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Crónicas

Uma corrida de obstáculo

Hoje como quase todos os dias, a preparação para mais uma prova super-física deu-se antes de soarem dois dígitos no despertador. Vesti o meu super-fato de licra, calcei os ténis mais confortáveis e práticos para a corrida e o pré-treino, esse ficou para outra hora. Não havia tempo a perder.

Mala às costas, ovo cozido embrulhado, um número de peças de fruta suficientes para saciar nas horas de esforço intenso e um barril fresco de água.

Chave na ignição, não posta por mim, ainda e preparem-se que vamos levantar voo. Depois de alguns quilómetros ainda no escuro do dia que mal começou e com a esperança de que seria bem melhor se tivesse mandado abaixo um prato de Cerelac.

Chego à primeira estação de corrida e começam a aparecer os primeiros adversários que competem pelo lugar no metal gelado para pousar o rabo ainda quente resultante da cama. Alguns correm para ver se ainda apanham aquele que vai à frente deles e não espera.

Eu corro entre as esquinas para tentar duas de três objetivos impostos às 7 da manhã. Primeiro, tentar poupar o máximo de saliva e não encontrar ninguém conhecido. Seguidamente, arranjar um lugar o mais isolada possível, onde possa refletir para a prova, e conseguir que o único som que ouço é a música nos meus ouvidos. Dispenso vozes, histórias mirabolantes, revistas cor-de-rosa grátis e sons de tiros da vida dos outros, que para mim, àquela hora, conduzem a uma morte lenta e dolorosa.

Quando finalmente tenho tudo pronto, encosto suavemente a cabeça à parede nada uniforme, tento arranjar espaço para umas pernas desproporcionais de alguém com 1 metro e 70 centímetros e lá vou eu.

Nem sempre super-entusiasmada, nem todos os dias ao mesmo ritmo. Na maioria das vezes, a comer panquecas e a ficar com a roupa, que deveria ser capacitada para uma suposta escola de moda que não 15frequento nem nunca irei frequentar, cheia de iogurte.

Todos os dias isto.  Uma corrida contra o tempo que é o implacável adversário do ser humano, que gasta tempo com ele. Se não soubesse as horas, se não precisasse de andar com relógio, para evitar ficar sem bateria e sentir-me perdida no mundo, adormeceria muitas mais vezes de boca aberta nos transportes públicos, diria muitas mais vezes “Bom dia” às pessoas que me cruzo e não me importaria de ir acompanhada.

Agora não me venham falar nas primeiras horas do meu dia que não deixaram o jantar a descongelar, a roupa ficou estendida e está a chover e que calcaram meias diferentes.

Eu não tive tempo suficiente a dormir, de modo que me conscientizasse que o estava a fazer. Nem passei o passe antes de entrar aqui.

Contudo, estou na corrida, com duas meias de tamanhos diferentes, com a camisola interior por passar, porque o custo de oportunidade era bem menor do que perder tempo sentada no banco de jardim à porta de casa a ver quem passa.

Já tropecei de manhã, já perdi a corrida por uma questão de 5 minutos, mas nunca me ouviram dizer que não volto a competir.

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