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Três razões para deixar de comparar o filme com o livro

Quem nunca comparou um filme com o livro em que está baseado? Quem nunca desejou ver todos os pormenores de um livro a ganhar vida no grande ecrã?

A discussão sobre se é melhor o livro ou o filme é daquelas que nunca têm fim. Insistimos nas comparações, mas será justo? Será possível transpôr para o cinema tudo tal como está num livro? Talvez não. Por isso, reunimos três razões que nos façam pensar duas vezes antes da próxima comparação.

É preciso resumir milhares de palavras num par de horas. Um filme terá sempre um tempo limitado, o que exige condensar o conteúdo do livro. Já comparou o número de horas que demorou a ler um livro e o número de horas que demora a ver a respectiva adaptação ao cinema? Então, faça o teste e verá a diferença.

É preciso transformar palavras em imagens e sons. Esta será possivelmente a maior diferença. Enquanto o livro depende das palavras, o filme depende das imagens e do som. No cinema, a imagem e os sons deixam de ser os imaginados. O cenário deixa de ser diferente para cada um de nós, o ambiente deixa de ser criado na nossa mente, o poder sugestivo perde-se. Perde-se a mediação da imaginação. Passamos a ocupar unicamente o lugar de observador. Contudo, isto não significa que a natureza audiovisual do filme não tenha também vantagens. Afinal, a estória é literalmente mostrada, permitindo-nos ver todos os pormenores. A questão é que, nesta “tradução” das palavras para imagens e sons, perdem-se umas coisas e ganham-se outras.

É preciso adaptar. Adaptar é a palavra-chave. Não só porque é necessário condensar ou transformar palavras em imagens e som, mas também porque nem tudo o que funciona num livro, funciona de igual forma num filme. A diferença entre os dois meios exige necessariamente alterações. O que fica bem em palavras, pode não resultar em imagens. E, nesse caso, deve ser-se fiel ao livro? Esta é sem dúvida uma questão problemática, mas, para que o produto final seja o melhor possível, é necessário que seja adaptado ao meio.

As óbvias diferenças entre o livro e o filme nunca permitiriam que não houvessem diferenças entre a experiência que vivemos no contacto com a estória através destes dois meios. Haverão sempre estórias que serão melhor contadas por palavras e outras que cuja mensagem será vivida mais intensamente através das imagens e dos sons.  Haverá sempre quem goste mais do filme ou do livro. E, sem dúvida, mesmo cientes das diferenças, continuaremos a fazer comparações. Por isso, fique com uma possível resposta.

Books Vs. Hollywood

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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