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Vanilla Sky: onde está a verdade, afinal?

Esta é a história de David Aames (Tom Cruise), um homem de 33 anos que herdou um império de edição de revistas. Numa festa, apaixona-se pelo par (Penelope Cruz) do melhor amigo (Jason Lee). Entretanto, David entra no carro de uma ex-amante (Cameron Diaz). A ex-amante está descontente com a parte do “ex”, atira o carro de uma ponte abaixo, morre e David sobrevive. Com o rosto desfigurado, o homem rico, que tinha tudo a seus pés, passa a viver uma dura realidade psicológica de adaptação à nova imagem. Mas há um pormenor: a história não é nada disto.

Vanilla Sky transporta-nos para uns quantos géneros de filmes e para uns quantos temas. O realizador Cameron Crowe dá-nos uma comédia mordaz, que passa por um policial, mas que acaba por ser ficção científica. No meio de tudo isto, não somos capazes de dizer se o filme é sobre relações humanas, sobre as partidas que a mente nos prega ou se é uma reflexão sobre um futuro em que a mortalidade se tornou em entretenimento. Se calhar, é tudo isto. Ou talvez não seja nada disto.

Quando falamos sobre este filme, há sempre o risco de contarmos em demasia. Sim, é um remake do “Abre los ojos” de 1997 e, por isso, já muito se disse sobre a história, já muito se tentou explicar. Sim, a versão em análise já é de 2001 e, por isso, falar em spoiler poderia ser descabido.  Mas, ainda assim, Vanilla Sky é um daqueles filmes sobre os quais não nos podemos alongar.

E, quando o vemos uma segunda vez, não podemos deixar de sorrir ao percebermos que certos detalhes não são para mera fruição estética – estão lá com um propósito narrativo bem definido. (Um exemplo: logo no início, David Aames pega no cartão de identificação pessoal. Visto à primeira vez, parece que é uma imagem para encher a tela durante uns breves segundos. Visto à segunda, não podemos deixar de ficar surpresos com a genialidade do guião.)

Contudo, o melhor de tudo isto é que, no final, nos explicam o que aconteceu durante aquelas duas horas de filme. Ficamos atónitos, é certo. Mas esclarecidos. Ou talvez não. Talvez a explicação seja também ela uma mentira. Decidam vocês.

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Florbela Caetano

Gosto dos mundos que se dizem contraditórios: a publicidade e o jornalismo. Gosto de pensar que os dois nos podem ajudar a viver num mundo melhor. Gosto de sentir que informar pode repor a serenidade no meio de caos.
Deixo-me fascinar com a imagem e perco-me na escrita. Entre todas as alianças de universos ao nosso dispor, quero dizer as palavras e criar imagens com o som.

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