indígenas no cabelo que foram o principal motivo da polémica. As plumas em questão foram motivo de desagrado por parte dos povos ameríndios pois, tradicionalmente, deveriam ser utilizadas por um chefe de tribo e não por uma modelo de bikinis. Depois, se formos a associar a figura da mulher indígena à figura sensual de qualquer modelo da Victoria’s Secret, a comparação pode ser interpretada como regozijo.

A marca Victoria’s Secret já é especialista no que toca a gerar polémicas (não fosse, ainda este ano, o conjunto de geisha da Candice Swanepol considerado uma ofensa para a cultura japonesa segundo o site Racialicious). Concordassem os espectadores ou não, os responsáveis da Victoria’s Secret desculparam-se pelo mal entendido e decidiram tirar o conjunto do desfile. Por isso, não estranhe se não se lembrar de o ter visto no espectáculo.

“We are sorry that the Native American headdress replica used in our recent fashion show has upset individuals. We sincerely apologize as we absolutely had no intention to offend anyone. Out of respect, we will not be inc2012 Victoria's Secret Fashion Show - Runwayluding the outfit in any broadcast, marketing materials nor in any other way”, referiu uma representante da marca ao The Huffington Post.

A modelo Karlie Kloss também lamentou a situação e mostrou-se disponível para a remissão das imagens em questão.

“I am deeply sorry if what I wore during the VS Show offended anyone. I support VS’s decision to remove the outfit from the broadcast”, afirmou a top model no seu Twitter (https://twitter.com/karliekloss).

Ao mesmo tempo, a situação explica-se recorrendo à recente polémica em que os No Doubt foram envolvidos ao serem acusados de algo semelhante no seu vídeo mais recente “Looking Hot”, onde Gwen Stefani, surge disfarçada de índia com plumas que não alegraram aos olhos dos indígenas americanos. Acabaram por tirar o vídeo do Youtube e da televisão por concordarem com a possibilidade de terem ofendido a cultura ameríndia.

É um facto que a cultura indígena na América tem vindo, ao longo dos tempos, a universalizar o seu conceito de modo a permanecer na sociedade e a reivindicar o seu espaço, algo que tem sido alvo de discussão nos Estados Unidos da América. No entanto, até que ponto deverá haver tal intervenção na sociedade? Será a remoção do que “ofende” a cultura ameríndia a única solução?

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Petra Teixeira

Licenciada com o curso de Ciências da Cultura, vertente em Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Adora o mundo da Comunicação sendo que a escrita é uma das áreas predilectas. As áreas de interesse são sobretudo direcionadas para a moda, música, cinema, teatro, literatura, socidade, e um afim de outros assuntos que fazem a vida mais interessante.

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1 thought on “Victoria’s Secret marca 2012”

  1. Olá, só gostaria de fazer um pequeno reparo ao artigo. A mulher geisha pertence à cultura japonesa, e não à cultura chinesa. Já não é a primeira vez que vejo/ouço este erro. Quando o videoclip da princess of china foi lançado também muitas pessoas disseram que ela estava mascarado de geisha. Achei um pouco rídiculo visto ser uma marca cultural japonesa e não chinesa. Não sei o contexto da polémica da geisha no desfile da Victoria’s Secret, mas só quis fazer este reparo.
    Beijinhos*

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