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Só protegemos o mar que nos molha os pés?

A zona costeira, ou faixa litoral é definida pela transição entre o domínio continental e o marítimo, que se caracteriza pela sua complexidade, dinamismo, mutabilidade, e está sujeita aos mais variados processos geológicos. Portugal, sendo o país mais a oeste da Europa é, também ele, o mais afortunado. Com 1230km de costa banhada a Atlântico, a zona litoral portuguesa formou das mais belas praias, tanto de falésia como de areal. Contudo, o mesmo oceano que contribuiu para a formação de bonitas paisagens é também o responsável por um dos maiores processos de desgaste: a erosão.

Dependente dos fenómenos naturais e dos vários processos de erosão, a costa portuguesa é de um dinamismo extremo que se traduz numa evolução constante, que nem sempre é positiva. O impacto negativo no meio ambiente está muitas vezes aliado à ocupação antrópica (ocupação humana das zonas terrestres), que quando desproporcionada contribui para o desequilíbrio, não só da flora, como da fauna.

Com vista à protecção da orla costeira portuguesa, foram desenvolvidos alguns planos, nomeadamente, o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) que, de entre vários objectivos, visa ordenar os diferentes usos e actividades específicas da zona costeira, baseando-se num princípio de defesa e conservação da natureza.

A um nível mais macro e no que respeita a exploração económica da costa portuguesa, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar decreta o direito dos países costeiros declararem uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) de espaço marítimo, para além das suas águas territoriais, o que atribuiu  327 667 km² à nossa responsabilidade, mas alvo de disputas e interesses económicos. A questão surge: como se gerem tamanhos recursos naturais em consonância com os interesses económicos, respeitando o meio ambiente?

Existem actividades económicas muito importantes à escala nacional, que beneficiam 3141835das especificidades biofísicas da nossa zona costeira, tais como as infra-estruturas portuárias, os transportes marítimos, actividades como a pesca, a apanha, a aquacultura e a salicultura. Porém, a importância estratégica ultrapassa os limites económicos, abrangendo também os ambientais e sociais. Apesar dos vários conflitos de interesse, é obrigatória a prevalência de uma política de desenvolvimento sustentável, enquadrada na gestão integrada e coordenada, que reconhece, acima de tudo, as dificuldades e necessidades de preservação do meio ambiente.

Independentemente dos interesses económicos, caminhamos para uma geração onde não podem ser aceites soluções de expansão que ignorem a realidade da vulnerabilidade da zona costeira. Para além de sujeita a uma erosão natural e a todo um conjunto de modificações fisio-morfogénicas que dela advêm, a mais grave e de mais fácil alteração, é a manipulação humana. Infelizmente, o homem tem conseguido provocar um grave desequilíbrio na orla costeira, que por si só já é caracterizada pela sua enorme fragilidade. A crescente ocupação urbanística, industrial e turística a que se assiste é a autora de uma destruição brutal que resulta na perca de ecossistemas únicos, que põe em causa milhares de espécies, causando danos graves e, alguns, irreversíveis.

É necessária a sensibilização para esta realidade, que é crescente e subjugada a interesses de carácter político e económico, que não defendem convenientemente o meio ambiente, ou a população. A defesa destas áreas está dependente de um comportamento único e solidário, desprovido de interesse, mas que respeite não só a realidade que se vive hoje, mas também o futuro da nossa orla costeira.

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Sara Pereira

O que me define não é a formação académica ou estudos complementares.
Sou isto: nem mais nem menos que alguém, mas ninguém é igual a mim. Sou única, com os meus defeitos e virtudes.
Sou complexa e simples ao mesmo tempo. Por vezes complexa nas alturas em que deveria ser simples, nunca ocorre no tempo certo ou na medida exacta. Sou descomedida na medida do equilibrado. Sinto muito mas esqueço depressa. Apaixono-me constantemente pela paixão e sofro desilusões assolapadas. Cada dia, mais que em qualquer outro tempo, tento equacionar que não é nem será a ultima vez que as sofro e assim aprendo a senti-las menos.
Sou sonhadora e vivo a sonhar com um mundo que seja um lugar melhor para nós. Gosto de viver alienada desta dita realidade que me rodeia, para não sabotar quem sou. Sou uma alma em constante desconstrução para que me possa continuar a construir. Tenho eternas perguntas que nunca serão respondidas.
Gosto de escrever. O que me falta na comunicação verbal, compenso na escrita. Gosto da fluidez das palavras, do peso que podem adquirir, da maneira como podem tocar, do significado escondido que podem ter. Para além do que dizes ser óbvio há sempre mais, se escolheres ler-me. E quando verdadeiramente me lês, sou isto: nem mais nem menos, mas feliz por ser assim.

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