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Sala de espera. Onde a esperança e o medo sentem em silêncio.

Se há sítios que te acenam com a mais pura das verdades, é ali, na sala de espera, onde a finitude se mostra sem rodeios, de frente. E é também ali que todas as orações são válidas para que a porta do outro lado se abra cheia de esperança e de vida.

Ali, na sala de espera, a esperança abraça o medo nas cadeiras desconfortáveis e escorregadias que tentam amparar a vibração do pulsar dos corações apertados de quem o destino quis que ali fosse parar. Não só o medo de quem a doença se faz hóspede, mas também o dos que amam quem dela padece. De quem sofre pelo sofrimento do outro e de quem sofre pela ameaça de perda de alguém que ama. Um sofrimento silencioso, uma fusão de duas dores, a do outro e a própria dor.

É um peso incalculável, e inevitavelmente solitário, que é carregado por quem está à espera na sala de espera, sem que possa dar-se ao luxo de explodir [ou implodir]. Um sofrimento que só é sofrido por quem está ali e carrega duas dores, ao que acresce a do desgaste de ser o centro de perguntas, de telefonemas, de dúvidas, de anseios e demais contactos com terceiros. É ali que a dor do medo faz tremer quem só quer abraçar a esperança de quem está para além da porta da sala de espera. E é por tudo isto que o cuidador precisa de ser cuidado. Mas não, não há tempo nem espaço…

A sala de espera está cheia de pessoas que esperam boas notícias, que carregam um sofrimento disfarçado de sorrisos e de palavras de conforto, embora seja um sofrimento sustentado pelo amor. Um amor que, ao mesmo tempo que treme de medo, é escudo protector, força motriz e razão de toda a existência. É assim, neste movimento de forças e fraquezas, que o amor vence. Mesmo com sofrimento e dor, mesmo que a doença cause danos irreparáveis, a verdade é que o amor ajuda a fechar as cicatrizes e a saber viver com essas marcas. As marcas da finitude.

É ali, na sala de espera, que as pessoas são pessoas; que se tem a verdadeira percepção de que somos humanos e feitos da mesma matéria; que sentimos que não há bem material à face da terra que valha mais do que a saúde e o amor; que a verdadeira esperança e o verdadeiro medo se apresentam no seu melhor. É ali que sentimos dores de crescimento…

É ali, na sala de espera, que o cheio a éter pode ser água perfumada e os apitos das máquinas podem tocar a música mais encantadora do mundo, ou não…

Ali, na sala de espera, somos reais.

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Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense, casada e mãe de dois filhos, os seus amores-para-sempre. Residente em Coimbra e licenciada em Comunicação Social, inspira-se nas pessoas e em tudo o que a vida oferece. Enveredou pela comunicação das organizações, área em que actualmente exerce a sua actividade profissional. Ler {livros e o mundo} e escrever aqui e ali são alguns dos seus passatempos favoritos. Encara o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade...

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