Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
CulturaMúsica

Um álbum para sarar as feridas de Ryan Karazija

Este pode ser o registo mais triste do artista americano

“Once in a long, long while” é o mais recente álbum dos Low Roar, o projeto de Ryan Karazija que se iniciou em 2010, na Islândia. Se é certo que o registo do projeto já habituou o público a viajar por lamentos e devaneios de tristeza, este último disco remete ainda mais para um momento de análise profunda e um qualquer processo de cura que o vocalista estava a precisar de “deitar cá para fora”.

As letras carregam uma resignação perante algumas perdas da vida amorosa de Karazija. Em alguns casos, aparentemente, é como se os desfechos não tivessem sido escolhidos por ele (“I’m stuck, I’m fucked”, em Poznan); noutros, o poema aproxima-se mais de um exercício de superação, apenas possível através do ato de aceitar o término de algo que não podia ir a mais lado nenhum (“And it’s hard when you come/ To realize someone’s/ path is headed elsewhere in life/ So baby walk your way/ I’ll walk mine”, em Gosia).

Alinhamento de “Once in a long, long while”, álbum lançado em 2017 pelos Low Roar

Há alguns destaques positivos: Don’t be so seriousque é a faixa que abre o álbum, tem uma progressão viciante, que relembra, embora de uma forma muito mais dark (em consonância com o resto do disco), o tipo de elevação melódica que já se conhece dos Low Roar; St. Eriksplan, por outro lado, inicia-se num registo acústico, muito mais calmo, mas que também progride e, lentamente, se vai tornando numa canção muito bem preenchida e conseguida; por último, Give me an answera quarta faixa do álbum, que apresenta aquele que é, talvez, o melhor refrão do repertório – é uma canção cheia de atitude, com batidas que nos prendem os tímpanos até ao final e nos orientam para um estado de completa absorção.

Crawl Back e 13 são as duas faixas totalmente instrumentais do álbum. Nenhuma delas é memorável, infelizmente. Contudo, há ainda uma faixa oculta (hidden track) – I won’t be long – que vale a pena ser descoberta. É com ela que o álbum realmente se fecha, numa conclusão que não é propriamente otimista (“I’m alive/ but I’m paralysed”), mas que, instrumentalmente, encerra de uma maneira revigorante e cheia de energia. Esperemos que, com essa energia em mente, o próximo álbum dos Low Roar seja o resultado de um processo criativo menos doloroso. Como sempre, isso depende de como correr a vida de Ryan Karazija, mas sabemos que a genuinidade é garantida – o que mais podemos pedir?

Tags
Show More

Liana Rego

Licenciada em Jornalismo, pela Universidade de Coimbra, e Mestre em Cultura, Património e Ciência, pela Universidade do Porto. Jornalista na Conexão Lusófona e crítica musical nos tempos livres (que são todos, porque não gosta de se sentir enclausurada). Ativista. Vegetariana. Apaixonada: por música, pela interpretação da vida e pela Arte de revolucionar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: