Negócios

Trabalho de graça

Podíamos começar por qualquer fio solto, mas comecemos pela questão: devemos trabalhar de graça? Não cobrar pelo trabalho que fazemos é abrir o precedente aos que precisarão mais tarde, e novamente, dos nossos serviços. Trabalhamos uma vez, também trabalhamos a segunda e a terceira. Quem, pelo contrário, cobra sempre pelos seus serviços, é visto como um profissional credível e sério, que cobra pelo conhecimento. Ora, não significa que quem trabalha de graça não seja visto de igual modo, mas ficará refém de uma remuneração que tardará em chegar.

Trabalhar de graça tira a oportunidade de outras pessoas, iniciantes, fazerem o trabalho, cobrando pouco, baixando os valores médios dos serviços, porque as marcas ou as empresas pagam pouco ou não têm o hábito de pagar pelos serviços. Enquanto se trabalha de graça, a marca ganha. Gostarmos do que fazemos não significa que trabalhemos só por prazer, porque as faturas não são de graça e o pão não cai na mesa.

Há uma forte razão para que todo o trabalho seja remunerado: somos nós que decidimos quando e a quem damos o nosso trabalho. Cabe-nos essa decisão, não é imposta, e tem um sabor um tanto diferente. Tem o sabor do prazer de ajudarmos alguém e de termos consciência que foi uma opção nossa, mas que apesar de tudo é o nosso trabalho.

Quem pede trabalho de graça? Empresas, por exemplo. Pedem trabalho não remunerado em troca de exposição, portfolio, experiência, trabalho futuro. Se prometem exposição é porque até podiam pagar o seu trabalho. Se lhe garantem portfolio, porque não a própria pessoa fazer um trabalho que mostre o apoio a uma causa social, se de facto apoia? Por si só mostra qualidades e veia humana. Experiência profissional. O que gasta em combustível, alimentação e outros custos não seria mais bem canalizado para um curso? Trabalho futuro. Se vem de uma empresa cujo trabalho era não remunerado, só estará apto para ganhar pouco no próximo.

Apesar de todas estas condições que quase se impõem, o trabalho de graça também se faz. Como? Trabalharmos por causas sociais, por pessoas que precisam, por associações que ajudam o próximo. É nestes casos que devemos doar o nosso tempo e esforço pelo bem-estar de outros em situação pior. Sendo este o caso, não custa ajudar. Se se identifica com a causa, o bem que fará, para a sua mente e coração, será certamente maior.

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Rita Nunes Ferreira

Licenciada em Comunicação Social e pós-graduada em Estudos Europeus nasci neste mundo onde tudo/quase tudo se traduz em formas de comunicar. Tenho uma paixão nata pela escrita e um soberbo gosto pelo jornalismo em áreas diversas – lifestyle, sociedade, direitos humanos, política, assuntos europeus. Tendo sido ou não talhada para esta azáfama constante não existe o que possa demover. Todos os dias se justifica acordar e escrever mais um “bocado”.

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