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Um mistério chamado da Vinci

Leonardo da Vinci é mais conhecido por ser o autor da Gioconda, vulgarmente conhecida como Mona Lisa, da Última Ceia e do Homem de Vitrúvio. No entanto, os trabalhos de da Vinci não se prendem apenas com pintura, nem tampouco com a arte. Para além de pintor, da Vinci foi anatomista, engenheiro militar e inventor.

Nascido a 15 de Abril de 1452, filho bastardo de um alto funcionário de Florença e de uma plebeia, a infância de Leonardo tem sido largamente debatida, por não haver registos históricos. Sabe-se que até aos 5 anos de idade viveu com a mãe e daí para a frente com o pai na casa da família, onde recebeu uma educação informal no Latim, na matemática e na geometria. Aos 14 anos foi enviado para o estúdio de Verrochio em Florença, onde, na qualidade de aprendiz, terá estudado tanto as vertentes teóricas como práticas, do desenho, da química, da metalurgia e dos trabalhos metalúrgicos, dos trabalhos com gesso, da curtição de peles, da mecânica, da carpintaria, da pintura e escultura e da modelagem. Da Vinci permaneceu no estúdio de Verrochio até 1478 e mesmo depois terá mantido uma estreita colaboração com o mesmo.

Entre 1476 e 1478, não há registos nem do seu trabalho, nem do seu paradeiro. É geralmente aceite que a partir de 1480 trabalha para os Médicis de Florença, inclusive vivendo com eles. Em 1482, cria uma lira com a forma de uma cabeça de cavalo e Lorenzo Médicis, o Magnifico envia-a como um presente a Ludovico Sforza, Duque de Milão como uma forma de assegurar a paz entre as duas Cidades-Estado. Leonardo é enviado como o emissário e escreve a famosa carta onde descreve as suas actividades, como forma de se apresentar. Como resultado dessa carta, Leonardo passa a ser empregado por Ludovico Sforza, pintando a famosa Madonna dos Rochedos e a Última Ceia e projectando uma cúpula para a Catedral de Milão e uma estátua equestre de Francesco Sforza, o antecessor de Ludovico. Planos detalhados para a fundição da estátua foram postos em marcha e 70 toneladas de bronze postas de lado para a mesma, porém, Michelangelo insultou Leonardo, sugerindo que Leonardo não conseguiria fazer a fundição. O “Gran Cavallo” de Leonardo nunca chegaria a ser completado, pois, em 1494, o bronze que lhe havia sido destinado foi usado para a fundição de canhões para repelir a invasão francesa de Carlos VIII. De notar que grande parte das obras de Leonardo nunca foram completadas.

A partir de 1502, Leonardo está ao serviço de Cesare Borgia, filho de Alexandre VI, Papa de Roma, ocupando o cargo de arquitecto militar e de engenheiro, criando mapas para o seu patrono, algo bastante incomum na altura. De notar que o mapa da cidade-fortaleza de Imola desenhado por da Vinci apresentava uma precisão que só recentemente consegue ser igualada. Contudo, o seu serviço para com Cesare Borgia foi curto e, em 1503, está de novo em Florença a trabalhar para a Signoria, o governo de Florença, pintado um mural representado a Batalha de Anghiari, enquanto Michelangelo pintava a Batalha de Casquina. Porém, nenhuma das obras foi terminada e hoje estão perdidas. Sabe-se que foram pintadas no Pallazo Vecchio de Florença no Salone dei Cinquecento, porém, aquando das reconstruções que a sala levou, ambas as obras podem ou não ter sido destruídas.

O grande trabalho seguinte de Leonardo é ao serviço do Papa Leão X, que lhe encomenda um leão mecânico que conseguisse andar e abrir a boca para revelar um ramo de flores, como oferta a Francisco I de França. Leonardo completa o pedido e Francisco, impressionado com o trabalho, “rouba” Leonardo ao Papa. Da Vinci passa a residir em França, perto da residência do Rei, que para além de seu empregador se tornou um grande amigo. Viria a morrer em 1516, na mansão que lhe foi dada pelo Rei, tendo sido enterrado na Capela de Santo Humberto no Castelo de Amboise.

Como referi no início do artigo, os trabalhos de Leonardo não se prendem só com a arte. Leonardo inventou o tanque, o avião e o submarino, estudou o corpo humano e escreveu tratados de anatomia que estabeleceram as bases para muitos estudos da medicina moderna. Leonardo continua a ser um mistério hoje em dia. Seria a sua capacidade de dominar várias áreas de estudo, como a fricção, cujos princípios que a governam só seriam enunciados século e meio depois da sua morte, fruto da sua educação e da época em que viveu ou da sua inteligência? Nunca saberemos. Resta-nos a esperança que mais das obras perdidas de da Vinci sejam encontradas e expostas.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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