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Um Polaco entre Monges

O fotografo polaco Tomasz Lewandowski registou em imagem o treino de Kung-Fu de um grupo de monges do Templo de Shaolin, na China.

Este fotografo, licenciado em Direito, pela Universidade de Warsaw, acompanhou, durante semanas, os treinos dos monges de Shaolin, captando os seus movimentos, através do clássico registo a Preto e Branco. Tomasz pretendeu, desta forma, registar uma modalidade desportiva pouco conhecida e que é pode ser caracterizada pelo seu exotismo e a sua falta de tipicidade. Nas imagens registadas, é possível assistir a momentos de meditação, equilíbrio e força com a delicadeza que só um olhar experiente como o de Lewandowski consegue captar.

O Templo de Shaolin, situado na montanha Songshan, é, para os budistas, o berço da tradição religiosa Zen, filosofia doctrinal que procura cultivar a mente e o espírito, através da meditação profunda e do desenvolvimento corporal.

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O Templo de Shaolin

Shaolin foi fundado durante a dinastia nórdica de Wei, em 497 a.C., continuando a ser, actualmente, um dos budistas mais antigos, na China. Estão-lhe associados nomes como o do monge indiano Batuo e o do Mestre Bodhidarma, que alterou as doutrinas filosóficas dos monges deste templo para sempre.

Segundo a lenda, em Shaolin, Bodhidharma encontrou os monges numa precária situação de saúde, derivada de uma vida inteira dedicada ao estudo e à meditação, e decidiu introduzi-los a uma série de exercícios físicos, enquanto lhes incutia os fundamentos da filosofia Zen, com o oobjectivo de fortalecê-los tanto física, como mentalmente. Esta prática acabou por atingir um estado evolutivo tal que os monges optaram por adoptar este treino como um verdadeiro e completo sistema de auto-desafio – o Kunf-Fu de Shaolin.

O Kung-Fu de Shaolin atingiu o seu auge, durante a Dinastia Ming (1368 – 1644), quando os monges adquiriram o estatuto militar e foram adicionadas algumas armas ao seu treino diário. A sua reputação espalhou-se por toda a China, acabando por conquistar fama noutros países asiáticos e ser a origem de outros estilos de artes marciais, como é o caso do Karaté.

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Do Declínio à Ressurreição

Em 1966, teve início a Revolução Cultural Chinesa, na qual o governo Maoísta, oficialmente ateísta, ordenou que o Exército Vermelho destruísse todos os templos budistas, incluindo o Templo de Shaolin. O Kunf-Fu foi, desta forma, banido da China, os monges tornaram-se em sem abrigos e muitos acabaram presos em várias cadeias espalhadas pelo país, enquanto que todas as obras artísticas presentes em Shaolin (incluindo os seus textos sagrados) foram roubadas ou queimadas.

No entanto, em 1982, graças ao estrondoso sucesso do filme de Chang Hsin-Yen, The Shaolin Temple, com Jet Li no papel principal, o Kung-Fu começou a ressurgir como a arte respeitada que outrora haveria sido. Os antigos mestres foram autorizados a ensinar as antigas doutrinas e o Governo chinês reabriu o Templo de Shaolin, como atracção turística.

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Actualmente, os residentes do Templo de Shaolin são lutadores bastante qualificados, mas não podem ser verdadeiramente considerados de monges de Shaolin, uma vez que a sua doutrina não contém a forte componente espiritual que tivera na sua época de ouro. Apesar de todos os reveses que teve ao longo da História, o Templo de Shaolin sobreviveu e ainda consegue que, em pleno século XXI, milhares de pessoas visitem as suas muralhas todos os anos.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim…

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