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Ser autista no século XXI

Ouve-se falar do autismo, mas, se fôssemos a perguntar às pessoas para nos explicarem o que isso é, talvez poucos soubessem responder. Por aí, tem-se a ideia de que os autistas são desobedientes e malcomportados. O que é certo é que é uma condição permanente. A criança nasce com autismo e prolonga-se para toda a vida. Num mundo atarefado e imprevisível, onde os transportes públicos se atrasam, as pessoas andam de um lado para o outro. Num mundo assim, que é o mundo em que vivemos, como é que um autista vive? Vamos pesquisar mais a fundo.

O autismo é um transtorno do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Geralmente, aparece nos três primeiros anos de vida. Os indivíduos autistas caraterizam-se pela dificuldade de comunicar socialmente e tendem a ter comportamentos repetitivos. Não se pode generalizar, porque, embora existam sintomas frequentes, cada caso é um caso. Existem diferentes graus de autismo. Há indivíduos autistas que têm mais dificuldade a comunicar socialmente do que outros. Há uns que se fazem melhor entender do que outros. O problema afeta cada um desses indivíduos com intensidade diferente. Essas diferenças podem existir logo desde nascença e serem óbvias para todos ou podem ser mais visíveis ao longo do desenvolvimento do indivíduo.

Dificuldades de coordenação motora e de atenção são sintomas possíveis. As pessoas com autismo podem ter problemas de saúde física, como sono e distúrbios gastrointestinais, podendo também manifestar falta de atenção, hiperatividade e ansiedade. Algumas dessas pessoas podem ter dificuldades de aprendizagem ao longo da vida, tanto na escola, como nas tarefas do dia a dia, como, por exemplo, tomar banho. No entanto, há outros que manifestam uma capacidade de memória acima da média. Poderão ser verdadeiros prodígios.

As pessoas com autismo podem viver as coisas mais à flor da pele. Visão, audição, olfato, tato e paladar. Podem desenvolver uma sensibilidade maior a um ou mais dos cinco sentidos. São visuais e recebem muita informação. Por exemplo, uma pessoa com autismo pode focar-se em determinados sons de fundo que outras pessoas jamais prestariam atenção.

Há um vídeo no YouTube, que aconselho todos a verem. São apenas 60 segundos, mas consegue-se perceber como é que um autista consegue ter os seus sentidos intensificados. Os sentidos podem ser tão intensificados que pode deixar o indivíduo desconfortável. Mas também é possível quem sinta os seus sentidos diminuídos.

O isolamento do indivíduo também é um dos sintomas, o que leva à falta de interação social. E a situação torna-se complicada, porque o indivíduo faz por ser excluído, embora não controle. E nós vivemos com os outros, em sociedade. Não é fácil ser autista no mundo. Não é fácil ir a um centro comercial, ir comprar comida, ir a um concerto, quando há tanta gente à nossa volta. Ou até mesmo quando não há. Não é fácil ter de lidar com tudo isto, sem ter controlo. E não se pode fazer com que o mundo pare.

Em relação às suas causas, ainda são desconhecidas, mas a pesquisa é cada vez mais intensa. De acordo com a Associação Médica Americana, a herança genética é crucial para o desenvolvimento do autismo. Nestes casos, a possibilidade é de 50%, sendo que a outra metade pode ser devido a fatores como o ambiente de criação e outros fatores externos, como a infeções causadas por vírus.

O autismo afeta mais indivíduos do sexo masculino. Não se sabe ao certo quantos indivíduos possuem este transtorno, mas a verdade é que, há 30 anos, alguém com estes sintomas era considerado tímido e com dificuldades de aprendizagem, quando podia nem ser esse o diagnóstico correto. E ficava-se por aí. Neste aspeto, a ciência merece um aplauso, porque é devido ao seu desenvolvimento que o processo de identificação da doença é muito mais simples. Não tem cura, mas há tratamento. A musicoterapia melhora a organização do pensamento e aumenta a criatividade. A presença da música é importante para que o indivíduo se consiga relacionar com o mundo, uma vez que a música consegue mexer com as nossas emoções.

Há uma coisa que as pessoas se devem lembrar, acima de tudo: os autistas são humanos. Têm de ser compreendidos como tal. Dia após dia, a ciência desenvolve-se. Talvez um dia se possa chegar à cura. Até lá, vamos todos ser bons cidadãos e respeitar o próximo, independentemente da sua condição. Hoje, a doença pode não nos ser próxima, mas amanhã poderá ser.

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Rita Almeida

Aspirante a jornalista. O gosto pela escrita faz parte de mim desde que me conheço. E penso que essa é a principal razão de ter escolhido o curso de Ciências da Comunicação para a minha licenciatura. Quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza que não podia estar em outro lugar.

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