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CinemaCultura

The Imitation Game

Quem foi Alan Turing? Questiona o espectador a esta altura do campeonato, enquantose depara com um filme biográfico a figurar entre os nomeados aos Óscares. Pois bem, é graças a esse desconhecimento geral de que o cinema pode beneficiar, comportando-se como um meio de expressão, de cariz quase pedagógico. The Imitation Game é, para todos os efeitos, um filme necessário para conhecer os feitos relevantes que tornaram Alan Turing numa incontornável personalidade do século XX, desconhecido para muitos em derivação da força com que motivou a sua ocultação.

Contudo, é bem verdade, como se conta na obra cinematográfica de Morten Tyldum (Headhunters), que se não fosse a intervenção deste matemático e criptologista, a Segunda Grande Guerra teria prolongando por mais de dois anos, pelo menos é o que se acredita. Turing foi também importante no campo tecnológico. O seu trabalho posterior gerou algo que hoje dificilmente nos conseguimos separar – sim, a computação. O trabalho científico do mesmo foi preciso para avançar nos estudos da computação e no, cada vez mais, dilema da inteligência artificial. Por outras palavras, ele foi um génio, cujo intelecto foi prolífero e reflectivo nos dias actuais.

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Protagonizado por Benedict Cumberbatch, naquele que poderá ser o seu mais emotivo empenho no grande ecrã, The Imitation Game centra a sua história numa equipa de matemáticos (o qual está inserido Turing), chefiados pela Inteligência Britânica, para tentar decifrar o código de Enigma, a indecifrável máquina de mensagens codificadas utilizadas pelos alemães para transmitir os seus ataques e tácticas, durante a Segunda Guerra Mundial. O filme de Tyldum, baseado num homónimo livro de Andrew Hodges, foca nesses esforços de combate à Inteligência Alemã, numa guerra presente nos bastidores e longe dos palcos bélicos, porém, não menos relevante que o sacrifício das tropas infantes. Enquanto isso, The Imitation Game esboça e evidencia a sua síndroma de biopic, ou seja, em tentar inserir ao máximo na sua narrativa toda a informação envolvente da vida da sua personalidade. Resultado, uma obra dotada de um classicismo já verificado vezes sem conta. Temos a sensação que tudo demonstrado e potencializado aqui foi pensado ao milímetro para se vingar na Award Season.

Rigoroso em termos técnicos, é bem verdade que The Imitation Game salva-se da mediocridade por esse profissionalismo atrás das câmaras e pelos desempenhos bem-sucedidos, concretizados pelo seu elenco (para além de Cumberbatch, Keira Knightley é notável). Depois, existe uma própria intervenção narrativa que nos revela outros propósitos de produção, aonão ilustrar os feitos de Turing, durante o conflito internacional, mas expor a gratidão de uma Nação, que o julgou pela sua diferença, classificando-o de indecência. Eis o típico produto de selo de qualidade, que não impressiona, mas detém um ponto a seu favor, revela uma história incontornável que tão poucos conhecem. E, isso sim, é dos feitos do Cinema, enquanto meio de expressão.

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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