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Um país de ladrilho vidrado

Em Portugal, muitas são as faces de edifícios compostas por placas cerâmicas quadradas, ladrilhos vidrados aos quais se dá o nome de azulejos. O azulejo que, neste país, decora é, também, o azulejo que dá o traço característico aos edifícios tipicamente portugueses. Apesar de não ser um produto original de Portugal, foi neste país que encontrou um solo fértil para a sua expansão.

“Vivemos rodeados de azulejos, no revestimento de fachadas, igrejas, palácios, ruas, jardins, um património riquíssimo que se destaca pela sua qualidade, estilos, temas, texturas, materiais, técnicas, cores e padrões”, diz a investigadora da Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões, Joana Bragança. O uso de azulejos para decorar edifícios religiosos e civis atingiu em Portugal uma amplitude desconhecida noutros países.

Os azulejos chegaram a este país, de onde não são originais, com as importações sevilhanas, em meados do século XV, e aqui criaram raízes, tornando-se parte da vida dos portugueses. “Do ponto de vista histórico e artístico fazem parte integrante do nosso património, são um traço marcante da identidade cultural do país e da nossa presença no mundo”, defende Joana Bragança.

Este produto barato, durável e capaz de decorar apresenta três características essenciais, que o levaram à sua expansão, num momento em que não chegava o habitual afluxo de donativos à igreja. Então, recorrer a revestimentos alternativos aos panos e bordados orientais foi a opção tomada, quando Filipe II de Espanha foi coroado rei de Portugal. No entanto, no momento em que foi reconhecida a independência e voltaram os benefícios da prosperidade, os azulejos já tinham garantido um lugar insubstituível nas paredes de edifícios civis e religiosos.

O azulejo entrou em frontais de altar, na arquitectura civil, revestiu escadarias, corredores e salões e até vestiu as casas mais modestas. No século XX, com o desenvolvimento urbano e a introdução de novos equipamentos, como o Metropolitano de Lisboa, chegou às estações, relembrando, a cada um que por lá passa, esta produção original da cultura portuguesa.

Os ladrilhos vidrados são parte da história e da cultura do país. As cores e o design foram mudando, mas a tradição da azulejaria mantem-se presente. Hoje, ainda, há artistas que se inspiram neste produto e que reinventam o azulejo tradicional. A sua paixão pelo azulejo óbvia e toda a sua inspiração parte da tradicional azulejaria portuguesa.

Diogo Morgado é um artista plástico de 32 anos, que “reinterpreta a linguagem visual dos padrões de azulejaria e cria uma nova imagem a partir do seu universo gráfico”, segundo a jornalista do site de informação P3, Filipa Flores. As suas ilustrações dão origem a uma dupla leitura: ao longe vê-se um padrão tradicional, mas ao perto é possível ver monstrinhos, robots, ou ilustrações contemporâneas.

Já a artista Maria D’Almada repara os “buracos dos edifícios”, que resultam da passagem do tempo, ou dos roubos. Copia o azulejo de uma parede inacabada para preencher as falhas. “O formato e a técnica utilizada variam, a essência não. E a arte urbana tem sido o exemplo mais fiel desta reconfiguração de genes”, diz Filipa Flores.

Segundo o Director do Museu Nacional do Azulejo, Paulo Henriques, o azulejo é uma das expressões mais fortes da cultura em Portugal. Hoje, a azulejaria mantem-se viva não só pelos velhos azulejos das fachadas dos edifícios, mas também pelas mãos dos artistas contemporâneos.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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