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Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones

Até à estreia de Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força, o Repórter Sombra dá-te a (re)descobrir a força que há em ti, através de uma viagem galáctica pelos filmes anteriores.

Podemos considerar Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones um filme particularmente melhor que o capítulo anterior, pelo menos é mais adulto, mesmo assim não foi o desejável. Por ter sido o primeiro filme da História cujo cenários foram totalmente criados por computador – à exceção clara dos atores de carne e osso – as expetativas de fazer mais e melhor, numa aproximação ao cinema bigger-than-life não corresponderam à realidade.

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Este capítulo desenrola-se 10 anos depois dos acontecimentos do Episódio I: A Ameaça Fantasma, quando a República está em rutura pela criação de um movimento separatista liderado pelo Conde Dooku (Christopher Lee, recentemente falecido). Na iminência de uma guerra civil, os guerreiros Jedi agora em menor número, tentam resolver o conflito – são espécie de super-heróis tão desejosos por salvar o dia, cuja presença se radicalizou na sétima arte.

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Entre eles está o já crescido Anakin Skywalker (Hayden Christensen), que aprende a lidar com a efervescente paixão que nutre pela Senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) – obrigada a se refugiar no planeta onde nasceu, por ter sido alvo de um atentado em Coruscant. Enquanto a ligação entre ambos se desenvolve ao estilo do amor proibido de Romeu e Julieta – em certos momentos demasiado enfadonha -, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) mestre Jedi de Anakin tenta descobrir qual o criminoso por detrás da criação dos Clones, dando-se de caras com Jango Fett (Temuera Morrison).

Novamente é Ewan McGregor o melhor ator do filme, que rouba a cena em todos os momentos que surge. Aos poucos torna-se espelho do sábio Obi-Wan Kenobi interpretado por Alec Guiness na trilogia original. A gestualidade e traços vincados do seu rosto face à inexistência dos mesmos em Christensen, revela-nos como é ator experiente e para os jovens que viram o filme na época tornou-se provavelmente um ídolo. Já ao contrário do que aconteceu no primeiro capítulo, Natalie Portman não é a mesma e perde a força performativa quando cai de amores por Skywalker. Na verdade, é exemplo da configuração dada às mulheres no cinema de Hollywood – que no final será sempre salva pelo seu homem, em vez de surgir emancipada desse conceito pré-estabelecido.VJ_starwarsepisode2_3

Em contrapartida, o filme consegue responder a algumas questões da trilogia original e favoravelmente prescinde da aparição de Jar Jar Binks para dar maior ênfase aos robôs C-3PO (Anthony Daniels) e R2-D2 (Kenny Baker). No domínio dessa transformação digital, outro aspeto favorável é que o Mestre Yoda (voz de Frank Oz) já não é um mero boneco, sendo agora originário do CGI. A desvantagem é que sucumbiu ao registo do videojogo – atente aos planos utilizados na cena em que luta com o Conde Dooku.

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O orçamento bem pode ter saído do bolso de George Lucas, mas outra e outra vez pretende emergir tudo e mais alguma coisa no ecrã – como a lamentavelmente não cuidada cena na arena. Uns aspetos até se podem demarcar de outros, como o sentimento de perda que Luke Skywalker enfrenta, todavia o filme não é uma obra-prima. Facto interessante é que um foi também a primeira vez que um filme Star Wars não conseguiu alcançar um recorde no box-office. Decorria o ano de 2002 e o filme mais visto seria Homem-Aranha, de Sam Raimi com críticas mais favoráveis. Aí verificar-se-ia a inevitável migração e vínculo dos espetadores ao género de super-heróis. Hoje o paradoxo instalou-se, porque, no ponto de vista da crítica especializada, nem esse é viável.

Ficha técnica
Ano de Estreia: 2002/ Título português: Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma/ Título original: Star Wars Episode I: The Phantom Menace/ Realizador: George Lucas / Argumento: George Lucas/ Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Christopher Lee, Anthony Daniels, Kenny Baker e Frank Oz/ Música: John Williams/ Duração: 142 minutos

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Virgílio Jesus

Licenciado em Ciências da Comunicação e com Mestrado em Cinema e Televisão pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou um apaixonado por cinema desde os meus 10 anos. Todos me conhecem como o 'viciado em filmes' porque na realidade estou sempre interessado em ter a sétima arte como tema de conversa.

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