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Se tu soubesses

Beijámo-nos uma vez e foi quanto bastou para eu querer repetir.

Ontem, daqui a cinco minutos, amanhã, por meia hora, para a vida toda, onde for, quando for.

Língua a tocar na língua, as minhas mãos a decorarem o caminho da tua cara, os teus dedos a entrelaçarem-se nos meus caracóis para depois me abraçares com força contra ti enquanto me chamas carinhosamente de menina. Era o néctar da felicidade.

Os nossos corpos prometeram mais um ao outro. O meu vibrou e o teu jorrou néctar no meu peito.

Se tu soubesses que, quando a lua sorri no céu, a ponta dos meus dedos te procura em cada centímetro de pele que tenho, já terias largado tudo e vindo saciar-me.

Se tu soubesses que o meu corpo pulsa tanto quanto o coração, cada vez que se lembra de ti, estarias a calar-me a voz com mais beijos.

Estarias a sussurrar as tuas ordinarices ao meu ouvido, enquanto as tuas mãos segurariam o peito onde tanto te perdeste. És tão ordinário e eu deixo-me gostar-te.

Estaríamos a arfar e a deixar que os corpos fossem um contra o outro repetidas vezes até ao orgasmo, olhos nos olhos, pele com pele.

Se tu soubesses o quanto te procuro e quero, tinhas-me dado a fórmula para te guardar perto. Não terias deixado que a minha boca procure os teus lábios para os morder. Não me terias desnudado à luz da Lua na noite de quarto crescente. Não me terias abraçado com a tua força ou encostado à parede…

Se eu soubesse que te ia querer assim, tinha-te deixado entrar cedo. Pela manhã, só para ter a certeza de que até à noite havíamos de percorrer o corpo um do outro entre gemidos, ordinarices e beijos logo com sabor a saudade.

Se eu soubesse que as minhas mãos te iam procurar, tinha guardado o beijo demorado que demos. Tinha-lo guardado na caixa do desejo para o aquecer entre as pernas, quando o frio me chegasse e te afastasse.

Se tu e eu soubéssemos…

Saberíamos que uma vez não chega para matar o desejo. Uma noite só pode ser usada para o acender.

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Sofia Fonseca Costa

Nasceu numa quarta feira de Novembro, no ano 1984, mas não gosta de meio termos. Desde que se lembra que quer ser escritora e mãe. Dizem que no canto do seu sorriso mora um arco-íris. Vive para as palavras e afectos. Não gosta de chocolate.
É formada em jornalismo e fez teatro durante mais de uma década.
Mãe de quatro filhos a quem chama de Soneto. É autora do livro Murmúrio Infinito. Chamam-lhe Sofes Marie.

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