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Vermelho Sangue: achados arqueológicos Maia

O império Maia, localizado por uma área que ocupa actualmente a Guatemala, o Belize, El Salvador, México e as Honduras é conhecido pela sua fabulosa arquitectura, bem como pelas suas conquistas culturais e científicas.

Agora, pela primeira vez, uma equipa de investigadores do Instituto Nacional de Antropologia e Arqueologia do México, entrou numa câmara funerária Maia, descoberta em 1999. Na altura da descoberta, uma câmara fotográfica controlada remotamente foi colocada no seu interior para a fotografar, mas só agora houve autorização para a entrada de pessoas e a sua investigação. O túmulo, que continha também peças de jade e vasos, está decorado com pinturas murais de um vermelho vivo. O vermelho era habitualmente a cor escolhida para a decoração de monumentos funerários reais. Segundo os investigadores, para a cultura Maia era sinónimo de sangue e a força da vida sagrada.

O monumento funerário está localizado no sul do México, numa zona florestal denominada Palenque, um antigo e poderoso centro político Maia, entre 500 e 700 D.C. A câmara funerária propriamente dita encontra-se a 7 metros abaixo do topo do túmulo, localizado dentro do denominado Templo XIX. Ainda nenhuns vestígios humanos, nomeadamente cadáveres, foram estudados até agora, mas escavações posteriores poderão dar resposta a quem foi aqui enterrado e porquê. As hipóteses até agora apontadas são as de que o seu ocupante pudesse ser K’uk’ B’ahlam, que reinou entre 431 e 435, tendo sido o fundador da dinastia Pakal. No entanto, o estilo arquitectónico e as cerâmicas encontradas apresentam um estilo posterior, nomeadamente pertencente ao século VI.

Os murais pintados são aquilo que efectivamente mais tem intrigado os investigadores, tendo sido alvo de maior atenção. De facto, apresentam um estilo estranho para aquela região, não estando pintados de acordo com o que seria usual encontrar, nomeadamente figuras e representações realísticas. De facto, estas pinturas são muito mais esquemáticas, como se tivessem sido pintadas apressadamente. Constituídas por 9 figuras humanas, uma delas representa um dos Reis Palenques, chamado Kan Bahlam (Cobra Jaguar), ostentando um adereço de cabeça elaborado e um escudo. As restantes oito podem muito bem representar um ancestral do ocupante do túmulo. A pintura de nove ancestrais é um tema repetido em outras tumbas reais do reino Palenque, nomeadamente o do Rei Pakal, um dos mais conhecidos e duradouros reis Maia. Chegou ao trono com 12 anos, em 615 e aí continuou até aos 80 anos, transformando Palenque numa cidade próspera.

Se de facto o ocupante do túmulo for anterior a este Rei, o achado reveste-se ainda de maior importância, por se desconhecer quase por completo o período pré-Pakal e que este achado poderia ajudar a decifrar.

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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