Desporto

Um Benfica a Marcar a História – Parte 1

A época de 2013/2014 ficará para a história do emblema encarnado. A época 2012-2013 foi traumática, em que tudo se perdeu num Maio de má memória, que começou com o empate na Luz com o Estoril Praia, no dia 6, passando pela queda de Jesus no relvado do Dragão ao golo de Kelvin no minuto 92. Juntemos a isto a final injusta de Amesterdão, onde o cabeceamento de Ivanovíc (também), ao minuto 92, ressuscita a maldição de Guttman  e, claro, não nos podemos esquecer da final histórica no Jamor, em que o Vitória de Guimarães conseguiu conquistar a sua primeira Taça de Portugal perante um Benfica desesperado, ferido e de cabeça perdida, como foi visível perante o ataque de Cardozo  a Jesus  (sem contar com a falta de fair play demonstrado ao não felicitar a equipa vencedora).

É com este cinzento registo e sobre um coro de protestos e desconfiança no seio da família benfiquista que começa a época de 2013/2014. Uma temporada em que o presidente Luís Filipe Viera  decide renovar com o treinador natural da Amadora por mais dois anos e aponta baterias à final de Lisboa, já que o estádio da Luz havia sido escolhido para receber a final da Liga dos Campeões. Depois de resistir às tentações do mercado de transferências de Verão, é com o melhor plantel dos últimos 30 anos que o Sport Lisboa e Benfica enfrenta a nova época.

No dia 18 de Agosto de 2013, o Marítimo recebe o Benfica no “caldeirão”. Na primeira jornada do Campeonato Nacional, ninguém sabia o que esperar deste Benfica, que se demonstrou tímido e pouco ambicioso na pré-época, e o pior receio dos adeptos encarnados confirmou-se, com o golo de Sami, aos 78 minutos, a desfazer o empate por 1 golo. A equipa é vaiada e alguns adeptos enfurecem-se, focando-se no presidente e no treinador. Durante uma semana, a contestação era geral, mas por esta altura já era tempo de receber o Gil Vicente em casa, num jogo em que a equipa da casa tomou conta dos caminhos seguidos. É como um balde de água fria que o golo de Diogo Viana cala a Luz, mas a equipa de Jorge Jesus não desistiu e, já nos descontos, Lazar Markovic 91’ e Lima aos 92’ sacodem as redes da baliza gilista, afastando o fantasma do minuto 92, dando “uma das vitórias mais saborosas” da carreira do treinador. Em Alvalade, o Benfica não entra bem e, num golo bastante polémico, o Sporting Clube de Portugal, renovado e cheio de confiança, começa o jogo a vencer. É, depois de muito lutar e de algumas adversidades, que o Benfica consegue empatar o jogo com um belo golo do pequeno Markovic. Em casa, o Benfica impõe-se e vence o Paços de Ferreira por 3-1.

Eis que chega a estreia europeia contra o Anderlecht da Bélgica, onde um 2-0 embala a equipa portuguesa na viagem para a final de Lisboa. Na visita à cidade berço, um golo de Cardozo, que havia regressado no jogo de Alvalade, após a final da Taça de Portugal, garante os 3 pontos da equipa. O jogo fica marcado pela invasão de campo dos adeptos encarnados, culminando numa intervenção de Jesus, que, ao tentar “libertar” um adepto das forças da autoridade, agrediu um agente da PSP. Na recepção ao Belenses, que soube organizar-se e “anular os pontos fortes do Benfica” , Tacuara volta a marcar, mas é Diakité quem provoca a divisão de pontos. Entretanto, no segundo jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, os encarnados deslocam-se ao parque dos príncipes, para defrontar o PSG, num jogo para esquecer. O Benfica trouxe para casa 3 tentos sem resposta e uma exibição bastante fraca.

Volvidos precisamente cinco meses, a equipa de Jesus entra na Amoreira, para defrontar o Estoril Praia de Marco Silva, uma equipa pertinente e muito bem organizada. Lima, na primeira parte, marca, mas o ex-benfiquista Balboa acaba por empatar, cabendo a Cardozo confirmar o resultado de 1-2. No jogo seguinte, o Cinfães é derrotado pelo Benfica por 1-0, num jogo da 3ª eliminatória da Taça de Portugal, e, no terceiro jogo a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões, o Benfica recebe o Olympiacos e empata por 1 golo.

