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Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança

Até à estreia de Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força, o Repórter Sombra dá-te a (re)descobrir a força que há em ti, através de uma viagem galáctica pelos filmes anteriores.

Filme vencedor de 6 Óscares da Academia (Melhor Banda-Sonora, Melhor Direção Artística, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Som, Melhor Montagem, Melhores Efeitos Especiais) é difícil refletir sobre Star Wars Episódio IV, sobretudo para quem não vivenciou o ano respetivo da estreia, em toda a loucura e fanatismo que o seu enredo e personagens acabaria por originar. E como seria possível que um jovem realizador – George Lucas na altura com apenas 33 anos – concretizar o seu sonho de criança? Tudo envolta parecia demasiado clássico e de facto seria. Bem, em primeiro lugar, Star Wars é um daquelas experiências cinematográficas que para quem ainda não viu, definitivamente não pertence a este mundo.

Luke Skywalker (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford)
Luke Skywalker (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher) e Han Solo (Harrison Ford)

O passado, o presente e o futuro são apresentados em simultâneo nesta narrativa. Ao olhar para trás no tempo percebemos como alguns elementos – como a nave espacial de Han Solo -, não têm lá muito de digital, mas o que importa? Não será o analógico suficiente para nos transportar para universos com capacidades narrativas ainda superiores àquelas que o CGI nos anos 90 veio criar? Não será esta trilogia melhor que as suas prequelas? Estas questões dominam a infinita galáxia de pensamento em torno de novas e obsoletas (velhas, para sermos mais corretos) tecnologias, todavia aqui surgem conjugadas.

Luke (Mark Hamill) é um jovem com o destino, pelo menos quando recebe a mensagem enigmática de uma princesa, Leia Organa (Carrie Fisher) que está em apuros e sob vigia do todo soberano Darth Vader (interpretado pelo ator David Prowse, mas com voz de James Earl Jones) – Respiraram ao mesmo tempo que ele?

No caminho para decifrar a mensagem Luke encontra Ben Kenobi (Alec Guiness, o melhor ator que alguma vez entrou num episódio de Star Wars), com quem estabelece uma relação bastante próxima, e por sua vez o apresentará a Força. Além disso, Ben é entretanto o único Jedi que sobreviveu após anos de conflito e cujo nome verdadeiro é Obi-Wan Kenobi, outrora mestre de Vader. É por ter conhecido Kenobi que Luke embarca num processo de descoberta e percebe o quão distante estava da vida galáctica, mesmo à sua frente. Na tentativa de salvar a Princesa, conhece também Han Solo (Harrison Ford) um pirata mercenário que se está nas tintas em relação à força Jedi (parece que no novo episódio isso já não vai acontecer) e movido apenas por dinheiro, mesmo assim parece disposto a ajudar aquele jovem que se tornará o Escolhido e restabelecerá o equilíbrio na mítica Força.

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A tecnologia da Industrial Light & Magic é deveras impressionante e utiliza maquetes de Lucas em todo o seu esplendor – a fotografia de Gilbert Taylor, a par da direção artística e edição tornou-se responsável por um dos melhores trabalhos da história do cinema pois concebe bem o contraste entre o regime monocromático dos sabres de luz, fase às diferentes cores dos locais filmados (são essencialmente tons quentes como a paisagem da Tunísia, que no filme é o planeta onde Luke cresceu). Além disso, o primeiro plano em que surgem pequenas naves que, por sua vez, são perseguidas por uma maior transpõe o sentido que a trama quer trespassar – de uma espécie de ópera bigger-than-life que se desenrola num universo desconhecido, mas que testifica o classicismo de uma Hollywood de outrora.

Destaque também para momentos como o confronto de Guiness, desculpem Obi-Wan e Darth Vader, e respetiva derrota do Jedi que percebe não ter escape. Aliás, é chegada a hora de se render face à personagem que ele próprio criou – estas conclusões só tiramos aquando da visualização de Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith. Na comparação com a cena de duelo durante a erupção vulcânica percebemos como Obi-Wan vivencia um momento de dor, porque a criança que ensinou é agora monstruosa, incapaz de lutar contra os traumas passados. O mesmo acontece neste caso porque Obi-Wan olha ainda Vader como a criança inocente que jamais voltará a ser (as suas atitudes nunca dão prova do contrário).

C-3PO e R2-D2 também estão no filme
C-3PO e R2-D2 também estão no filme

Neste trabalho de atores é pena que só Harrison Ford tenha conseguido outros ‘empregos’. Desde Indiana Jones de Steven Spielberg ou Blade Runner, de Ridley Scott, Ford configurar-se-ia como um ator típico de blockbuster’s ou, às vezes, de fracassos comerciais pouco interessantes do cinema-pipoca. Mark Hamill e Carrie Fisher não teriam o mesmo destino – ele ficaria com alguns papéis menores em dobragens, ela teria que ultrapassar a sua dependência de cocaína, transtorno bipolar e casamentos fracassados, a lembrar outras atrizes do sistema com as mesmas vivências.

Enfim, nota-se o quanto será impossível criar uma obra idêntica ou melhor que Star Wars IV: Uma Nova Esperança, por muitos filmes da saga que se decidam realizar. Chamemos-lhe obra-prima, obra de arte, obra de massas, o que quisermos, mas se Star Wars é mais humana que outros tantos flops terrestres. Só com ela é que perceberíamos como o cinema pode ser direccionado para todos, inclusive com temáticas mentalmente mais confusas, que tendencialmente nem todos possuiriam capacidade de apreensão (exemplo para o complexo de Édipo)…mas isso é outra história, aqui pode mesmo sentir a força, sem pixels.

Ficha técnica
Ano de Estreia: 1977/ Título português: Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança/ Título original: Star Wars Episode IV: A New Hope/ Realizador: George Lucas / Argumento: George Lucas/ Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Peter Cushing, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, David Prowse e Alec Guiness/ Música: John Williams/ Duração: 121 minutos

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Virgílio Jesus

Licenciado em Ciências da Comunicação e com Mestrado em Cinema e Televisão pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou um apaixonado por cinema desde os meus 10 anos. Todos me conhecem como o ‘viciado em filmes’ porque na realidade estou sempre interessado em ter a sétima arte como tema de conversa.

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