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Velhos são os trapos

Ela começou a dar no duro aos 7. Ele ainda nem 6 tinha. Hoje um perto dos 70 e outro quase a atingir os 80 percebo que são a luva da minha vida.

Para contrariar a velha genética feminina de ódio às panelas, cheguei à conclusão de que as próprias crianças são com um tacho com água ao lume. Devemos deixar que ferva, mas tem de existir um espacinho para que não abafe por completo. Os meus avós sempre tiveram o dedo apurado para que a temperatura estivesse certa.

Nunca deixaram que as bolhas da loucura me fizessem explodir por dentro e que a minha vida tivesse sempre um sabor bem doce.

Quando estou a bater um ovo que seja, colocam-me sempre um avental. E ainda sonham que vou seguir os passos da família. Eu cá deixo-os cair nessa ilusão e apresento-lhes os novos bolos com quase zero calorias. A que ele chama um mimo. Eles sim são a cereja no topo de todos os bolos que eu possa comer. Têm o topping adequado no momento certo e a consistência perfeita para fazer a massa suficiente para resolver as questões existenciais.

Não gostam de câmaras. Reclamam de cada vez que os gravo. Não percebem que gosto de guardar, na minha caixa de bailarina, as suas vozes a dizer para fazer horas ao caminho e para me cuidar.

Não atinam com as novas tecnologias, mas puseram-me como contato favorito. Pouco sabem soletrar, mas deixam-me os melhores recados acompanhando uma boa peça de fruta. Fresca como ela deve ser.

Por falar em frio. Chegam a uma fase em que são demasiado frágeis. Uma pontada de ar é suficiente para a árvore estar uns dias sem fazer a fotossíntese. E lá vem à berra a utopia de que não é desta que se safam. A verdade é que o tronco, por mais rajada de vento que sofra, se mantém intacto.

Podem partir todos os ossos, enquanto os estiverem, mas os seus corações vão ser sempre os mais moles. Dizem sempre para procurar por eles. Que estarão lá. E a verdade é que estão mesmo. Sempre no mesmo sítio. Intactos e com a melhor sombra, como uma árvore de quintal deve ser.

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