Desporto

Uma paixão chamada Lamborghini

Já alguma vez estiveram tão furiosos com a marca do vosso automóvel que pensaram: “PARA O DIABO COM ISTO, VOU FUNDAR UMA MARCA MINHA”? Pois, foi exactamente isso que um fabricante de tractores de sucesso fez a Enzo Ferrari. O seu nome era Ferrucio Lamborghini e reza a lenda que o Ferrari 250 GT de Ferrucio avariava muitas vezes, com um problema na embraiagem. Lamborghini descobriu que a embraiagem que a Ferrari usava era a mesma que ele próprio usava nos seus tractores e exigiu uma embraiagem melhor. Enzo Ferrari, orgulhoso do seu trabalho e famoso pelo seu mau feitio, respondeu que Lamborghini não passava de um tractorista e que se devia manter nessa condição. Começa aqui a história de uma das maiores marcas de super-carros de sempre.

Lamborghini, que gozava de bastante sucesso no mundo dos tractores, decidiu contratar engenheiros, sendo que alguns deles haviam trabalhado na Ferrari, para lhe criarem um motor V12 semelhante ao que a Ferrari usava. Em 1963, apresenta o 350GT, um modelo melhor, mais potente e mais civilizado que os Ferrari da altura, com tal a dever-se ao facto de a Lamborghini ter desenhado um motor para a estrada e a Ferrari um motor para corridas que era usado em carros de estrada. Contudo, o seu verdadeiro primeiro modelo, aquele que nos faz dizer “se algum dia tiver dinheiro compro uma máquina daquelas”, foi o Miura.

Lançado em 1963, é com ele que se cunha o termo supercarro. Um capô enorme, dois lugares, o motor à frente do eixo traseiro e tracção às rodas traseiras. Não era preciso mais nada. O carro fez sucesso instantaneamente, toda a gente queria ter um. É com o Miura que começa a tradição de dar nomes de touros aos Lamborghini, tradição que ainda só foi quebrada cinco vezes (350GT, 400GT, Countach e Sesto Elemento). Em 1973, termina a produção do Miura, com 764 unidades vendidas, e, em 1974, é apresentado o Countach, outro dos modelos icónicos da Lamborghini e que se manteria em produção até 1990.

No entanto, a marca começa a passar por dificuldades financeiras e, em 1972, Ferrucio Lamborghini vende a empresa a um amigo suíço, apesar de continuar à frente dos assuntos da marca. O Countach era completamente oposto ao Miura. Enquanto o Miura era sensível (para um supercarro), o Countach era simplesmente insano, feroz, incontrolável e duro. Foi também o primeiro Lamborghini a usar as scissor doors, que se tornaram icónicas na marca. Foi também o primeiro modelo da marca a ultrapassar as 2000 unidades vendidas, numa carreira que só acabou em 1990.

Ao longo da carreira do Countach, a marca foi sendo vendida repetidamente. Rossetti, o amigo suíço de Ferrucio, declarou falência e a companhia passou a ser administrada pelos bancos ate ser vendida aos irmãos Mimram, também eles suíços. Quatro anos depois, em 1987, é vendida à Chrysler, que a vende, em 1994, à Megatech Corporation. Em 1998, é finalmente comprada pela Audi e passa a incorporar o Grupo Volkswagen. Em 1990, é apresentado o Diablo. A insanidade mantém-se. Diz quem já guiou um, que as trocas de mudanças são como pontapés nas costas. O V12 continua, mais potente e com maior capacidade, assim como a caixa, mas a grande inovação é a tracção às quatro rodas, tornando o carro um pouco mais dócil.

Com a compra, por parte da Audi, o Diablo é descontinuado e é apresentado o Murciélago, onde tudo o que podia ser melhorado foi melhorado. Motor, caixa e design foi tudo revisto e sensibilizado. Torna-se um sucesso de vendas e, aproveitando o que foi aprendido, a Lamborghini apresenta o Gallardo. Torna-se rapidamente o modelo mais bem-sucedido da marca com 14000 unidades vendidas, devido a facilidade de condução e às inúmeras personalizações possíveis.

Em 2011, apresenta aquele que é considerado o melhor modelo da marca até hoje, o Aventador. A racionalidade alemã é finalmente equilibrada com a paixão e insanidade da marca. O motor V12 é totalmente revisto (tirando aumentos de potencia e cilindrada, a arquitectura era a mesma desde o Miura), é apresentada uma caixa de 7 velocidades e a arquitectura da suspensão é igual à dos monolugares de Formula 1. Isto tudo, para criar um carro que está duas gerações à frente dos concorrentes directos.

A Lamborghini é daquelas marcas que se mantém inalterada na paixão e na receita para criar um carro fantástico, ao mesmo tempo vai aproveitando todos os avanços tecnológicos para tornar os seus carros melhores, mais potentes e mais rápidos. Uma paixão que apenas é igualada pela Ferrari.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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