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The ultimate James Bond

Neste dia, no qual se comemoram 53 anos desde a primeira exibição de Dr. No (em Londres, uma vez que em Portugal o filme só chegou no ano seguinte) e numa temporada festiva da história da 7ª Arte, seria imprescindível atirar sobre o agente secreto mais conhecido, aquele que todos antevêem a sua entrada em cena, com a mítica e hiperbólica quote: “My name is Bond…James Bond.”

Em primeiro lugar, o primeiro filme de uma larga série é um veloz thriller realizado em pleno período de Guerra Fria (1947-1991). Para mais, é excepcionalmente fatigante definir qual dos seus é o melhor – mesmo que uns superiores a outros, falamos de uma escolha demasiado pessoal para entrar em conflito. Neste – e em quase todos os outros exemplos –, James Bond surge como um benfeitor que salvará o mundo da sua destruição, pela organização, que neste ano empresta o nome ao novo projeto – SPECTRE. A mesma é dirigida por um arrogante vilão, o Dr. No, indivíduo maneta sem escrúpulos e protótipo de todos os malvados da série, que muito dificilmente se singularizam.

Sean Connery

De facto, com o ator principal nascia um novo mito na história do cinema. Por detrás dele, uma outra linha de atores poderia ter emprestado o seu corpo, rosto e voz, uma vez que todos serviram de base para a criação da personagem de Ian Fleming. Os mesmos demonstravam a envolvente influência do star-system hollywoodiano, sobre outras linhas criativas. No meio dominado por Cary Grant, David Niven, Rex Harrison e até mesmo Roger Moore (que conseguiria o desempenho anos mais tarde), surgia um ator em início de carreira, cujo salário era considerado de baixo custo. O escolhido serviria de instrumento para os ideais, que os produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman desesperavam em reproduzir no grande ecrã. No primeiro filme, a agora vedeta e Sir é fotografado em plano médio na mesa de jogos, seu nome Connery, Sean Connery.

Dr. No

Apesar da metamorfose que a personagem sofre, com a escolha diversa de atores, uma das suas marcas persiste. O reflexo metrossexual, desde a paixão por carros desportivos, a escolha de bons vinhos, ou vaidade nas suas roupas e acessórios (os relógios, são bem exemplo disso) expande-se a todas as adaptações. Até mesmo nas profundezas do ‘eu’ e sobre o complexo de Édipo – nomeadamente em Skyfall (2012) -, Bond sempre causa boa impressão, com o fato e a gravata. É a preocupação que começa a ser vulgar nos dias correntes, com a imagem e o impacto que tem, neste caso em específico, no sexo oposto.

As tão renovadas bond-girls só têm um propósito, mas não deixa de ser interessante ver Ursula Andress como a menina, cuja inocência contradiz o charme de Bond. Neste filme, o seu desempenho como Honey, o mesmo ao qual se prestou homenagem em Die Another Day (2002), em versão Halle Berry, é seguramente uma das mais conhecidas entradas femininas no cinema. Ao emergir do mar, em jeito divinal, com o seu biquini branco, desperta o olhar maroto e queixo caído de James Bond, visando ser a tão desejosa fuga ao mundo violento do espião.

Para os fãs da série é fundamental a presença de personagens secundárias, que elucidam ainda mais o seu caráter. Desde M (interpretado por Bernard Lee até ao ano da sua morte, em 1981) a Miss Moneypenny (a menina com quem Bond prefere apenas namoriscar) ou Q (que o ajuda na escolha dos seus gadgets), esbarramos com um dos mais perfeitos objetos fílmicos (do cinema comercial), vital para estudiosos.

Em Dr. No, predomina a bem sucedida realização de Terence Young, outrora argumentista viciado na escrita de Fleming. Embora o seu estilo fosse considerado inadequado para as aventuras vindouras, é nele que reside uma maior aproximação da personagem ao mundo real. Em todo o caso, Bond é protótipo de todos os filmes de espionagem, agora sob inúmeras paródias.
Embora o primor dos genéricos seja central em toda a saga, com nomes de Matt Monro, Shirley Bassey, Tom Jones, ou Nancy Sinatra a emprestar as suas vozes nos filmes de Connery, o primeiro e principal tema de Bond é algo simplório, porém, valida a qualidade artística não só do elenco, mas de toda a equipa técnica. Muito do seu crédito vai para Maurice Binder, responsável pela criação da sequência que começa com três pontos brancos. O designer foi responsável por outros 13 filmes de Bond, até à sua substituição por Daniel Kleinman em Golden Eye (1995).

James Bond
Atores que interpretam Bond

A dificuldade em encontrar um substituto para a performance de Connery foi tarefa árdua e a mesma situação parece estar a ocorrer hoje em dia. Contudo, muitos atores ainda virão.

Em todo o mais, é importante deixar o pano de sangue cair, provocado pelo atirar com a célebre arma Walther PPK, numa energética corrida contra o mal, com alguns clichés, sem serem totalmente prejudiciais ao universo excitante que Bond instituiu.

Ficha técnica
Ano de Produção: 1962/ Título português: Agente Secreto 007/ Título original: Dr. No/ Realizador: Terence Young / Argumento: Richard Maibaum & Johanna Harwood & Berkely Mather/ Elenco: Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman, Jack Lord, Lois Maxwell, Anthony Dawson, Eunice Gayson, Zena Marshall e Bernard Lee como ‘M’/ Música: Monty Norman & John Barry/ Duração: 110 minutos

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Virgílio Jesus

Licenciado em Ciências da Comunicação e com Mestrado em Cinema e Televisão pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou um apaixonado por cinema desde os meus 10 anos. Todos me conhecem como o 'viciado em filmes' porque na realidade estou sempre interessado em ter a sétima arte como tema de conversa.

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