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Uma Lenda da Segunda Guerra Mundial – George Patton

A História da Segunda Guerra Mundial poderá levar, facilmente, um século a ser completamente escrita. Conhecemos a larga maioria das operações e os grandes nomes de ambos os lados. Porém, há sempre um general que é ignorado e, sem o qual, o destino da Europa e talvez do Globo tivesse sido outro. Todos conhecemos Rommel, Montgomery e Eisenhower, mas e Patton, que era o único general que os alemães verdadeiramente temiam e respeitavam? Quase nunca é mencionado, apesar de todos os seus feitos, quiçá, por ser um general diferente dos restantes e acima de tudo controverso.

George Smith Patton, Jr. nasce em San Gabriel na California, a 11 de Novembro de 1885, filho de George Smith Patton, Sr. e de Ruth Wilson. A sua família sempre esteve ligada à carreira militar. O seu bisavô paterno, George Patton, e o seu tio-bisavô serviram ambos no Exército Confederado, durante a guerra Civil Americana. Desde pequeno, leu extensivamente sobre historia militar clássica, em particular sobre os feitos dos grandes comandantes da historia, como Aníbal, Cipião Africano, Júlio César, Joana d’Arc e Napoleão. É natural, então, que Patton nunca tenha considerado outra carreira que não a militar. Foi aceite em Princeton, mas trocou a prestigiada universidade pelo Instituto Militar da Virgínia (Virginia Military Institute – VMI) e, enquanto estava no VMI, foi nomeado para West Point, a grande academia militar dos UA, onde rapidamente se juntou à equipa de atletismo e de esgrima, sendo considerado o melhor espadachim da academia. Graduou-se em 1909, com uma comissão de segundo-tenente de cavalaria no Exército Americano.

Enquanto segundo-tenente e devido à sua perícia em corrida e com uma espada, foi selecionado para representar os EUA nos Jogos Olímpicos de 1912, na disciplina de Pentatlo Moderno. De entre os 42 concorrentes, ficou em 21º em tiro, 7º em natação, 4º em esgrima, 6º na prova equestre e em 3º na corrida, ficando em 5º lugar no fim das provas. No seguimento dos Jogos Olímpicos, Patton viajou para Saumur, em França, onde aprendeu técnicas de esgrima com o Ajudante Charles Cléry. Essas técnicas ajudaram-no a redesenhar a doutrina de luta com sabre do Exército Americano, passando o mesmo a preferir um movimento destinado a perfurar do que um destinado a cortar. Ao mesmo tempo, desenvolve o Sabre de Cavalaria Modelo 1913, também conhecido como a espada Patton, que, ao contrario dos sabres tradicionais com lamina recurvada, apresentava uma lamina recta com dois gumes. Infelizmente, o Modelo 1913 foi apresentado relativamente pouco tempo antes do inicio da Primeira Guerra Mundial, aquando da troca para as armas de fogo, e pouca acção de campo viu.

Em 1915, Patton está destacado para patrulhar a fronteira em Sierra Blanca no Texas e é aqui que começa a usar o seu revolver Colt Single Action Army, com punho de marfim, que se viria a tornar uma das suas imagens de marca. Em Março de 1916, começa a expedição contra Pancho Villa e o grande general da altura, John J. Pershing, recruta Patton como o seu ajudante-de-campo, depois de este ter expressado o seu descontentamento pela unidade onde estava inserido não ter sido destacada para a expedição. E é aqui que comanda pela primeira vez tropas em combate, comandando o primeiro ataque motorizado da historia dos EUA. Durante este ataque, feito em carros normais, as tropas comandadas por Patton, 10 homens e 2 guias civis, abateram Júlio Cárdenas e os seus dois guardas, nunca tendo ficado claro se Patton matou ou não algum. O que ficou claro foi que Patton caiu nas boas graças de Pershing e que ganhou a atenção dos média como um “assassino de bandidos”, o que lhe valeu, pouco depois, a promoção a Primeiro-Tenente.

Com a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, em Abril de 1917, Pershing, recém-nomeado Comandante da Força Expedicionária Americana, chama Patton para si (há quem diga que foi ele que pediu para ser integrado no seu staff), sendo, então, rapidamente promovido a Capitão, e a 28 de Maio é despachado para França, no grupo de 180 homens que Pershing enviou à sua frente. Na qualidade de ajudante pessoal de Pershing, supervisionou o treino das tropas americanas, primeiro em Paris e depois em Chaumont, enquanto também comandava a base. Pouco satisfeito com os postos e apesar de Pershing o querer a comandar um batalhão de infantaria, começa a interessar-se por tanques. Ao ser tratado para icterícia no hospital, Patton conhece Fox Conner, na altura Coronel, que o encoraja a abandonar a infantaria e a dedicar-se aos tanques. Patton decide acatar o conselho e, em Novembro de 1917, é destacado para criar a Escola de Tanques Ligeiros da Força Expedicionária Americana, em Champlieu, perto de Orrouy, onde conduz os famosos Renault FT.

Em 1918, é promovido, em Janeiro, a Major e, em Abril, a Tenente-Coronel, sendo de seguida, em Agosto, posto à frente da 1ª Brigada de Tanques Provisória. Durante a Batalha de Saint-Mihiel (12 a 15 de Setembro), Patton comandou os tanques a partir da linha da frente e, após a vitória, entrou na frente dos mesmos na vila de Essey. Durante o ataque a Pannes, transportou-se em cima de um dos seus tanques para inspirar as suas tropas.

A brigada de Patton é depois destacada para auxiliar o I Corpo dos EUA na Ofensiva de Meuse-Argonne, a 26 de Setembro. Após ter comandado um destacamento de tanques por 8 km para dentro das linhas inimigas, sob um nevoeiro cerrado, é ferido por um tiro alemão perto da cidade de Cheppy. Fiel a si mesmo, Patton comanda o resto do destacamento a partir de um buraco provocado por uma explosão e, depois ter esperado uma hora para ser evacuado, ainda para num posto de comando da retaguarda para fazer o relatório. Enquanto recupera do ferimento, é promovido a Coronel e é galardoado pelas sua acções em Cheppy com a Cruz de Serviço Distinto e pela sua liderança da escola de tanques e da brigada com a Medalha de Serviço Distinto. Apesar de ter regressado ao serviço em Outubro de 1918, já não viu mais acção nenhuma, devido à assinatura do Armistício a 11 de Novembro de 1918.

Os anos entre as Guerras não foram os melhores para Patton. Entre 1920 e 1939, saltitou entre comandos, nunca ficando muito tempo e sentindo-se cada vez mais frustrado por não haver um conflito e ser um oficial de secretária. De meio de 1922 a meio de 1924, estuda, primeiro na Escola de Cavalaria, completando o Curso de Oficiais de Campo, em Fort Riley, no Kansas, e de seguida no Colégio de Comando e Pessoal Geral, em Fort Leavenworth, também no Kansas, onde se gradua 25º de 248. Em 1937, escreve um artigo, intitulado “Surprise”, onde, com uma precisão arrepiante, prediz um ataque japonês ao Hawai, havendo sugestões de que foi este artigo que deu a ideia aos japoneses e estabeleceu as bases para o ataque de Pearl Harbour. É também durante o período entre Guerras que conhece Dwight D. Eisenhower, em 1919, e George C. Marshall, em 1938, que se viriam a tornar instrumentais na vida de e para o que é efectivamente a lenda de Patton.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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