SociedadeSociedade

Ser mulher

Nascer mulher neste mundo é tudo menos agradável e aprazível. É estar, logo à partida, condenada a estereótipos machistas, a uma vida de regras rígidas e de futuro incerto. A beleza ainda é um factor determinante e motivo para uma competição negativa e desenfreada. A conotação sexual é explorada ao máximo e premeia a capa e não a substância. O sofrimento é para a vida.

Em bebé começa logo a lição. Os planos das mães e famílias são bem elaborados e ela vai ter tudo. Mas o casar e ter filhos continua a prevalecer. Será sempre incompleta se não o fizer. E os namorados também nunca são adequados. Todos apresentam enormes defeitos porque o amor não tem importância nenhuma. O importante é o futuro e a segurança.

Na escola também há o cuidado de a deixar orientada para o que der e vier. Segues esta área porque tem mais saída e tens que ganhar dinheiro. E gosto e interesse, não contam? Manipulada sempre, como um fantoche ou uma marioneta. Vontade e respeito são palavras, somente.

A verdade é que, por muito que se faça, está sempre incompleto ou mal feito ou por terminar alguma parte importante. Podes ser uma cientista, mas se não tiveres filhos, falta-te qualquer coisa de muito importante. Podes ser uma pessoa fantástica que ajuda os outros desinteressadamente, mas se não tens marido andas perdida na vida, falta-te qualquer coisa. Coitada, ficou para tia, é o que vais ouvir. Portanto, faças o que fizeres nunca está bem, existem sempre vozes discordantes e prontas a espetar a faca nas costas.

Foste mãe dos teus sobrinhos, mas não és a mãe deles, as deles abandonaram-nos, mas são as mães e não ficaram com eles porque a vida foi má, andam a orientar-se. Tu é que foste tudo, em todos os momentos, mas não chega, não és a mãe verdadeira.

Queres ter a tua casa, ser independente, mas caem-te em cima. Para quê? Falta-te alguma coisa aqui? Numa casa e sem marido? Não pode ser coisa boa! Estás a esconder algum segredo? Andas com um homem casado? Gostas de mulheres? E se for? Só a ti te diz respeito, só tu é que fazes os teus juízos de valor e tomas as tuas decisões.

Praticas exercício físico e cuidas da tua saúde. Perguntam logo se achas que estás gorda e gozam contigo. Manias modernas de comer coisas estranhas. Nem sabem pronunciar a palavra vegetariano ou vegano, mas aborrecem-te. E picam constantemente. Que tens tu rapariga? Andas nas drogas?

Se decides divertir-te, sair com os amigos e fazer noitadas, então és falada por toda a gente. Não tens juízo, não pensas no dia de amanhã, só queres diversão e nenhuma responsabilidade. És crucificada, claro está. E se trocas de namorado estás completamente morta. Usam uma quantidade inúmera de palavras, mas nenhuma delas é a verdadeira, a adequada. Não, não estás a fazer nada de errado, estás a viver a tua vida, simplesmente isso.

Se tens filhos, então, a educação que lhes estás a dar é errada. Se os deixas fazer tudo, és uma desmazelada e negligente, se és rígida, não és mãe, és uma ditadora. Nunca existe um meio termo. É uma situação tramada! Nunca se consegue que as coisas corram bem. Há sempre vozes discordantes.

Por isso, minha amiga, o melhor que há a fazer é viver a vida, conforme entenderes e puderes, sem te importares com aquilo que possam dizer. A vida é tua, é a tua liberdade de decisão que é importante, o caminho é teu e a felicidade só pode ser conquistada se te mostrares tal como és. Sê mulher! Faças o que fizeres não te desvies da tua rota e aproveita para ser feliz!

Tags
Show More

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: