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Vamos Lá Desmistificar Bukowski

Bim, bim, bim. Foi com esta cadeia de onomatopeias que Charles Bukowski (1920 – 1994) descreveu o que seria uma frase ideal num livro. Para este autor, as palavras de um texto não se deveriam articular de forma lenta, sendo elas um mero caminho para um eventual “clímax” literário no final de um parágrafo ou de uma página. Uma frase quer-se com uma energia própria que vicie o leitor no ato de virar uma folha após a outra, como se a história ali contada fosse para devorar.

Ora, Bukowski é isto. Aliás, Bukowski é Bukowski, o seu nome de batismo poderia quase ser um adjetivo, mas há outros termos que servem bem para caracterizar a sua prosa e poesia. Hank (o diminutivo por que muitos o tratavam) foi um homem que escreveu de uma forma crua, visceral, irascível, literal, poética-mas-direta, ofegante, por vezes, melancólica. E esta lista (para ele, de certo, de elogios) poderia continuar ad aeternum.

Por mais que seja um lugar comum, parece ser possível afirmar, estou praticamente certo disso, que ou se ama e se devora Bukowski, ou se odeia e se rejeita completamente lê-lo, nem que seja um parágrafo. E porquê? Porque, durante uma boa parte da sua vida e após a sua morte, muita gente o acusou de ser misógino, machista, misantropo, e até anarquista. O certo é que o próprio pouco ou nada se importava com tais considerações, tendo nós provas disso em algumas das poucas entrevistas dadas a revistas e à televisão.

O primeiro livro que li da autoria de Bukowski, dá pelo título, em português, de Mulheres. Esta obra, para muitos, é a bíblia do machismo e para outros é um dos trabalhos mais geniais e bem escritos do autor. Da minha parte, tenho a dizer que a obra em si, nada é. O que quer isto dizer? A carga positiva ou negativa que um leitor pode emprestar ao referido livro depende da perspetiva e da bagagem com que se aborda o que lá está escrito. Na minha opinião, Bukowski nunca quis, na sua bibliografia, afirmar nem impor qualquer convicção social ou moral aos seus leitores. Creio que este autor apenas quis pôr em palavras a realidade que viu e viveu, sendo que a aprovação ou negação desta última já não é da sua responsabilidade.

As múltiplas camadas de sentido que existem adormecidas sob um texto, são sempre responsabilidade do leitor. Contudo, entenda-se que os livros de Bukowski não são puro entretenimento ou mera distração. Há de facto uma mensagem nos seus livros, mas essa mensagem somos nós mesmos.

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Afonso Castro

Estudante de Direito; "escritor" de coisas em www.asaladenaoestar.com e em @asaladenaoestar (instagram); autor do livro Os Consulentes (Editora Urutau); feroz apreciador de bitoques; leitor incondicional dos livros de António Lobo Antunes; e praticante da filosofia "A Vida É Um Poema do Bukowski".

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