Nas duas jornadas seguintes para o Campeonato, o Benfica recebe o Nacional da Madeira e vence por 2-0, seguindo-se a viagem a Coimbra, onde derrota a equipa dos estudantes por 3-0. Com a viagem a Piraeus, na Grécia, para defrontar o Olympicos, uma derrota por 1-0 e com as contas do grupo mais complicadas, a equipa portuguesa regressa a casa. Na 4ª eliminatória da Taça de Portugal, temos o segundo derby da época, num jogo quente, cheio de emoções e polémica. O Sport Lisboa e Benfica leva a melhor sobre o Sporting, vencendo por 4-3, após prolongamento. Depois de recuperar deste jogo, é a vez do Sporting Clube de Braga viajar até à luz, num jogo em que Raúl José teve de tomar o comando da equipa, derivado ao castigo a que Jesus foi sujeito, após o incidente de Guimarães. Num jogo em que Cardozo ficou de fora, por causa de uma lesão, a equipa minhota entrou bem e é ao minuto 72 que Nemanja Matic, numa jogada brilhante, fuzila a baliza de Eduardo, com um golo fantástico.

Em Bruxelas, a equipa portuguesa reanima as contas da fase de grupos da Liga dos Campeões, com uma vitória por 2-3 sobre o Anderlecht. No regresso ao campeonato português, o Benfica soma 3 pontos na viagem a Vila do Conde, onde venceu o Rio Ave por 1-3. A jornada seguinte na Luz revela-se surpreendente, quando o Arouca ainda orientado por Pedro Emanuel empata por 2-2. Chega o momento da verdade e o PSG vem a Lisboa, para encaixar uma derrota por 2-1, uma vitória com sabor amargo, porque, apesar do esforço encarnado, é a equipa do Olympiacos que se classifica para a fase seguinte da Liga dos Campeões, esfumando-se, assim, o sonho da final de Lisboa. Apesar da perda, a equipa concentra-se no muito que havia para jogar, já que nem tudo estava perdido, e a Liga Europa entra para os objectivos do colectivo. Nas jornadas seguintes do campeonato, o Sport Lisboa e Benfica desloca-se ao Algarve, para defrontar o Olhanense (2-3), e a Setúbal para jogar contra o emblema sadino (0-2). Antes do final do ano, o Benfica tem a estreia na Taça da Liga, num jogo que vence (0-1) em casa dos Alvinegros do Nacional da Madeira.

O ano de 2014 chega e o primeiro jogo é para disputar os oitavos da Taça de Portugal contra o Gil Vicente, sendo aplicada chapa cinco à equipa de João de Deus. No dia seguinte, o Mundo do futebol recebe uma triste notícia, com o Pantera Negra, a lenda viva, o King, a despedir-se deste mundo, uma notícia que a todos abalou. Os dias seguintes revelaram-se longos e pesados, a nação benfiquista chorava, mas a vida continuava e um jogo se aproximava – o Clássico estava à porta. Entre os vários tributos e mensagens vindas de todo o Mundo havia apenas uma vontade, um pensamento: Homenagear o King à maneira benfiquista.

Muito se especulou sobre o clássico, como os peões de Jesus se apresentariam no primeiro confronto da época entre as duas equipas? Numa Luz cheia, após uma coreografia ensaiada, entram no relvado as duas equipas. No campo pela primeira vez estiveram 11 Eusébios, uma camisola nunca pesou tanto como naquele fim de tarde de Domingo, um minuto de silêncio na Luz, interrompido por algumas pessoas que nunca saberão o valor do fair play e do respeito. Quando a bola rolou, foi intenso, era um Benfica diferente. Poucos são aqueles que podem dizer que viram Eusébio jogar com aquela camisola, mas naquele dia foi diferente, eram 11. O Eusébio de que todos falam encarnou naquele plantel, havia raça, garra, muita vontade de vencer, era a mística benfiquista. O golo de Rodrigo ao minuto 13 é a imagem disso. Nas bancadas, uma explosão de alegria. O Benfica dominou, o Futebol Clube do Porto foi impotente, nem o recém-chegado Quaresma foi capaz de sacudir a equipa de Paulo Fonseca. O relógio marcava o minuto 53, quando Garay, em antecipação a Mangala, faz o segundo golo. O Sport Lisboa e Benfica tinha conseguido, Eusébio da Silva Ferreira teve uma homenagem digna.

Continua…

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Marguerita Harris de Pina

Nasci no final da década de 80 e o meu nome é composto por 10 letras.
Sou apaixonada por bicicletas, música e desporto.
Gosto de livros e de conversar

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