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Um hexágono para derrubar os sentimentos negativos

Dizer que vivemos connosco vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, durante toda a vida, implica assumirmos que, nesse período temporal, somos obrigados a lidar com a nossa consciência – a consciência sobre nós mesmos e sobre o mundo. Tal não se afigura tarefa simples, já que, nesse entretanto, podemos receber mensagens imprecisas, fazer interpretações erróneas e contribuir para a emersão de sentimentos negativos. As múltiplas manifestações de auto-ajuda dizem que temos que ser fortes e lutar contra essa negatividade indesejada. Por seu turno, outras correntes defendem que as emoções são essenciais à nossa existência.

Assumindo esta última lógica, não será correto suprimirmos algo que faz parte de nós. Contudo, ao contrário do que possa parecer, a solução também não passa por sentir a angústia ou a inveja ao máximo. A chave está na auto-crítica, numa auto-avaliação construtiva que não desemboque em julgamentos contínuos e na classificação dos erros como imperdoáveis. Na verdade, uma auto-crítica profícua deve levar à superação pessoal.

Ora, sob este ponto de vista, não importa tanto o que sentimos, mas sim a forma como lidamos com essas emoções e o peso que lhes atribuímos. Tal explica-se pela ideia de que não somos exactamente as sensações que experienciamos, mas a experiência dessas sensações.

Neste âmbito, destaca-se a corrente psicológica apresentada por Steven c. Hayes e que se intitula Terapia da Aceitação e Compromisso. Próxima da teoria behaviorista, a argumentação passa pela defesa de que cada pessoa reage ao ambiente, tendo em conta o contexto da sua história particular.

Com efeito, se os sentimentos negativos estão ligados a uma inflexibilidade psicológica, a terapia proposta pretende aumentar a flexibilidade para, consequentemente, diminuir o sofrimento. E tal é conseguido através de seis motes base que, juntos, formam o Hexágono da flexibilidade psicológica:

  1. Momento presente – Entender que o passado não volta e que o agora é algo completamente diferente de tudo o que já vivemos.
  2. Aceitação – Se evitarmos sentimentos negativos, estamos a restringir o nosso campo de ação. Associado ao primeiro ponto, este lado do hexágono dá-nos a consciência de que as emoções menos boas são transitórias.
  3. Valores – Conhecer o que nos move e definir os objetivos adequados aos valores que defendemos.
  4. Ações com compromisso – O passo seguinte é agir de acordo com os valores encontrados. Os comportamentos devem ser um reflexo dos ideais aos quais damos importância.
  5. Desfusão cognitiva – Temos tendência para antecipar o que pode acontecer de mal. Nesta etapa, os pensamentos são separados da realidade, uma vez que nos podem afastar dos objetivos a alcançar. Um pensamento não é um facto.
  6. Self como contexto – Quando nos afastamos dos pensamentos, aproximamo-nos da ideia de “self”. Isto é, somos a observação do que está a acontecer.

Se as nossas emoções não correspondem ao que realmente somos, há que olhar para os sentimentos, numa perspectiva de adquirirmos informação ao máximo. Conhecendo tais sensações de um ponto de vista racional, seremos capazes de delas nos libertarmos. E, por fim, deixaremos de ser angústias e revoltas, para lograrmos alcançar a essência pessoal.

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Florbela Caetano

Gosto dos mundos que se dizem contraditórios: a publicidade e o jornalismo. Gosto de pensar que os dois nos podem ajudar a viver num mundo melhor. Gosto de sentir que informar pode repor a serenidade no meio de caos. Deixo-me fascinar com a imagem e perco-me na escrita. Entre todas as alianças de universos ao nosso dispor, quero dizer as palavras e criar imagens com o som.

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