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Ser consciente

Desde que me lembro, cá em casa sempre existiram animais de estimação. Especialmente gatos. Apesar de também constarem no repertório alguns rafeiros. Fazem parte da mobília. Acredite, as coisas por aqui não teriam a mesma graça sem aquelas bolas de pêlo a circularem pela horta, ou sem aqueles olhos enormes a fitarem-me na janela assim que entro na cozinha. Sem falar de uma certa Peste (não fiques escandalizado, é o nome do meu cão), que me chateia todos os dias para o levar a passear.

Por ter crescido rodeada de bicharada, o amor que sinto por estes seres-vivos é-me natural. Agradeço, por isso, à minha mãe e ainda mais por me ter ensinado a trata-los como se fossem os meus melhores amigos, porque na verdade o são. Essa é, sem dúvida, a mensagem que faz toda a diferença. Ter um animal de estimação é fácil, é corriqueiro, quase toda a gente tem, pelo menos aqui, nas aldeias. O que não é tão fácil é encontrar pessoas com consciência.

Ter um cão, ou um gato, nunca deve ser fruto de um capricho. “Ai, porque é bonito e é tão pequenino e a minha filha vai gostar”. Calma, antes de te atirares de cabeça, pensa! Tens um apartamento suficientemente grande, ou melhor uma casa com um quintal vantajoso para o teu futuro amigo puder passear à vontade? Se passaste esta etapa, óptimo, mas ainda é preciso questionares-te se tens tempo para lhe dar atenção e, igualmente importante, usufruis de uma situação económica estável, que te permite proporcionar todos os cuidados necessários, como é a alimentação e a saúde? Só depois de muito reflectir sobre todos estes pontos é que deves dar o passo seguinte. Assim evita-se, por um lado, a infelicidade do animal, que podia ter sido adoptado por outra pessoa com melhores condições, e, por outro, a tua desilusão.

Passaste o teste? Levaste o teu animal para casa e arrependeste-te passados uns meses? Porque é um cão e deu cabo dos teus sapatos preferidos e obriga-te a sair de casa, mesmo naqueles dias de bater o dente, ou porque é um gato e tens que estar sempre a mudar a areia, por causa dos maus cheiros, e deu-te cabo das novas cortinas da sala? Antes de tomares uma atitude precipitada, respira fundo. Abandona a ideia de o prender a uma corrente, quando tens um quintal enorme para ele passear. Como tu, ele tem necessidade de espairecer, de passear, de correr. Já o tentaste dar, mas não arranjas ninguém? Pára, para pensar um pouco. Actualmente, quase todos os municípios têm uma associação protectora de animais, entra em contacto com a da tua zona, porque elas costumam fazer feiras de adopção com regularidade e têm ainda a vantagem de serem muito cuidadosas na hora de entregar o teu patudo a um novo dono. Abandonar está fora de questão. Para além de contribuir para as altas taxas de abandono de animais de estimação que se assistem neste momento no país, evitas que o teu animal ande a vaguear com destino incerto pelas ruas, desorientado, porque não entende a tua atitude repentina. Age com consciência tranquila. Vais-te sentir melhor.

São apenas conselhos. Conselhos importantes. Uma sociedade desenvolvida é uma sociedade consciente da importância de bem tratar os seus animais. Sei bem que a nossa ainda tem um caminho longo a percorrer. Continuam a ser muitas as vezes em que observo cães com apenas pele e osso acorrentados a meio metro de corrente, acredito que muitos deles já contam muitos anos nessa situação, na lama, sem um mero farrapo para se deitarem, ou colónias de gatos famintos que a cada ninhada aguçam o problema. Ser indiferente não é caminho. Caminho é consciencializar a sociedade desta problemática. Por mais dura que uma pessoa seja, não são cenários agradáveis de se ver. Felizmente, o caminho começa a ser trilhado com leis como a que foi aprovada no final do ano passado (2013), que criminaliza os maus-tratos a animais de companhia.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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4 thoughts on “Ser consciente”

  1. Excelentes conselhos que todos aqueles que pensam um dia desfrutar da companhia de um animal de estimação devem levar em consideração. Já agora, uma sugestão de artigo para a Diana, sobre a esterilização de animais. Qual a sua opinião e se é a favor ou não. Esta é uma questão pertinente e muitos donos de animais deviam estar devidamente esclarecidos. Cumprimentos, José

  2. Muito obrigada José Coelho pelo feedback. Fica sempre algo por dizer, por explorar. A esterilização é um ponto pertinente a desenvolver, sem dúvida. Felizmente já existem municípios com campanhas de esterilização. Fica para um próximo artigo. Fica prometido. Cumprimentos.

  3. Obrigado Diana. Só agora me apercebi que respondeu a este meu comentário pois o site do Repórter não tem a opção de me notificar por e-mail de comentários posteriores. Já alertei a equipa para ver se existe a possibilidade de incluir essa opção aqui, pois acho que é importante. Se um autor responde a um comentário, por exemplo, o autor do comentário gostaria de ser notificado disso. Abraço luminoso, José

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