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Tonalidades de cinzento

Existe uma linha de pensamento que me persegue todos os dias desde que o ouvi pela primeira vez e cada vez mais comprovo que é real: a de que todos os seres humanos vivem as mesmas experiências e os mesmos sentimentos desencadeados por situações diferentes.

A vida por vezes tem muitas tonalidades de cinzento. E existe aquela caixinha mágica que ligamos todas as noites e esquecemos muitos dos nossos problemas. Nela vemos reflectidas histórias que poderiam ser as nossas, identificamo-nos com dores e alegrias que já vivemos ou que sabemos de alguém que as está a viver.

Independentemente do conceito de apatia, quando nos entregamos à TV e às séries, aos filmes, a toda a diversidade ligada à indústria de entretenimento, há também um músculo do sentimento que desenvolvemos, o da empatia.

A indústria do entretenimento ou show business é uma máquina. Uma máquina financeira que envolve grandes investimentos e lucros, jogo de cintura com lobbies e criações de deuses sociais reflectidos nos artistas e na própria arte.

É no show business, especialmente no que se refere ao panorama televisivo que aqui falamos, que se juntam todos os artistas: os actores e actrizes, argumentistas, músicos, todos os que se juntam para fazer arte, arte exposta no ecrã, que se revela como o expoente máximo do poder criativo colectivo.

No panorama televisivo, há a manipulação muito real do que nos poderá alimentar a nós, espectadores e representantes da sociedade e do seu estado actual. O que nos dão para assistir e o que resulta num sucesso televisivo é sempre representativo do que nós andamos por aí a fazer na vida real.

Mesmo assim, a vida real ultrapassa sempre a ficção e os magos da televisão buscam e inspiram-se nos tais sentimentos semelhantes que todos nós temos com experiências diferentes.

A arte que é criada para a televisão não deixa por isso mesmo de ser arte. Porque também é alimento para a alma humana. Porque a alma humana alimenta o que assistimos todos os dias, todas as noites, nas histórias que nos inspiram.

Se o panorama televisivo é reflexo da sociedade, nada mais poderemos ter senão orgulho do que assistimos. A diversidade que somos, o preconceito que é mostrado de cara chapada se for necessário, os anti-heróis que agora são heróis, a existência da complexidade nas personagens que antes eram apenas descritas apenas como más ou boazinhas, tudo isto era inadmissível de ser fonte do que assistíamos há alguns anos (não assim tantos) atrás.

Sim, admito, há coisas que assistimos que podemos apontar o dedo, mas isso não é bom? Não nos mostra que cá dentro temos a hipótese de discernir o que há a apontar? E se formos mais fundo, será que devemos apontar o dedo a nós?

Por isso não tenham vergonha de ligar o comando. Ou de serem aficcionados desta forma de arte que tanto evoluiu e irá continuar a evoluir. Continuem a treinar e a inspirar a empatia.

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Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Gosto muito de pessoas. E de vários assuntos. E de assuntos que envolvam pessoas. Sou curiosa por natureza e tenho verdadeira paixão pela palavras.

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