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Um presente chamado Tempo

A beleza daquele momento era o presente perfeito em que tudo parecia estar no sítio certo. O brilho do Sol, o calor temperado, a brisa perfumada, o movimento, as cores, o jardim… Nunca tinha visto aquele jardim tão bonito. Aliás, acho que nunca o tinha visto assim, e são tantas as vezes que por ele passo. Por uns momentos, senti que o tempo tinha parado num quadro vivo do qual eu fazia parte. O momento era eterno…

Aproximou-se de mim um rapaz, que me perguntou se se podia sentar ao meu lado naquele banco de jardim. Ao que eu respondi que sim. E o meu quadro passou a ter mais uma pincelada.

Vestido com o pijama daquele hospital, a fumar, o rapaz perguntou-me: – Porque razão está a sorrir?

– Olha, estou a apreciar a beleza deste momento. Olha para isto. Não é perfeito? – Disse-lhe.

Porque é que estás internado? – Perguntei.

– Aqui ao seu lado com essa sua boa onda nem preciso de fumar – e apagou o cigarro. Estou mal com a vida. Dizem que tenho uma depressão profunda, e há uns dias fiz uma coisa má a mim próprio – afirmou.

Mesmo assim, perante este rapaz tão novo, bonito, debilitado e triste, aquele momento continuava a ser perfeito.

– És um rapaz tão novo… quantos anos tens? – Perguntei.

– Tenho 19 anos – respondeu.

E eu disse-lhe: – Estás a ver aquelas rosas? São muito bonitas, não são? Estão aqui à nossa frente, mas amanhã não sabemos se estarão. Aprecia-as aqui e agora!

– De facto, são muito bonitas. Gosto muito da sua onda, minha senhora, e da sua companhia. Obrigado por ter conversado comigo e por me fazer companhia – afirmou o rapaz.

– Estamos a fazer companhia um ao outro. Obrigada eu também! – Disse-lhe.

O rapaz sorriu, e eis que chegou a minha boleia… Despedi-me dele dizendo: aprecia as rosas, aproveita o momento.

O rapaz, cujo nome nem deu tempo de saber, agradeceu-me, dizendo que gostou muito de me conhecer, e tirou um cigarro do bolso, com um sorriso mais luminoso.

No dia seguinte passei naquele sítio de carro, por volta da mesma hora. O rapaz estava lá, sentado no mesmo banco, a fumar em frente ao jardim, a olhar para as rosas… Retratei o momento, arranquei e segui o meu caminho.

Esta é uma história simples, mas ilustrativa de que podemos fazer a diferença na vida de alguém pela entrega do nosso tempo. Pela atenção, ainda que por uns minutos. Quem sabe se aos olhos daquele rapaz, a partir daquele momento, as rosas passaram a ser cor-de-rosa. Tomara…

Cada minuto da nossa vida é irreversível, no compasso de um tempo que segue sempre em frente, sem nunca parar. A melhor forma de gratidão para com o tempo que nos é oferecido está em saber usá-lo em cada agora da vida. Julgo ser esta consciência do tempo que enriquece a nossa existência, quer seja na dedicação a alguém ou a uma causa, quer seja a aceitar a oferta de tempo de outrem…

Não importa quanto tempo nos dedicamos às coisas. O importante é a forma como fazemos uso deste cronómetro cujo tiquetaque não deve parar de nos despertar. Muitas vezes, ao darmos estamos a receber ainda mais…

Umas vezes, pouco tempo é muito. Outras, muito tempo é pouco.

Há uma coisa que nos é oferecida a toda a hora, sem parar. Um presente que só podemos usar no presente: o tempo.

Irreversível e precioso, o tempo nunca envelhece, mas envelhece-nos a cada minuto. Por isso, se não sentirmos as brisas dos agoras das horas, estamos a deixar que o vento leve o nosso tempo sem sementes para germinar…

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Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense, casada e mãe de dois filhos, os seus amores-para-sempre. Residente em Coimbra e licenciada em Comunicação Social, inspira-se nas pessoas e em tudo o que a vida oferece. Enveredou pela comunicação das organizações, área em que actualmente exerce a sua actividade profissional. Ler {livros e o mundo} e escrever aqui e ali são alguns dos seus passatempos favoritos. Encara o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade.

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