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Solidão acompanhada

Em 2018, Chongqing e Xangai, localizadas na China, ocupavam os dois primeiros lugares das cidades mais populosas do mundo com 30 165 500 e 17 836 133 habitantes, respectivamente.

A não ser que tenhamos visitado ou vivido numa destas cidades, nós, Portugueses, não conseguimos ter uma pequena noção do que isto representa.

As nossas cidades são bem mais pequenas, mais acolhedoras, aconchegantes. Os vizinhos conhecem-se, frequentam a casa uns dos outros, pedem ovos, quando lhes falha a mercearia, e entregam-nos as encomendas que o carteiro deixou para nós.

Num mundo perfeito, com cidades perfeitas, deveria ser assim o normal funcionamento de uma parte da nossa vida social, mas, por algum motivo, não é (de todo) isto que acontece.

Se observarmos uma cidade vista de cima, conseguimos visualizar um mar de gente que se move em piloto automático, filas intermináveis de carros, aviões a descolar e a aterrar e comboios a partir e a chegar.

O mundo transformou-se neste frenesim louco de correrias e rotinas, em que enviar um email, pagar uma conta ou ver um filme estão ao alcance de meia dúzia de cliques num telemóvel, mas falar com a vizinha da frente parece tarefa inexequível.

O ritmo das cidades grandes consegue infiltrar-se na nossa pele e, de uma forma ou de outra, sucumbimos a esta ideia de que tudo tem que acontecer à velocidade da luz, quer falemos da repetição do dia-a-dia ou de relações amorosas ou de amizade.

Andamos de mãos dadas com os telemóveis, seduzimos com um ecrã como escudo de protecção e camuflamos os defeitos que quisermos com uma qualquer aplicação. Somos tantos nestas comunidades online que só não temos amigos ou companheiros(as) se não quisermos. Certo? Errado!

O que é feito destas pessoas, quando saem das suas rotinas, dos seus empregos e voltam às suas casas? Quando as luzes se apagam e a Internet se desliga?

O silêncio.

Silêncio de quem não conseguiu trocar os emojis por abraços de verdade, beijos de verdade e conversas de verdade. Silêncio de quem chega a uma casa vazia de pessoas e cheia dos próprios reflexos. Silêncio de quem vive esta solidão acompanhada, onde do outro lado da janela está uma plateia pronta para nos aplaudir, e aqui, no nosso refúgio, somente um quadrado gigante de pequenos nadas.

Somos tantos à distância de uma password e tão poucos quando nos cai uma lágrima.

A pior solidão não é a que sentimos quando estamos sós, estar só, é por vezes, necessário, a pior solidão é nos sentirmos sozinhos estando rodeados de pessoas.

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Susana Correia

Auto-didacta que sempre teve na escrita a sua melhor forma de comunicação. Acredita que tudo acontece por um motivo, na força e no poder do pensamento e em energias positivas e negativas. Sabe que o amor é a resposta, independentemente da pergunta, e quando lhe perguntam qual é o seu, responde, sem hesitar, que é a filha.

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