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Ciências e TecnologiaSaúde

Ser paraplégico e praticar surf. Porque não?!

Talvez há alguns anos fosse impensável que uma criança, um adulto ou qualquer pessoa que tivesse uma deficiência física ou psicológica, pudesse algum dia praticar qualquer tipo de desporto, especialmente surf. No entanto, não só se tornou possível como também tem sido uma espécie de terapia, não só para as pessoas com dificuldades de mobilidade, como para pessoas com outras patologias e igualmente, para os familiares que os acompanham na sua luta diária.

Como é que o surf, um desporto conhecido por ser radical, pode ajudar a ultrapassar barreiras e a ser mais inclusivo?

Parece mentira, mas não é, muito pelo contrário. O surf adaptado nasceu de pessoas cuja vida lhe trocou as voltas, colocando-as em alguns casos, em cadeiras de rodas e fazendo-as enfrentar lutas e ultrapassar limites diários. Nasceu de pessoas que praticavam desportos e tinham vidas agitadas e que se viram, de um dia para o outro, limitadas até às mais básicas tarefas do dia-a-dia. Contudo, o mais importante, é que nasceu de pessoas que não quiseram desistir perante as dificuldades e que quiseram partilhar com outras, nas mesmas condições, que nada é impossível.

O surf é tido hoje em dia como um desporto de inclusão social que incentiva as pessoas com dificuldades e necessidades especiais a trabalhar a sua autonomia assim como a auto estima. Isto é possível, pois, actualmente, além da boa vontade, a evolução da tecnologia também o permite. O surf adaptado possui técnicas e equipamentos específicos, assim como instrutores e monitores que permitem que este desporto seja adaptado a cada caso e que ninguém, independentemente da sua condição física ou psicológica, seja deixado de fora.

Como é que este desporto ajuda as pessoas com dificuldades patológicas?

Este desporto, conhecido e afamado mundialmente, além de permitir que as pessoas com necessidades especiais possam fortalecer ou reconstruir a sua autoconfiança e a sua auto estima, também as ajuda no aspecto físico, uma vez que é uma maneira divertida de praticarem desporto e fortalecerem o corpo. Este desporto pode incluir pessoas com deficiência visual, com deficiências físicas e com doenças degenerativas, o que vem contrariar o paradigma social de que apenas as pessoas saudáveis podem praticar desportos.

A paralisia cerebral e o autismo são duas das doenças em que o surf ajuda a ultrapassar barreiras, com casos já conhecidos. No caso de paralisia cerebral, o surf é adaptado de modo a melhorar a mobilidade da pessoa. Se for num caso de autismo, este desporto intervém como meio de melhorar a comunicação. Contudo, o surf adaptado não se fica por aqui e vai mais longe. Em casos de paraplegia este desporto também marca presença.

O surf adaptado tem sido uma das principais alavancas, não só em termo de ajudar quem tem necessidades especiais a enfrentar e a ultrapassar os seus limites, como também a desafiar a sociedade a se libertar da ideia, de que estas pessoas são obrigatoriamente excluídas de muitos eventos e iniciativas, quando têm necessidades especiais, impedindo-as de usufruir da natureza e da liberdade. Para além disso, o desafio estende-se à criação de condições para que os edifícios e os meios sejam adaptados a estas pessoas, pois na maioria dos casos é isso que as impede de arriscar mais.

É através de técnicas e instrumentos próprios, como por exemplo as pranchas adaptadas, as cadeiras com espreguiçadeiras e rodas que permitem que uma pessoa sem mobilidade ou com esta reduzida possa ser transportada até à água, as pranchas com painéis para pessoas com dificuldades visuais e muitos outros, que é possível ajudar estas pessoas a superar as dificuldades e a trazer-lhes esperança e alegria, não apenas a elas mas também aos seus familiares.

“Não queremos saber se é difícil, apenas se é possível.” É este o lema da Associação Portuguesa de Surf Adaptado, uma entre outras mais, que têm vindo a espalhar a palavra e as experiências à sociedade e àqueles que pensaram um dia, que a vida tinha acabado. Tratam-se de grandes iniciativas com grandes desafios e enorme força de vontade, para levarem um pouco de alegria e saúde a quem luta diariamente com os seus limites e com os limites do meio social.

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Mafalda Parreira

Sou a Mafalda e tenho 37 anos. Trabalho como repositora logística. Tenho o 12º ano e estou a tirar o curso de auxiliar de reabilitação e fisioterapia em horário pós-laboral, para exercer futuramente, pois é um dos meus sonhos e ainda não estou velha para o deixar escapar! Tenho um filhote lindo de 8 anos que me apoia muito e é o meu orgulho. Adoro ler, escrever, cozinhar, caminhar e experimentar coisas novas! Tenho 2 gatos maravilhosos (e um pouco loucos também!!) e um aquário cheio de peixes.

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