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Ser Mulher no Afeganistão

Treze vidas, treze histórias marcadas por uma cultura patriarcal e tradicional, treze mulheres que ousaram contar a sua história de desigualdade e opressão. “As Mulheres Afegãs – Histórias por Detrás da Burka”, de Zarghuna Kargar, uma jornalista afegã refugiada em Londres, é um livro que reúne histórias, contadas no programa radiofónico, “Afghan Woman`s Hour”, emitido pela BBC, até Janeiro de 2010, demonstrando o que é ser mulher no Afeganistão.

Nos últimos anos, temos assistido a uma evolução do papel da mulher na sociedade afegã – actualmente, existem mais de 60 membros do sexo feminino no parlamento –  porém, a violência e o domínio exercido sobre as mesmas continua, na maior parte dos casos, a ser esmagadora, sendo que, aproximadamente 57% das jovens afegãs se casam antes dos 16 anos. 

Embora o regime talibã, movimento fundamentalista islâmico nacionalista, tenha caído em 2001, e nas eleições presidenciais, realizadas em 2004, tenha ganho o actual presidente afegão, Hamid Karzai, pró-americano, os talibãs ainda exercem um grande poder sobre o país, principalmente na região norte, organizando-se em forma de guerrilhas, promovendo inúmeros ataques terroristas no país e além-fronteiras. Contudo, é, principalmente, a nível cultural que este grupo consegue exercer uma grande influência sobre a sociedade afegã.

Recusando-se a reconhecer a igualdade de géneros e as leis que tentam assegurar a equidade entre as mulheres e os homens, a mentalidade de muitas famílias afegãs, reforçada pela ideologia talibã, continua a ser o maior obstáculo que as mulheres enfrentam. O simples acesso à educação é, muitas vezes, impedido pelos patriarcas por considerarem que o lugar da mulher é em casa, estimando-se, segundo dados da ONU, que cerca de 48% das mulheres afegãs sejam analfabetas.

Aquelas que conseguem ter um acesso mais facilitado à educação e outros serviços integram uma faixa privilegiada da população que possui uma certa condição financeira, permitindo-lhes aceder a bens e serviços que a maioria das mulheres afegãs nem imagina ser possível ter.

A democratização no acesso à educação, ao mercado de trabalho e a própria condição da mulher afegã só chegará a todas as camadas sociais quando as mentalidades mudarem e a sociedade for educada a pensar na mulher como uma pessoa de direitos e deveres igual ao homem.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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