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Tempo em Contratempo

Já todos nós proferimos frases como “Ainda agora foi a passagem do ano, e já vamos a meio de outro!”, “A tua criança já tem dois anos? Parece que nasceu há dois meses!” ou então o oposto, com a mítica “Nunca mais é sábado?!”. Todas estas frases têm algo em comum, a rasteira do tempo.

A Infopédia sugere, entre outras, as seguintes descrições para o significado de tempo: “sucessão de momentos em que se desenrolam os acontecimentos; parte da duração ocupada por acontecimentos; época em que se vive; época; conjuntura e duração limitada (em oposição ao conceito de eternidade)”. No entanto, penso que não é algo assim tão simples.

Há algum tempo li, algures, que a razão pela qual a infância parece passar num “piscar de olhos” é porque estamos numa fase de completa descoberta. Tudo nos faz questionar, tudo é novo, passamos por uma fase critica do desenvolvimento do nosso ser físico, psicológico e social. Logo, todos os minutos em que estamos acordados, são preenchidos por algo novo. As únicas “secas” com que tínhamos de lidar era a obrigação de comer a sopa ou ir ao dentista (ou qualquer outra especialidade médica).

Em adultos, a conversa já é outra.

Raramente penso que estou a perder tempo. Mas quando me acontece, penso que é das situações mais deprimentes pela qual um ser humano deve passar (atenção que não estou com isto a comparar a situações dolorosas e incomparáveis, como o falecimento de um ente querido, ou aquilo que passa uma pessoa com doença mental). Acho que é algo comum a pessoas da minha idade, ver o tempo passar e não haver ainda um plano delineado.

Volto novamente ao meu exemplo. Eu tenho 26 anos e ainda vivo com a minha mãe. Olho para um lado, e tenho amigos que desde os 18 que moram sozinhos, olho para o lado contrário e alguns trintões ainda moram com os pais. Uns por escolha, outros porque não tiveram opção. Deveria entrar em pânico porque ainda não iniciei essa parte da minha vida? Ou deveria relaxar porque ainda tenho tempo? No entanto, eu não sei se tenho tempo. Não sei se amanhã terei a sorte de continuar aqui. Ninguém sabe. E essa é a magia do tempo. A sua subjetividade e a incerteza da sua existência.

Uma parte da descrição da Infopédia que me intriga é “parte da duração ocupada por acontecimentos”. O que me leva a perguntar: Um momento Dolce Far Niente, abstêm-se da passagem do tempo? A perceção do Ser Humano e tal forma subjetiva, que sair da rotina e conseguir um momento em que só nós existimos, sem qualquer obrigação ou tarefa por concluir, faz com que pareça, por momentos, que a Terra parou. Juntamente com o Tempo.

A subjetividade do tempo, enquanto um conceito psicológico, é assustador. Quando se trabalha 10 horas por dia, 15 dias de seguida, uma pessoa pensa que o tempo passa muito devagar. No entanto, falo por experiência própria, são 15 dias que nem nos apercebemos que passaram (a não ser pelo cansaço). Estamos de tal forma absorvidos pelos nossos trabalhos e obrigações, que nem reparamos que não vemos os nossos entes queridos há várias semanas.

Faz falta usar tempo connosco e faz falta usar tempo para os outros (os certos). É necessário procurar o equilíbrio e tentar ao máximo que o Tempo não nos consiga atropelar. Afinal, de que vale o tempo, se vivemos sempre em contratempo, não para nós, mas pelos outros?

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Filomena Pires

De Faro e nascida no belo ano de 1992. Sou Licenciada em Ciências da Comunicação mas neste momento estou a formar-me numa especialização técnica em aplicações informáticas de gestão. Vamos lá a ver no que isto dá!

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